baden powell - apelo Os Afro Sambas (1966) | Personalidade (1993) Tracklist: Os Afro Sambas Tracklist: Personalidade O Universo Musical de Baden Powell (2003) Tracklist CD 1 Tracklist CD 2
No final do programa, como de costume, o locutor fez as chamadas para a semana seguinte, e qual não foi a surpresa do menino ao ouvir seu nome entre os calouros que iriam se apresentar no próximo domingo. E com um nome como seu, Baden Powell, havia pouca chance que se tratasse de outro. Ele tinha dez anos e a idéia de inscrevê-lo foi do seu professor de violão Meira. O concurso ‘Papel Carbono’ cuja regra, como indicado no nome do programa, era imitar um grande artista e tinha que tocar como se fosse o próprio. Baden transformou-se no grande violonista Dilermando Reis e o público, fascinado ao ouví-lo tocar ‘Magoado’ deu-lhe o primeiro lugar como solista de violão.
A música era uma velha conhecida na família. Seu avô, Vicente Thomaz de Aquino, era um intelectual, fora o primeiro maestro formado no Rio de Janeiro e fundara, ainda no século XIX, uma Orquestra Negra composta de escravos chegando a se apresentar no elitista Teatro Municipal. Thomaz de Aquino era muito próximo de José do Patrocínio, e se envolvera na luta abolicionista, como militante da causa negra alfabetizava-os preparando-os para a libertação. Seu pai, Lilo de Aquino, mais conhecido como Tic, animava os bailes com seu violino em uma fazenda de café na cidade de Varre-Sai, também era chefe de escoteiros na cidade e devotava a maior admiração pelo britânico Baden Powell, fundador do escotismo, a quem homenageou dando o seu nome ao filho; tocava tuba na banda da cidade e era sapateiro, não de consertar calçados, mas de criar modelos.
Baden Powell cresceu em meio à música. Seu pai tocava seu violino na rua, nos bares e nas praças. Havia também as serenatas e as rodas de choro organizadas pelo pai e que Baden ouvia fascinado atrás da porta. Acordava ouvindo o hino francês do relógio materno impregnando-o da cultura que mais tarde adotaria. Quando ganhou um violão, aos oito anos, demonstrou facilidade em tocá-lo e em um ano seu pai havia lhe ensinado o que sabia, portanto chegara a hora de providenciar um verdadeiro professor. E assim, foi contratado Jaime Florence, mais conhecido como Meira que também o iniciou no violão clássico. Passaram-se cinco anos, no final dos quais, Meira avisou que não tinha mais nada que ensinar a Baden Powell. O aluno sabia mais do que o mestre. E Baden se inscreveu na Escola Nacional de Música do Rio de Janeiro, iniciando o aprendizado da teoria musical, da história da música, da harmonia, da composição e aprender o repertório dos grandes mestres.
A essa altura, sua mãe não entendia por que ele estava tocando uns ritmos estranhos, uns acordes horríveis. Baden já estava firmando sua personalidade como intérprete, criando os seus harpejos característicos e acordes sofisticados. Ao mesmo tempo, ouvia outros estilos musicais e novos ritmos da moda, importados dos Estados Unidos. Além de corresponder ao seu gosto musical, e ao de sua geração, o jazz, com o bebop, o swing, o fox-trot eram os ritmos preferidos nas festas e bailes onde ele tocava. Nessa fase de adolescência, já se revelavam as diferentes facetas de sua personalidade musical e sua incrível versatilidade: o concertista que tocava Bach na igreja, o chorão que agora comandava as rodas de choro, o guitarrista de jazz dos bailes, o sambista nas batucadas nos morros onde vivia o seu lado malandro. Baden gostava desse ambiente marginal.
Com quinze anos e uma autorização das autoridades, Baden estreou sua vida de músico profissional nos prostíbulos e descobriu um mundo novo, gente da noite. Foi nessa vida da noite que começou a beber e fumar. Na década de 50, a música da moda nas classes média e alta era o jazz um dos estilos musicais que Baden Powell mais prezava. Os músicos que acariciavam os ouvidos da platéia, com seus improvisos jazzísticos, eram, na sua maioria, os mesmos que a partir de 1958 se tornariam os músicos da bossa nova. Um dos lugares mais freqüentados era o Hotel Plaza, um lugar aconchegante, onde as pessoas iam tomar um drinque, conversar e escutar jazz. E onde nasceu o ‘Ed Lincoln Trio’ com Baden Powell no violão. E o local tornou-se um ponto de encontro de futuros grandes músicos como Tom Jobim e João Gilberto já cheio de complicações. Ficava esperando o intervalo, porque não queria entrar na escuridão. Aos dezoito anos, Baden era músico de estúdio, contratado pela Philips, e tocava tanto nos discos de artistas importantes como nos dos estreantes. Em 1959 o diretor artístico resolveu gravar um disco com Baden. O primeiro disco solo ‘Apresentando Baden Powell e seu violão’ ficou pronto com um repertório absolutamente eclético: músicas latino-americanas, clássicos do jazz, músicas brasileiras e ‘Samba Triste’, sua primeira composição.
A bossa nova já estava bem implantada e não havia horário para ela, de noite ou de dia, sempre havia um lugar aonde ir com um violão. E Baden Powell freqüentava quase todos. Bossa nova que nasceu do dedilhar de músicos formados nas universidades, cultos e informados que conheciam música clássica, o jazz, a chanson française, a american song, e que possuíam suas próprias raízes: o samba, o choro. Exatamente tudo aquilo que o próprio Baden Powell é. Mas, ele nunca pertenceu a nenhum movimento, ele nunca se ajustou a nenhum molde, nunca seguiu nenhuma orientação e, sobretudo, nunca se limitou a um gênero. Na década de 60, continuou a percorrer todos os ritmos, inclusive da bossa nova, mas com um estilo infinitamente pessoal e original. Participou de suas manifestações, dos shows universitários que a implantaram e também tocou em discos rotulados de ‘bossa nova’. Contudo, jamais se sentiu um músico bossa nova, tanto que nunca foi considerado pelos pesquisadores brasileiros, como sendo um dos integrantes da bossa nova. Isso porque a principal característica de Baden Powell é ser Baden Powell, e ponto final.
Em 1961, gravou o segundo disco ‘Um Violão na Madrugada’. Em 1962, conheceu aquele que se tornaria o seu mais importante parceiro e companheiro de farra: Vinicius de Moraes. E nasceu assim uma forte amizade que com seus altos e baixos só a morte de Vinícius interromperia. Dois imensos artistas, profundamente marginais, sem preconceitos, arredios às regras preestabelecidas, aos moldes, às modas. O que mais encantava o diplomata poeta eram as raízes suburbanas de Baden, regadas a samba e choro e moldadas pelos mestres Pixinguinha e Meira, e na malandragem dos morros. E caiu de amores pelo violão cheio de ginga, de negritude, de raízes. A bebida já fazia parte da vida do violonista suburbano, mas no luxuoso e burguês do novo parceiro, descobriu o uísque escocês. Entre uma composição e outra, as garrafas iam se esvaziando, os cinzeiros se enchendo e a noite avançando. Dessas noitadas resultaram pérolas musicais.
Baden Powell que logo depois visita a Bahia demonstra interesse pelas tradições afro-baianas e é levado às rodas de capoeira onde são interpretados para ele os cânticos e sons dos terreiros de candomblé. Baden fica fascinado pela beleza das harmonias. Ao se reencontrar com Vinicius compõe o samba ‘Berimbau’ e resolvem iniciar uma série de canções sobre a cultura afro-brasileira e assim surge o disco ‘Os Afros Sambas ‘, e uma nova modalidade musical: o afro-samba. Disco antológico onde se misturam instrumentos do candomblé: atabaques, bongô, agogô e afoxé com outros da música tradicional como flauta, violão, sax, bateria e contrabaixo. Ainda em 1966 o seu álbum ‘Tristeza on Guitar’ foi sucesso internacional. Em 1967 foi entusiasticamente aplaudido no concerto ‘Berliner Jazztage’ na Alemanha onde viveu por quatro anos. Em 1970 iniciou sua primeira turnê pela Europa e Japão, mas teve sérios problemas de saúde e em 1983 mudou para Baden-Baden onde viveu em retiro. Em 1988 voltou ao Brasil e gravou o álbum ‘Rio das Valsas’. Morreu em 2000 no Rio de Janeiro. (o livro que recomendo 'O violão vadio de Baden Powell' da escritora e jornalista francesa Dominique Dreyfus foi a minha fonte)
01. Canto de Ossanha 02. Canto de Xangô 03. Bocoché 04. Canto de Iemanjá 05. Tempo de Amor 06. Canto de Pedra Preta 07. Tristeza e Solidão 08. Lamento de Exú
01. Viagem 02. Das rosas 03. Apelo 04. Chão de estrelas 05. Consolação 06. Carinhoso 07. Garota de Ipanema 08. Eurídice 09. Samba triste 10. Lamento 11. É de lei 12. Tempo feliz 13. A lenda do Abaetê 14. Deixa.jpg)
CD 1: parte I parte II
CD 2: parte I parte II
01. Berimbau 02. Garota de Ipanema 03. Deve Ser Amor 04. Samba Triste 05. Jesus Alegria dos Homens 06. Folha Morta 07. Formosa 08. Vou Deitar e Rolar 09. Dora 10. Ingênuo 11. Pai 12. Maritima 13. Choro para Metrônomo 14. Mais Ne Rigole Pas
01. Xangô 02. Samba do Avião 03. A Primeira Vez 04. Eu Vim da Bahia 05. Feitinha pro Poeta 06. Canto de Ossanha 07. Saudades de Marcia 08. Round About Midnight 09. Asa Branca 10. Samba em Prelúdio 11. Samba do Pintinho 12. Coisa Nº 1 13. Discussão 14. Amélia 15. Samba da Bênção
terça-feira, 19 de outubro de 2010
baden powell: músico brasileiro
terça-feira, 10 de agosto de 2010
jorge ben jor
O álbum ‘Pérolas’ traz Jorge do final dos anos 70 e meados dos 80. As clássicas ‘Todo Dia Era Dia de Índio’ (Curumim Chama Cunhatã Que Eu Vou Contar) numa gravação antológica; ‘Ive Brussel' em dueto com Caetano Veloso; o samba-enredo ‘O Dia em Que o Sol Declarou seu Amor pela Terra’ e um pot-pourri de êxitos que destaca a monumental ‘Taj Mahal’, uma versão não tão inspirada de ‘Fio Maravilha’ já trocada por ‘Filho Maravilha’ e ‘País Tropical’. O álbum também inclui duas jóias que não foram sucesso, ‘Berenice’ e ‘Pelos Verdes Mares’, onde Jorge retoma o groove de violão original dos tempos de ‘Mas, Que Nada’ e ‘Por Causa de Você, Menina’. O ‘Acústico MTV’ traz Jorge Benjor de volta ao violão em alguns de seus maiores sucessos e outras músicas menos conhecidas de sua vasta carreira. Dividido em dois álbuns, com um balanço forte o CD1 vem com a banda ‘Admiral V’ que acompanhou o músico nos anos 70. No CD 2 quem comanda é a banda do ‘Zé Pretinho’ com clássicos mais tradicionais. jorge ben jor - que pena Pérolas (2000) Acústico MTV (2002)
Desde o início da carreira, Jorge Ben Jor foi inovador. Nos anos 60 apresentou-se no 'Beco das Garrafas', Rio de Janeiro, que se tornou um dos redutos da Bossa Nova. Dono de um estilo único chegou a participar de programas antagônicos como ‘O fino da bossa’ e do alienante e medíocre ‘Jovem Guarda’ (que na época da ditadura brasileira fazia parte da política do panis et circenses), e mais tarde entre programas dedicados à 'Tropicália' cujos representantes foram Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Torquato Neto, Os Mutantes e Tom Zé e que a intelectualidade da época e principalmente determinadas fatias da juventude universitária ligadas ao movimento estudantil consideravam alienados. Anos mais tarde o movimento passou a ser compreendido. Em 1963, Jorge Ben Jor cantou ‘Mas que Nada’ para uma pequena platéia, que incluía um executivo da gravadora Philips. Dois meses depois, era lançado seu primeiro compacto. As composições e o estilo criado por Jorge Benjor são de fundamental importância na música brasileira e na maneira de tocar violão. Jorge incorporou muito do soul e funk norte-americanos e influências árabes e africanas, que vieram através de sua mãe, nascida na Etiópia.
Nascido em Madureira, Rio de Janeiro, filho de um cantor e compositor de músicas de carnaval, Jorge na adolescência, integrou um grupo regional, tocando pandeiro, e fez parte do coro da igreja da escola onde estudava. Aos 18 anos, ganhou seu primeiro violão e um método de aprendizagem para principiantes. Em pouco tempo começou a tocar bossa nova e rock em festas de amigos. Iniciou sua carreira em 1961, tocando pandeiro no grupo ‘Copa Trio’, que se apresentava na casa noturna ‘Little Club’, no Beco das Garrafas e como cantor de rock na boate ‘Plaza’. Em 1963, foi contratado pela gravadora Philips e gravou um 78 rpm com ‘Mas que nada’ e ‘Por causa de você, menina’, ambas de sua autoria. Nesse mesmo ano, gravou seu primeiro LP, ‘Samba esquema novo’, contendo essas duas canções, além de ‘Chove chuva’, que consolidou seu sucesso como cantor e compositor.
Em 1964, lançou o segundo LP e no ano seguinte viajou para os Estados Unidos, apresentando-se em clubes e universidades, durante três meses. Algumas de suas canções foram gravadas nos Estados Unidos por Sergio Mendes, que chegaram às paradas de sucesso norte-americanas, por Herb Albert e por José Feliciano. Nos anos seguintes participou dos festivais internacionais da canção promovidos pelas TVs Record e Globo. Em 1972, realizou turnê de shows na Itália, Portugal e Japão, onde gravou um disco ao vivo. Ainda nesse ano, venceu o VII Festival Internacional da Canção, com sua composição ‘Fio Maravilha’, homenagem ao jogador Fio do Flamengo e defendida por Maria Alcina, mais tarde o título teve que ser trocado para ‘Filho Maravilha’ por causa do processo movido pelo ex-jogador.
Nesse mesmo ano, lançou ‘Ben’ entre canções de sua autoria o disco registrou ‘Taj Mahal’, música que valeu um processo contra Rod Stewart por uso ‘inconsciente’ do refrão da música de Jorge Ben Jor em ‘Da Ya Think I'm Sexy’. Jorge ganhou na Justiça, mas os direitos autorais relativos à canção foram doados à Unicef, o órgão da ONU que auxilia crianças carentes, um truque que o advogado de Stewart encontrou para transformar o pecado em virtude. Jorge lançou outros discos nos anos 70. Na década seguinte dedicou-se a divulgar suas músicas no exterior. Em 1989, por questões de direito autoral, alterou seu nome artístico de Jorge Ben para Jorge Ben Jor. Nos anos 90 estourou nas pistas de dança. A partir daí seus discos se tornaram mais pops, sem perder o suíngue que sempre o caracterizou. Voltou às paradas de sucesso, e foi ‘descoberto’ por uma nova geração de fãs.
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Pérolas (2000) | Acústico MTV (2002): CD 1 CD 2
Tracklist 01. I’ve Brussel 02. O Dia Que O Sol Declarou O Seu Amor Pela Terra 03. Pelos Verdes Mares 04. A Banda Do Ze Pretinho 05. Santa Clara Clareou 06. Rio Babilonia 07. Waldomiro Pena 08. Bom Dia, Boa Tade, Boa Noite Amor 09. Senhora Dona Da Casa 10. Curumim Chama Cunhanta Que Eu Vou Contar (Todo Dia Era Dia De Indio) 11. Oe Oe (Faz Um Carro De Boi Na Estrada) 12. Taj Mahal/Fio Maravilha/Pais Tropical 13. A Cegonha Me Deixou Em Madureira 14. Robert Corta Essa 15. Berenice 16. Salve Simpatia
Tracklist CD 1: Admiral Jorge V 01. Jorge de Capadócia 02. Roberto, Corta Essa Ponta De Lança Africano 03. Balança Pema 04. Comanche 05. O Vendedor De Bananas 06. O Circo Chegou 07. Ive Brussel 08. O Namorado Da Viúva 09. Minha Teimosia, Uma Arma Pra Te Conquistar 10. Take It Easy, My Brother Charles 11. Zazueira
Tracklist CD 2: A Banda do Zé Pretinho 01. Mas,Que Nada 02. Por Causa De Você,Menina/Chove,Chuva 03. Que Maravilha 04. Menina Mulher Da Pele Preta/O Telefone Tocou Novam 05. Que Pena (Ela Já Não Gosta Mais De Mim) 06. País Tropical /Spyro Gyro 07. W/Brasil (Chama O Síndico) 08. Os Alquimistas Estão Chegando Os Alquimistas 09. Filho Maravilha 10. Taj Mahal
terça-feira, 13 de julho de 2010
paulo moura - os gênios não morrem jamais
• raphael rabello | paulo moura | dino 7 cordas
paulo moura - ingênuo Hepteto (1968) | Quarteto (1969) Hepteto Quarteto Gafieira Etc & Tal (1986) | Pixinguinha: Paulo Moura e os Batutas (1998) Tracklist: Gafieira Etc & Tal Tracklist: Pixinguinha - Paulo Moura e os Batutas K-XIMblues (2001) | Paulo Moura e Cliff Korman – Gafieira Jazz (2006) Tracklist: K-XIMblues Paulo Moura e Cliff Korman – Gafieira Jazz Interpreta Radames Gnattali (1959) | Interpretam Vivaldi, Webber, Purcell e Villa Lobos (1977) Paulo Moura Interpreta Radames Gnattali Paulo Moura, Formiga, Altamiro Carrilho e Abel Ferreira - Interpretam Vivaldi, Webber, Purcell e Villa Lobos com Orquestra Sinfônica Brasileira
No dia 12 de julho de 2010, partiu o saxofonista, clarinetista, compositor e arranjador Paulo Moura. Os gênios não morrem jamais como observou o pintor surrealista espanhol Salvador Dali. Paulo Moura era considerado um dos principais nomes da música instrumental no Brasil, para mim o maior instrumentista brasileiro. Paulo Moura faria 78 anos nesta quinta-feira, dia 15 de julho. Dono de uma carreira exemplar e músico respeitado mundialmente, ele tinha formação clássica, foi músico da orquestra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, escreveu temas musicais para cinema e televisão. Fã do jazz também trafegava com desenvoltura pelos ritmos regionais brasileiros como o samba, choro e maxixe. Era o caçula de dez irmãos, seis deles músicos, ensaiados pelo pai, Pedro Moura, marceneiro de profissão que tocava clarineta e saxofone em São José do Rio Preto, cidade do interior do Estado de São Paulo. Paulo Mouta ganhou sua primeira clarineta aos nove anos. Aos quatorze anos começou a tocar na banda do pai. Em 1945, a família se mudou para o Rio de Janeiro. Deixou a escola e passou a dedicar-se totalmente à música, estudando clarineta, teoria musical e solfejo. Passou a tocar profissionalmente em clubes e voltou a estudar. Incluiu o sax alto em seus estudos musicais. Em 1951 foi contratado para ser o primeiro saxofonista solista de uma orquestra de rádio e passou a gravar com grandes cantores brasileiros.
O maestro Leonard Bernstein quando veio ao Rio de Janeiro convidou Paulo Moura para tocar sob sua regência interpretando obras de George Gershwin. Fascinado pelo jazz, que dominava as noites do Rio de Janeiro e São Paulo, e sob influência de Dizzy Gillespie e Stan Kenton foi premiado como o melhor clarinetista e melhor saxofonista no concurso ‘Em tempo de Jazz’ de um programa de rádio. Em uma viagem com a orquestra de Ary Barroso, Paulo Moura conheceu Gillespie em New York. De volta ao Brasil, em 1956, cria sua primeira orquestra, inspirada nas big bands americanas. Aos 23 anos, escrevia os arranjos, escolhia o repertório e ensaiava músicos que depois se tornariam como ele, destaques da musica instrumental. No mesmo ano gravou seu primeiro disco, ‘Moto Perpetuo’. Em 1959, executando a ‘Primeira Rapsódia’, de Debussy, classificou-se em primeiro lugar no concurso do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Apaixona-se pela música clássica e toca sob a regência de grandes maestros. Em 1968, grava ‘Hepteto’ e no ano seguinte ‘Quarteto’.
A promissora carreira na música popular não o afastou da música clássica, ele entrou nos anos 60 em grande estilo, e lançou ‘Paulo Moura Interpreta Radamés Gnatalli’, um disco com músicas feitas pelo famoso maestro especialmente para sua clarineta. Nas gravações, Radamés o acompanha ao piano e Baden Powell no violão. Em 1962, formou com Sergio Mendes o ‘Bossa Rio’, que tocou no Carnegie Hall, em Nova York com Tom Jobim, Stan Getz e João Gilberto. Paulo Moura conheceu o pianista norte-americano Cliff Korman em 1981, quando foi a Woodstock, no estado de New York, para dar aulas. Cliff, na época um jovem pianista, foi o primeiro a levantar a mão quando o clarinetista perguntou se alguém gostaria de tocar um pouco com ele. Desde então, estabeleceu-se uma parceria que resultou em vários shows e discos gravados, entre eles ‘Gafieira Jazz’, um encontro de culturas e criações, Paulo Moura e Cliff Korman promovem uma gafieira com sabores do jazz. Gafieira é o local onde, por volta do fim do século XIX e início do século XX em diante, tradicionalmente as classes mais humildes podiam freqüentar para dançar o samba de gafieira ou samba sincopado. Não chegava a ser um clube e sim uma alternativa para essas pessoas. Paulo Moura ganhou o primeiro Grammy Latino para Música de Raiz com o trabalho ‘Pixinguinha: Paulo Moura e os Batutas’, em 2000. E foi indicado novamente ao Grammy em 2008, na categoria Melhor CD Instrumental, como disco ‘Pra cá e Pra Lá’.
Personnel: Paulo Moura (alto sax, musical) Oberdan Magalhaes (tenor sax) Darcy da Cruz (trompete) Cesário Constâncio (trombone) Luiz Carlos (baixo) Wagner Tiso (piano) Paschoal Meirelles (bateria)
Tracklist: 01. Bonita 02. Travessia 03. Das Tardes Mais Sós 04. Homem do Meu Mundo 05. Bitucada 06. Nem Precisou Mais Um Sol 07. No Brilho da Faca 08. Wave 09. Três Pontas 10. Outubro
Personnel: Paulo Moura (sax alto) Wagner Tiso (piano) Luis Carlos (baixo) Paschoal Meirelles (bateria)
Tracklist: 01. Lamento do Morro 02. Eu e a Brisa 03. Meu Lugar 04. Aos Pés da Santa Cruz 05. Yardbird Suíte 06. Sá Marina 07. Retrato de Benny Carter 08. Razão 09. Feitio de Oração 10. Terra
01. Diálogo (Para a paz mundial) 02. Ao velho Pedro 03. Rio Negro 04. Alma brasileira 05. Nada além 06. Fibra/Magia do samba/Jogada/MRA
01. Ainda me recordo 02. Segura ele 03. Proezas de Solon 04. Cochichando 05. Ingênuo 06. Lamentos 07. Carinhoso 08. Mistura e manda 09. Batuque na cozinha 10. Oito batutas 11. Pelo Telefone 12. Rosa 13. Naquele tempo 14. Vou vivendo 15. Um a zero 16. Urubu malandro
01. Sempre 02. K-Xintema 03. Auto plágio 04. Catita 05. Sonoroso 06. Sonhando 07. Ternura 08. Just walking 09. K-Ximbodega / Eu quero sossego 10. Velhos companheiros
Personnel: Paulo Moura (sax alto) Cliff Korman (piano) David Fink (baixo) Paulo Braga (bateria) Mestre Zé Paulo (cavaquinho)
Tracklist: 01. Saxofone, porque choras 02. Sozinha 03. Noites cariocas 04. Pedacinhos do céu 05. Manhã de carnaval 06. Tarde de chuva 07. 1 X 0 08. Mulatas 09. Alma brasileira
Personnel: Paulo Moura (sax alto) Radames Gnattali (piano) Baden Powell (violão) Trinca (bateria) Vidal or Paulo (baixo)
Tracklist: 01. Monotonia 02. Devaneio 03. Nostalgia 04. Carioca 1959 05. Sempre a Sonhar 06. Valsa Triste 07. Penumbra 08. Romance
Personnel: Paulo Moura (Fantasia para Sax Soprano e Orquestra - Villa-Lobos) Maestro Formiga (Fantasia para Trompete em Re e Orquestra - Purcell) Abel Ferreira (Concertino para Clarinete e Orquestra - Webber) Altamiro Carrilho (Concerto para Flautim e Orquestra - Vivaldi) Maestro Julio Medalha (Orquestra Sinfônica Brasileira)
Tracklist:
01. Henry Purcell - Fantasia para Trompete - A. Fanfarra
01. Henry Purcell - Fantasia para Trompete - B. Aria
01. Henry Purcell - Fantasia para Trompete - C. Magestoso
01. Henry Purcell - Fantasia para Trompete - D. Adagio
01. Henry Purcell - Fantasia para Trompete - E. Fanfarra
02. Carl Maria Von Weber - Conc.p.Clarinete e Orquestra
03. A.Vivaldi - Concerto para Flautim e Orquestra - A.Allegro
03. A.Vivaldi - Concerto para Flautim e Orquestra - B. Largo
03. A.Vivaldi - Concerto para Flautim e Orquestra - C. Allegro Molto
04. Villa-Lobos - Fantasia para Saxofone Soprano e Orquestra - A. Animé
04. Villa-Lobos - Fantasia para Saxofone Soprano e Orquestra - B. Lent
04. Villa-Lobos - Fantasia para Saxofone Soprano e Orquestra - C. Trés Animé
terça-feira, 18 de maio de 2010
raphael rabello | paulo moura | dino 7 cordas
raphael rabello - luiza Tracklist paulo moura & raphael rabello - tarde de chuva Dois Irmãos (1992) Tracklist dino 7 cordas & raphael rabello - sons de carrilhoes Raphael Rabello & Dino 7 Cordas (1991) Tracklist
Raphael Rabello foi um dos mais notáveis violonistas brasileiros de todos os tempos. Com interpretações vibrantes e técnica exuberante, a sua contribuição foi essencial para a história do violão brasileiro. Vindo de uma família musical, sua irmã se tornou conhecida com o seu cavaquinho, e seu primeiro professor de violão foi o irmão mais velho, Raphael começou a tocar violão aos 12 anos, profissionalmente aos 14 anos, quando participou de uma gravação com o violonista clássico Turibio Santos. Logo depois formou o conjunto ‘Os Carioquinhas’, que tocava choro, popularmente chamado de chorinho, é um gênero musical, uma música popular e instrumental brasileira, com mais de 130 anos de existência. Teve aulas com o lendário violonista ‘Dino 7 Cordas’, e por algum tempo adotou o nome ‘Rafael 7 Cordas’ ao dedicar-se a esse instrumento, o violão de 7 cordas, um instrumento genuinamente brasileiro em uso, técnica e linguagem. Considerado um virtuose do violão de 6 e 7 cordas, tocou com os maiores nomes do choro e do samba. Em 1989, um acidente de carro resultou em uma fratura múltipla em seu braço direito que pôs sua carreira em risco. Porém, quatro meses depois o violonista estreava em shows de samba e choro.
Suas interpretações para clássicos do choro como ‘1 x 0’ de Pixinguinha e ‘Desvairada’ são consideradas antológicas. Também ddesenvolveu um ritmo de samba para violão que é reproduzido por diversos violonistas. Raphael tocava muitos estilos distintos, mas era especializado em choro. Sua genialidade e virtuosismo, o fez ser considerado o ‘Mozart do choro’. Em 1992 lançou um disco-tributo a Tom Jobim, ‘Todos os Tons’, com participações do flamenco Paco de Lucia, de Jacques Morelenbaum e o próprio Jobim. Atuou em discos de diversos artistas, e foi um dos mais requisitados violonistas dos anos 80 e 90, famoso por aliar técnica impecável a sensibilidade interpretativa, em qualquer estilo, fosse erudito, choro, flamenco ou bossa nova. Teve morte precoce, aos 32 anos, por ter sido contaminado pelo vírus do HIV quando precisou de uma transfusão de sangue por causa do acidente. Desesperado tornou-se viciado em cocaína, anfetaminas e álcool. Em 1994 foi para os Estados Unidos e lecionou em uma universidade de música em Los Angeles e se libertou das drogas. Precisou voltar ao Brasil para um trabalho aprovado pela Fundação Cultural Banco do Brasil e também voltou para as drogas. Em 1995 foi internado para tratamento de desintoxicação e acabou morrendo. Várias foram as versões para sua morte: infecção generalizada, Aids, overdose, suicídio ou apnéia. .jpg)
01. Samba do Avião 02. Samba de uma nota só 03. Passarim 04. Retrato Em Branco E Preto 05. Modinha 06. Garota de Ipanema 07. Anos Dourados 08. Garoto 09. Pois E 10. Luiza
Paulo Moura, filho de um mestre de banda e irmão de outros músicos, começou a tocar piano e clarineta em São José do Rio Preto (SP), onde nasceu. Mudou-se mais tarde para o Rio de Janeiro, onde começou a tocar em cassinos, bailes e festas, como integrante de famosas orquestras da época. Concluiu o curso de clarineta na ‘Escola Nacional de Música’, onde aprendeu também teoria musical, harmonia, regência, orquestração e arranjo. Foi primeiro clarinetista da ‘Orquestra do Teatro Nacional’ por 17 anos. Nesse período, viajou pelo México e Rússia, onde chegou a reger a ‘Orquestra Sinfônica de Moscou’. Excursionou até pelo Japão. Sua ligação com o jazz é muito forte, e formou uma das primeiras ‘jazz bands’ do país, tocando saxofone além de clarineta. Transitando entre o popular e o erudito, freqüentava o ‘Beco das Garrafas’, reduto da bossa nova, e atuou como arranjador para Elis Regina e Milton Nascimento. Gravou ‘Dois Irmãos’ ao lado de Raphael Rabello em 1992, ano em que ganhou o prêmio Sharp de melhor instrumentista popular. Sua música é recebida com grande repercussão na imprensa internacional que o considera embaixador da música instrumental brasileira..jpg)
Paulo Moura & Raphael Rabello
01. Ronda 02. Chorando baixinho 03. Domingo no Orfeão Portugal 04. Violão vadio 05. Morena boca de ouro 06. Tempos felizes 07. Um a zero 08. Tarde de chuva (Paulo Moura) 09. Luiza 10. Um chorinho em aldeia
Horondino José da Silva, o Dino 7 Cordas, violonista nascido no Rio de Janeiro, começou a tocar violão por causa do pai, músico amador, e dos irmãos, que tocavam cavaquinho e percussão. Entre 1952 e 53 Dino mandou fazer seu primeiro violão de 7 cordas, adicionando um bordão grave afinado em dó ao violão de 6 cordas, inspirado no instrumento do recém-falecido violonista Tute, que tocava no grupo de Pixinguinha. Desde então Dino não abandonou mais o 7 cordas, incorporando-o ao seu nome artístico e tornando-se a maior referência no instrumento, para o qual criou uma linguagem específica servindo de escola para todos os outros violonistas que empunham o instrumento desde então. É reverenciado por muitos músicos sobre sua virtuose e inventividade e por posicionar o violão de 7 cordas em lugar de destaque na nossa música. Acompanhou todos os grandes nomes da era do rádio e era figura constante em inúmeras gravações de samba e choro. Na década de 60, as gravações e shows escassearam por causa da ‘Jovem Guarda’, e Dino viu-se obrigado a tocar guitarra em conjuntos de bailes. Voltou na década de 70, gravando com cantores e cantoras de samba. Em 1991 gravou seu único disco, ao lado do pupilo Raphael Rabello. ‘Raphael Rabello & Dino 7 Cordas’ traz no repertório, clássicos do choro e do samba. Até os 88 anos de idade, quando morreu de pneumonia, continuou atuando, dando aulas e gravando, e não escondia a satisfação por ter sido o maior divulgador do instrumento. .jpg)
01. Conversa de Botequim 02. Jongo 03. Escovado 04. Alma de Violinos 05. Um a Zero 06. Odeon 07. Sons de Carrilhões 08. Segura Ele 09. Desvairada 10. Graúna 11. Sonho de Magia
terça-feira, 30 de março de 2010
pixinguinha

O compositor e arranjador Alfredo da Rocha Vianna, nascido em 1897, além de ser um virtuose como instrumentista, é considerado um dos fundadores da música moderna brasileira. Desde cedo, a música foi sua companheira. Quase todos da sua família eram musicistas, o pai era flautista, Henrique e Léo, dois irmãos, o ensinaram a tocar cavaquinho. Isso o levou a acompanhar o pai em bailes e eventos. Com 11 anos compôs em uma flautinha sua primeira peça, um choro. Tocando em festas e quermesses o garoto causava admiração. Foi então presenteado com uma flauta importada pelo orgulhoso pai. Aos 14 anos seu irmão Otávio, levou-o para tocar nos bares da Lapa, no Rio de Janeiro. Os boêmios ficaram encantados com a técnica do garoto. Sua fama crescia com ele. Certo dia, enquanto empinava pipa, recebeu um convite para substituir o flautista na Banda do Corpo de Bombeiros. Ele não perdeu a oportunidade e seu talento brilhou com intensidade. pixinguinha - ingênuo ‘Pixinguinha 70’, álbum lançado em homenagem ao aniversário de 70 anos de Pixinguinha. Foi gravado por Jacob do Bandolim; Radames Gnattali; ‘Conjunto Epoca de Ouro’ (Jacob do Bandolim no bandolim, Dino 7 Cordas no violão 7 cordas. Cesar Faria e Carlos Leite no violão, Jonas no cavaquinho, Gilberto na percussão); ‘Os Boêmios’ (Homero Gelmim no violino, Sandoval Dias no tenor sax, Eugenio Martins na flauta, Gabriel Henriques no baixo, Carlos Lentini e Artur Duarte no violão, Waldemar Melo no cavaquinho, Cabore na percussão); Trio de Flautas do Teatro Municipal (Carlos Rato, Eugenio Martins, Maria do Carmo); Orquestra do Teatro Municipal dirigida por Radames Gnattali Tracklist Este álbum faz o resgate da parceria antológica entre Benedito Lacerda e Pixinguinha, dois gênios de um dos gêneros musicais brasileiros mais reconhecidos em todo o mundo: o choro, popularmente chamado de chorinho, é um gênero musical, uma música popular e instrumental brasileira, com mais de 130 anos de existência. Os conjuntos que o executam são chamados de regionais e os músicos, compositores ou instrumentistas, são chamados de chorões. Surgiu provavelmente em meados de 1870, no Rio de Janeiro. O dia internacional do choro é dia 23 de Abril, dia do nascimento do Pixinguinha. O álbum é um apanhado de gravações de Benedito Lacerda e de Pixinguinha de 1948 até 1950. Benedito Lacerda e Pixinguinha (1966) Tracklist ‘Agô Pixinguinha’ é um projeto artístico do compositor, escritor e produtor Hermínio Bello de Carvalho. O lançamento foi uma justa homenagem a Pixinguinha. Nos dois CDs, grandes nomes reverenciam o mestre do chorinho no aniversário do seu centenário. Agô - Pixinguinha 100 Anos (2004) Tracklist CD 1: Sambando, Chorando Tracklist CD 2: Tocando, Tocando
Em 1919, o cinema era uma grande atração e havia no Rio de Janeiro, então capital federal, um elegante cinema chamado ‘Palais’ onde o público aguardava o início do filme ouvindo música. Pixinguinha e mais sete companheiros foram contratados para se apresentarem. Seriam conhecidos como os ‘Oito Batutas’, ele na flauta. A notoriedade ganhou amplitude e o grupo foi convidado a fazer excursões pelo país. E o preconceito se fez presente quando o grupo, em 1922, foi representar o Brasil em Paris. Os racistas esbravejaram com o fato do Brasil ser representado por um ‘bando de negros’. Pixinguinha foi aclamado pelo seu virtuosismo na flauta. Nessa excursão ele teve um maior contato com o saxofone, um símbolo das ‘jazz-bands’. Neste mesmo ano é lançada a composição ‘Carinhoso’, talvez a mais conhecida de Pixinguinha.
Os anos 40 foram duros para Pixinguinha, o mundo entrou em guerra, sua esposa adoeceu, o orçamento era escasso, e para complicar havia o vício da bebida. Em 1946 ele trocou a flauta pelo saxofone e uniu-se a Benedito Lacerda, exímio flautista e líder de um grupo que gerava lucro. Gravaram juntos 34 discos até o ano de 1950. Nos anos 50 gêneros como o bolero e o samba-canção foram ganhando terreno e a música de Pixinga e de Lacerda, perderam adeptos. Durante os anos 60, com o rock, a bossa nova, a Jovem Guarda e a Tropicália o ambiente ficou difícil para o trabalho do elegante Pixinguinha e seus mais de 50 anos de contribuições à música popular brasileira, empurrando-o para a aposentadoria. Apesar disso, em 1967, chegou a participar do II Festival Internacional da Canção com a música ‘Fala Baixinho’ interpretada por Ademilde Fonseca, classificando-se em 5ª posição. Em 1971 ele faz a gravação derradeira, o projeto ‘Som Pixinguinha’ de Hermínio Belo de Carvalho. No mesmo ano foi escolhido paraninfo da primeira turma de músicos da Universidade de Brasília. Em 1973, em pleno carnaval, o seu coração parou.
É muito difícil pensar em Pixinguinha de outra forma senão como gênio. A genialidade de Pixinguinha é reconhecida até por jovens roqueiros. Os gênios, afinal, são eternos. Em qual de suas atividades ele foi mais importante? Como maestro teve papel importantíssimo na música popular brasileira, nunca ergueu a voz, com gestos suaves e olhares, ele conseguia fazer com que aqueles sob sua batuta jamais emitissem uma nota fora de lugar. Como arranjador foi um mestre e um dos primeiros do Brasil. Ele e Radamés Gnattali eram os melhores arranjadores brasileiros da década de 30. O flautista Pixinguinha, citando Orestes Barbosa, era um ‘Pan negro entre ninfas assustadas’. Soprando sua flauta mágica encantava homens e mulheres que iam ouvi-lo nos cinemas e teatros onde tocava. Infelizmente, tudo o que sobrou da sua flauta está em velhos discos de 78 rotações por minuto, gravados em estúdios precários e microfones idem. Pixinguinha está entre os quatro maiores flautistas da música popular brasileira, os outros são Patápio Silva, Benedito Lacerda e Altamiro Carrilho.
Até hoje é um mistério os motivos que o levaram a aposentar a flauta, um instrumento de que gostava tanto e que tocava com magia de um Pan. Há muitas versões sobre a troca da flauta pelo sax, uma delas foi o abuso do álcool que tornou suas mãos trêmulas que o impediam de ter a mesma agilidade de antes. Uma outra versão tem Benedito Lacerda como vilão. Como Pixinquinha não conseguia mais nem gravar, Benedito Lacerda, - flautista, regente e compositor - lhe propôs parceria, mas com uma condição: que Pixinguinha nunca mais tocasse sua flauta. Benedito nunca escondeu a inveja do flautista Pixinguinha, que graças a ele, Benedito continuava sendo sempre o segundo melhor do Brasil e não o primeiro. Nos discos gravados, os solos de flauta de Benedito Lacerda são soberbos, mas o brilho dos solos do sax coadjuvante de Pixinguinha, Benedito Lacerda não conseguiu ofuscar. Por fim o compositor Pixinguinha, o mais genial de todos. Dizem que ele não sabia explicar como conseguia criar suas obras-primas. Falava delas como ‘coisinhas simples’, sem importância. Era sincero na modéstia. Era um gênio. .jpg)
01. Carinhoso 02. Uma Rosa para o Pixinguinha 03. Vou pra Casa 04. Os Cinco Companheiros 05. Lamento 06. Ingenuo 07. Passatempo 08. Gargalhada 09. Rosa 10. Marreco quer Agua 11. Pixinguinha.jpg)
01. André de Sapato Novo 02. Atraente 03. 1 X 0 04. Ainda Me Recordo 05. O Gato e o Canário 06. Naquele Tempo 07. Língua de Preto 08. Vou Vivendo 09. Devagar e Sempre 10. Displicente 11. Sofres Porque Queres 12. Soluços .jpg)
CD 1 CD 2
01. Carinhoso - Nana Caymmi
02. Mundo Melhor - Alcione
03. Rosa - Caetano Veloso
04. Lamentos - Chico Buarque, MPB-4
05. Fala Baixinho - Maria Bethânia
06. Cochichando - Zezé Gonzaga, Eduardo Dusek
07. Gavião Calçudo - Zeca Pagodinho
08. 1 X 0 (um a Zero) - Arranco de Varsóvia
09. Vou Vivendo - Cristina Buarque, Sérgio Ricardo
10. De Mal pra Pior - Paulinho da Viola
11. Página de Dor - Ney Matogrosso
12. Benguelê/yaô - João Bosco
13. Ingênuo - Simone, Baden Powell
14. Patrão, Prenda Seu Gado (com Depoimento de Pixinguinha) - Grupo Fundo de Quintal
01. Carinhoso - Tom Jobim
02. Rosa - Hermeto Pascoal
03. Tapa Buraco - R.Gnattali & Camerata Carioca
04. 1 X 0 (um a Zero) - Paulo Moura, Raphael Rabello
05. Ingênuo - Radamés Gnattali,Seu Sexteto
06. Naquele Tempo (ao Vivo) - Baden Powell
07. Marreco Quer Água - Camerata Carioca
08. Pula Sapo - Pixinguinha
09. Urubatan - Pixinguinha
10. O Gato e o Canário - Água de Moringa
11. Samba do Urubú - Pixinguinha
12. Lamentos - Conjunto Época De Ouro, Jacob Do Bandolim
13. Proezas de Solón - Conjunto Época De Ouro, Jacob Do Bandolim
14. Sofres Porque Queres - Conjunto Época De Ouro, Jacob Do Bandolim
15. Carinhoso - Orquestra Radamés Gnatalli
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
joão bosco
joão bosco - corsário Tracklist O Essencial de João Bosco (1999) Tracklist
João Bosco de Freitas Mucci nasceu no Estado de Minas Gerais, na cidade de Ponte Nova, região da Zona da Mata Mineira. Viveu sua infância em um ambiente musical. O bandolim, o piano, o canto e o violino faziam parte de seu cotidiano familiar. Aos quatro anos de idade cantava nas missas de sua paróquia. Aos 12 anos, ganhou seu primeiro violão. Em 1967 ingressou no curso de engenharia da Universidade de Ouro Preto. Por essa época teve seu interesse musical despertado e João Bosco conheceu o poeta Vinicius de Moraes, mas a parceria não decolou. Em 1970 conheceu o poeta carioca Aldir Blanc e tornaram-se parceiros em mais de uma centena de músicas. Formou-se como engenheiro civil em 1972.
João Bosco e Aldir Blanc foi, com certeza, uma das mais bem sucedidas parcerias da MPB. Lançados por Elis Regina, na década de 70, o engenheiro João e o psiquiatra Aldir formaram uma dupla imbatível de repórteres de uma época. João tentou Vinícius, Aldir compôs com Ivan Lins e Gonzaguinha, mas a cadência não batia. Apresentados por um amigo comum encontraram finalmente a combinação perfeita. A parceria foi montada por correspondência, Aldir mandava as letras para Ouro Preto, onde João fazia sua faculdade e, nas férias, juntavam-se para cantar, jogar sinuca e compor. Até que um dia Aldir mandou a letra de ‘Agnus Sei’ e a parceria se consolidou com uma gravação. O Brasil ouviu, e Elis gravou em 72. A genialidade da dupla está na perfeição de versos e melodias, na história do homem comum que tem sua glória estampada nos jornais, ou no cotidiano de casais, no terreiro de Candomblé, ou no bar da esquina.
joão bosco por joão bosco
Há uma suspeita de que a escassez de cabelos na cabeça influi na quantidade do sono. Enquanto isso meu nariz aponta para a linha do nada onde tudo se reparte em idéias, ilhas e continentes. Meus olhos confirmam tudo. A minha boca é toda ouvidos para o meu coração. Os meus ouvidos atentam para outras bocas. Amamentado pelo meu violão, moro na estrada. Sem saber quem sou e nem porque vim, eu vou. Da primeira vez que nasci, lá pelo ano de 1946, trouxe comigo uma grande alegria para o meu pai que até aquele momento contabilizava o feito de cinco moças e mais os olhares interrogativos e desconfiados da colônia árabe. Cresci em meio aos matagais, trilhas, mata-burro, veredas e grutas; descalço, tive os pés regulados para andar por esses caminhos ao som de pios de uma fauna alegre e ingênua; matuto, vivia contando estrelas, ouvindo carrilhões e sonhava muito. Quando os libaneses se reuniam em nossa casa, se entendiam naquela língua de quem gosta de montar em camelo. Eu achava aquilo meio estranho. Era como clamar no deserto.
Passei pela terra de Aleijadinho e o meu coração que até então era vadio, ficou barroco. Subi e desci ladeiras. Descobri que na vida existem mais hipóteses que teoremas. Supor é melhor que demonstrar e na dúvida mora a vontade de continuar. Foi assim que deixei a memória, o patrimônio de séculos construídos pelas mãos do homem, o calçamento em forma de pé-de-moleque, o silêncio das almas, o barulho interno de minha alma. Calcei os sapatos, peguei o trem e vim pra cá, onde as ruas são largas, retas e simétricas; as sirenes são cortantes e os pastores das almas são barulhentos. O vizinho não mora ao lado, as árvores são introvertidas e os pios das aves são intrigantes. Quando nasci da segunda vez, o meu coração bateu aflito. Mas logo que vi o mar, serenei, pois, tudo que havia existido voltou subitamente e volta sempre quando estou caminhando no calçadão que vai do Leblon ao Arpoador. Aí, o que foi e o que poderia vir a ser andam comigo, incluindo as sementes, o pão de queijo e a goiabada. Eu sou do signo de Câncer, por isso prefiro uma toca, entretanto aprendi a contrariar o meu signo várias vezes, por isso gosto tanto de viajar por esse mundo afora, só não consigo contrariar o meu signo de mineiro. Eu sei que esse deveria ser um retrato pintado ou desenhado, falado ou escrito do autor pelo próprio autor, mas quando se trata de revelar-me, prefiro assim, meio de lado, do jeito que a gente anda no samba, no lugar de frente ou verso. O amor é o meu dia de folga. Quem sabe de mim é o meu violão. .jpg)
01. Odilê Odilá 02. Holofotes 03. Papel machê 04. Granito 05. Quilombo/Tiro de misericórdia/ Escadas da Penha 06. Memória da pele 07. E então que quereis... ?/Corsário 08. Eleanor Rigby/Fita amarela/Trem bala .jpg)
parte I parte II
01. Linha de Passe 02. O ronco da cuíca 03. Latin lover 04. Dois prá lá, dois prá cá 05. De frente pro crime 06. Kid Cavaquinho 07. Quando o amor acontece 08. Miss Sueter 09. Incompatibilidade de gênios 10. Siri recheado e o cacete 11. Corsário 12. Papel Machê 13. Gênesis (Parto) 14. Escadas da Penha 15. Agnus Sei 16. O cavaleiro e os moinhos 17. A nível de... 18. Boca de sapo 19. O bêbado e a equilibrista 20. O rancho da goiabada
terça-feira, 3 de novembro de 2009
big allanbik
big allanbik - red hot kisses Blues Special Reserve (1993) | Black Coffee (1995) | Batuque y Blues (1998) Tracklist: Blues Special Reserve Tracklist: Black Coffee Tracklist: Batuque y Blues
Foi-se o tempo em que apenas o samba e a bossa nova eram exportados por brasileiros para o resto do mundo. Cada vez mais o blues tocado por aqui é conhecido além-mar, e tocar no exterior tornou-se uma necessidade primordial para um brasileiro que vive do blues e da boa música. Big Gilson, guitarrista contratado como ‘endorser’ das guitarras ‘Gibson’ e amplificadores ‘Fender’, foi um deles. Na estrada desde os quinze anos, em 1992, com os amigos Alan Ghreen, pianista que já gravou com B.B.King; Ugo Perrotta, baixista; Beto Werther, baterista e Ricardo Werther apontado pelo público e crítica como o melhor vocalista brasileiro do gênero, formaram a extinta banda ‘Big Allanbik’ considerada como uma das maiores bandas de blues do país e lançaram o primeiro álbum ‘Blues Special Reserve’, masterizado e prensado nos EUA em 1993, causando furor no cenário do blues nacional que já contava com o grupo ‘Blues Etílicos’ também do Rio de Janeiro. Foram lançados mais três álbuns: em 1994 ‘Black Coffee’, ‘Batuque y Blues’, um misto de percussão brasileira, rock clássico e blues em 1996, e ‘Destilado ao Vivo Vol.1’, em 2000. O ‘Big Allanbik’, em 1996, embarcou para os EUA, tornando-se a primeira banda de blues brasileira a fazer uma turnê neste país, foi pioneira ao tocar no famoso ‘The Blue Note’, de Nova Iorque, onde são raras as vezes que se abre espaço para o blues, uma vez que a casa é especializada em jazz, e no ‘Tobacco Road’ em Miami.
01. Red hot kisses (Rice Miller) 02. I feel so good (Big Bill Broonzy) 03. Down and out (Levi Branches, Big Allanbik) 04. Big fat woman (Levi Branches, Big Allanbik) 05. Afternoon (Big Allanbik) 06. Where's Yvone (Levi Branches, Big Allanbik) 07. Clouds [Tribute to Roy Buchanan] (Big Allanbik) 08. One more drag to you (Levi Branches, Big Allanbik) 09. Fore day rider (Jay McShann, Walter Brown) 10. The bed is shakin' / La canja (Big Allanbik) 11. A fool for your stockings (Gibbons, Hill, Beard)
01. My first wife left me 02. Down to the city 03. Pack it up 04. Snapshots of memories 05. Reap what I've sowed 06. A doggone day 07. Rio de Janeiro 08. Going down 09. Can you get another man? 10. Outta town 11. Roll'em Pete 12. Times does tell 13. Black coffe
01. Gully Low blues 02. My babe 03. I just wanna make love to you 04. Let It Loose 05. Jessica 06. Fare 07. Let the good times roll 08. Blues for Douglaston 09. Seventh son 10. Evil 11. Stormy monday
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
celso blues boy
celso blues boys - blues motel Tracklist Novo Millennium (2005) Tracklist
Como músico profissional Celso Ricardo Furtado de Carvalho, instrumentista, cantor e compositor brasileiro, do Rio de Janeiro, escolheu para seu nome artístico o Blues Boy em homenagem a Blues Boy King, ou simplesmente, B.B. King, que para Celso funciona como um ponto de referência, assim como Eric Clapton, seu ídolo, entra como ponto de equilíbrio e Hendrix como desabafo. Nascido no Rio de Janeiro, morou em Blumenau, Santa Catarina, dos 6 aos 14 anos. Começou a estudar guitarra com o pai, aos 14 anos de idade. Sua irmã, pianista, foi uma das primeiras pessoas para quem fez acompanhamento. Um de seus tios, grande conhecedor de rock e blues, foi quem o encaminhou para esses estilos. Tocou em vários grupos e bailes na cidade, insatisfeito deixou a família e passou a viajar pelo país. Aos 17 anos, iniciou a sua carreira acompanhando Raul Seixas com quem gravou a faixa 'O diabo é o pai do rock', e atuando também com a dupla Sá e Guarabira, Luiz Melodia e ‘Renato e seus Blue Caps’.
Em 1973 fundou o grupo de blues-hard-rock ‘Legião Estrangeira’ e em 1976 o ‘Aero Blues’. Em 1980 iniciou sua carreira solo, um ano depois desistiu e retomou a carreira em 1982, na coletânea ‘Rock Voador’ com grupos que tocavam na sala de espetáculo do ‘Circo Voador’. Lançou um compacto simples, hoje chamado ‘single’, com as músicas ‘Fugindo de mim’ e ‘Sinto Tanta Saudade’ e participou do filme ‘Bete Balanço’ e na sua trilha sonora com a canção ‘Blues Motel’. Retornou ao cinema em 1985 participando da trilha sonora do filme ‘Tropclip’ cantando ‘Tempos Difíceis’. Com um talento único na guitarra, voz rouca e composições diferentes do que se ouvia na época, Celso Blues Boy tornou-se uma grande estrela da mídia e do rádio. Lançou na década de 1990 a grife ‘Blues Boy’ com óculos escuros e paletas para guitarra e baixo. Em 1995 participou do ‘Festival de Montreux’ na Suíça com B.B. King e Wilson Pichet. Neste mesmo ano gravou o álbum ‘Indiana Blues’ com a participação de B.B. King.
Paulo Celso da Silva, doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP), observando e, principalmente, ouvindo o blues produzido na América do Norte concluiu que a temática das canções, assim como as palavras-tema e palavras-chave são, evidentemente, distintas daquelas ouvidas no Brasil. A dificuldade dos músicos neste estilo por aqui é muito grande, é uma carga muito pesada ser um bluesman branco por aqui, apesar de ser, ao mesmo tempo e tanto quanto o rock, um estilo musical universal. A classe média branca brasileira, na qual Celso Blues Boy se desenvolveu, não poderia, e talvez nem deva, aventurar-se pelos temas que deram origem ao blues, o sofrimento de um povo lutando para garantir um mínimo de dignidade em uma sociedade com uma parcela de sua população conservadora e racista, como a encontrada pelos músicos norte-americanos. O blues, música de resistência em sua forma, temas, modo de tocar/cantar e no contexto em que se desenvolveu, demonstra que estética e ética andam juntas e não devem ser analisadas e refletidas individualmente.
Analisando também a temática de Celso Blues Boy em seus álbuns lançados nos últimos vinte anos, observou que, para o primeiro disco ‘Som na Guitarra’ de 1984, a opção foi para guitarras, cigarros e bebidas, o próprio blues, temas sociais e amor. Tendo como carro chefe a canção ‘Aumenta que isso aí é Rock and Roll’, naquele ano, sucesso nas rádios cariocas. No encarte do álbum Celso Blues Boy explica: ‘Não esperem de mim mais um disco pasteurizado. Este primeiro procura retratar o sabor existencial de uma geração que luta pela verdade, no amor, nas artes, no destino do mundo. Este disco é um pedaço de mim, de minha arte. Uma forma de participar com uma cota de verdade de tudo que está acontecendo por aí’. Em ‘Marginal Blues’, segundo disco, a parceria com Cazuza, então conhecido letrista e cantor do grupo ‘Barão Vermelho’, tem a canção ‘Marginal’ abrindo o LP com uma temática social, contudo a predominância é o amor. ‘Blues Forever’ de 1988 e ‘Vivo’ de 1991 são álbuns de covers e hits, respectivamente. Destacando em ‘Blues Forever’ uma seleção que começa com Willie Dixon passando por Lennon & McCartney, Stones, Bob Dylan e terminando com J.J. Cale, demonstrando o ecletismo e as possibilidades da interpretação no estilo blues do músico. .jpg)
01. Built For Comfort 02. We Can Work It Out 03. It's Too Late 04. I Can't Stop Loving You 05. Sittin' On The Dock Of The Bay 06. Just Like A Woman 07. Woke Up This Morning 08. Honk Tonk Women 09. After Midnight.jpg)
(coletânea)
01. Aumenta que Isso Aí é Rock and Roll 02. Sempre Brilhar 03. Tempos Difíceis 04. Marginal 05. Quem Entende 06. Vem Buscar o que sobrou 07. Fumando na Escuridão 08. Só Resta um Blues 09. Rock Fora da Lei 10. Amor Vazio 11. Não me Espere 12. Atrás do Tempo Perdido 13. Me Diga o que é o Amor 14. Damas da Noite 15. Brilho da Noite 16. A Isso Chamam Blues 17. Deixe Tudo Amanhecer 18. Blues Motel 19. Sem Ninguém 20. D-Natural Blues (instrumental)
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
flávio guimarães
post relacionado flávio guimarães - telephone blues participações: Tracklist Tracklist Tracklist Flávio Guimarães & Prado Blues Band (2006) Tracklist
blues etílicos
Com mais de 20 anos de carreira, Flávio Guimarães é gaitista, cantor e pioneiro do blues no Brasil. Produziu cinco álbuns próprios e dez com o ‘Blues Etílicos’, banda de blues brasileira da qual foi fundador. Começou a tocar a gaita cromática, depois ouvindo discos do Muddy Waters, do Johnny Winter e outros sua curiosidade foi aguçada para saber qual gaita era aquela que tinha o som diferente. Como no Brasil, em 83, era difícil encontrar alguém tocando gaita, Flávio levou um tempo para descobrir que a gaita que ele ouvia nos discos era a diatônica também chamada de ‘gaita de tom’ e usada no blues. As cromáticas e as diatônicas são diferentes tanto em suas características técnicas quanto em sua sonoridade. Foi essa descoberta que o levou a comprar uma gaita diatônica, a tentar soprar, a tentar aprender, até que foi desenvolvendo sozinho, como autodidata, já que, naquela época, também não tinha professor para esse instrumento.
Com o passar do tempo teve contato com o ‘Sugar Blue’, que veio ao Brasil na banda do Buddy Guy. E nesse contato, Buddy Guy o aconselhou a ir pra Chicago. E Chicago fervia no anos 80 com Billy Branch, ‘Sugar Blue’, James Cotto, Junior Wells, além dos guitarristas Loonie Brooks, Son Seals e Buddy Guy. Em Chicago, Flávio acabou tendo aulas com o 'Sugar Blue' e com o Howard Levy. Na gaita diatônica, pelo conjunto de sua obra e por seu pioneirismo, Flávio se tornou a principal referência desse instrumento no Brasil. Gravou como participante em diversos álbuns de diversos artistas. Charlie Musselwhite, Howard Levy e 'Sugar Blue' foram convidados especiais em seus álbuns. Foi escolhido para abrir os shows de B.B. King no Brasil, em 1999 e 2004 e para Robert Cray, além de compartilhar o palco com algumas lendas vivas do blues, como Buddy Guy e Taj Mahal. Já realizou shows em todo Brasil, Argentina, Estados Unidos e Europa. Sua gaita pode ser ouvida em trilhas sonoras para cinema, TV e comerciais. Foi influenciado por Little Walter, Big Walter Horton, William Clarke, Rod Piazza, Charlie Musselwhite e segue influenciando toda uma geração de gaitistas brasileiros, ensinando e divulgando essa linguagem musical através de vídeos-aulas, workshops e festivais que produz. Flávio Guimarães é endorser da mais antiga e conceituada fábrica de gaitas do mundo, a ‘Hohner Harmonicas’.
Ouvinte e colecionador de jazz, mesmo não sendo um músico de jazz, é influenciado por ele na maneira de tocar, no fraseado, pendendo para o blues jazzístico, influenciado pelo saxofone de John Coltrane. No seu primeiro álbum solo ‘Little Blues’, tocando com músicos que conheciam a linguagem do jazz, Flávio acabou flertando com um jazz mais simples, mais melódico, um jazz menos complexo. O álbum com a banda de São Paulo ‘Prado Blues Band’ é uma mistura de blues com swing e jazz. Formada por Yuri Prado na bateria, Igor Prado na guitarra e voz, Ivan Marcio na harmônica e voz e Marcos Klis no baixo, a banda toca no estilo ‘jump blues’..jpg)
Sugar Blue, Paulo Moura, Ed Motta, Mauro Senise, Roberto Frejat, George Israel, Maurício Gaetani, Rodrigo, Rildo Hora
01. Telephone blues 02. Take five 03. Blues jam for Charlie 04. Honest I do 05. Blue Stu 06. Free delay 07. Hoochie coochie man 08. Sick and tired 09. Surfing 10. Baby please don't go 11. Hand jive 12. Na baixa do sapateiro 13. Tin sandwich swing 14. Russo's blues 15. Blues pra Márcia.jpg)
01. Keep It To Yourself 02. Berimbau Não É Gaita 03. You Was Wrong 04. Checkin' On My Baby 05. On The Loose 06. Baby What You Want Me To Do 07. Boogie Pro Rafa 08. Jam For Big Walter 09. Blowin' The Family's Jewels 10. Rock With Me 11. Tributo A William Clarke.jpg)
01. Cão Comendo Mariola 02. Não Para! 03. Pinote 04. Maracagroove 05. Menina Mulher da Pele Preta 06. Balada de Robert Johnson 07. A Formiga e a Sauva 08. Mãe dos Vícios 09. Caba Véi 10. S Dobrado 11. Estrela da Noite 12. Boomerang
parte I parte II
01. May Be Wrong 02. Missing Mr. Clarke 03. T-Bone Shuffle 04. Riding with Ray 05. Please Send Her Home to Me 06. Tin Pan Alley 07. George's Boogie 08. Lazy Thing 09. Below's Shuffle 10. Swing Me Baby 11. Put The Kettle On 12. Going Home Tomorrow 13. Boogie do Cauê 14. Louise
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