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domingo, 29 de maio de 2011

cecilia bartoli

cecilia bartoliNo cenário da ópera, são poucas as vozes verdadeiramente reconhecíveis. Luciano Pavarotti era uma delas. Cecilia Bartoli é outra. A mezzo-soprano italiana é a grande cantora rossiniana e mozartiana do momento. O seu admirável virtuosismo triunfou também na ópera barroca, sobretudo em Vivaldi e Haendel. A sua interpretação de ‘La Cenerentola’ de Rossini é considerada como um dos clássicos modernos da ópera. Ao longo de mais de duas décadas, Cecília permaneceu como uma referência da música erudita. Por todo o mundo, os seus novos desempenhos, os seus programas de concerto e suas gravações, exclusivas da editora Decca, são aguardados com expectativas. Depois de lançados são excepcionais os números de vendidos, numerosos são os discos de ouro e também são numerosas as premiações: quatro Grammys (EUA), sete Echos e um Bambi (Alemanha), dois Classical Brit Awards (Reino Unidio), Victoire de la Musique (França) e muitos outros. Cecília aproxima a música erudita do grande público e contribui para a redescoberta de compositores negligenciados e repertório esquecido.

Maestros como Herbert von Karajan, Daniel Barenboim e Nikolaus Harnoncourt notaram o grande talento de Cecília assim que ela concluiu os estudos de canto com os pais em Roma, sua cidade natal. Desde então, Cecília tem trabalhado com grandes maestros, pianistas e orquestras de instrumentos de época e canta nas principais salas de concerto da Europa, dos EUA e do Japão e nos mais prestigiados palcos de ópera e festivais. Para além do reconhecimento popular e da crítica, Cecília coleciona inúmeras distinções institucionais, tais como o grau de ‘Cavalieri’, atribuído pelo governo italiano ou o título de ‘Chevalier des Arts et des Lettres’, pelo governo francês. E foi nomeada ‘accademico effettivo’ da ‘Academia de Santa Cecília’ de Roma e membro honorário da ‘Royal Academy of Music’ de Londres.

    

Nascida em 1966, Cecilia Bartoli herdou dos pais, Silvana Bazzonni e Angelo Bartoli, intérpretes líricos, o interesse pelo bel canto. E os estudos no Conservatório de Santa Cecilia fizeram dela uma das vozes mais expressivas e poderosas. Mais do que isso, o repertório é escolhido através de sua incansável pesquisa e os projetos orientados por um tema. Ela transforma cada CD em projeto de marketing. Por isso é o maior best-seller de discos clássicos do planeta. Em ‘Maria’, um tributo à célebre soprano Maria Malibran, além de gravar as suas árias montou um trailer que percorreu a Europa e deixou-se fotografar com roupas e adereços da lendária cantora. Transformou ‘Sacrificium’, CD dedicado aos ‘castrati’, em algo atualíssimo. Nele, ela gravou, pela primeira vez, 11 árias de compositores italianos desconhecidos. São árias mais complexas e difíceis para a voz feminina. Tinha tudo para dar errado. Mas Cecília, nas entrevistas enfatizava sempre a atualidade do sofrimento dos 'castrati'. Nápoles era uma fábrica de ‘castratis’, castrava anualmente 4 mil crianças e fornecia andróginos sopranos e contraltos para as cortes de toda a Europa. E Cecília Bartoli foi capaz de enfrentar este repertório impossível de ser cantado por uma mulher. Um mês antes do lançamento, ‘Sacrificium’ já era um dos dez mais vendidos do site Amazon. Cecilia Bartoli é uma artista genial capaz de produzir música de altíssima qualidade.

cecilia bartoli - usignolo sventurato


Em ‘Maria’, Cecília Bartoli evoca Maria Malibran, uma das maiores cantoras da história. Tendo falecido com apenas 28 anos por consequências de uma queda de cavalo, e não deixando nenhum registro sonoro tornou-se um mito e seu nome resisti ao passar dos séculos. É um daqueles seres que a humanidade não se resigna a esquecer, como se expressou o escritor e poeta Jorge Luis Borges em uma nota musical. Era considerada também uma atriz particularmente convincente e emocionante nos palcos e dona de uma personalidade magnética que atraía a platéia onde cantasse. Sobre sua atuação no palco e presença, a novelista George Sand disse após vê-la: ‘Ela me fez chorar, estremecer - em uma palavra, sofrer -, como se eu tivesse testemunhado uma cena da vida real. Essa mulher é o principal gênio da Europa, tão bonita quanto uma das Virgens de Rafael, simples, vigorosa e sem afetações’. O mito em torno de Maria Malibran também deriva de seus múltiplos talentos e grande energia, além da sua personalidade intrigante e forte, beleza e comportamento incomum para a época, o que aumentou a sua aura de lenda da ópera.

maria malibranMaria Malibran, nascida María Felicia García Sitches foi uma cantora lírica (mezzosoprano) francesa, mas de ascendência espanhola, que se tornou a diva mais famosa, ainda atualmente, da primeira metade do século XIX e pertencia à talentosa família musical dos García, da qual fez parte a também célebre cantora, e sua irmã, Pauline Viardot-García. Maria Malibran cantou uma protagonista de ópera pela primeira vez aos 17 anos, em 1825, em Londres, como Rosina de ‘O Barbeiro de Sevilha’, substituindo outra célebre cantora da época, Giuditta Pasta. Durante sua curta carreira, cantou e se radicou freqüentemente na Inglaterra. Apesar dos vários elogios de compositores e artistas da época, alguns a acusavam de não ter classe e refinamento e de tentar agradar às massas que não têm gosto artístico nenhum.

Em 2007, a mezzosoprano italiana Cecilia Bartoli lançou o álbum intitulado 'Maria', em homenagem à também mezzosoprano franco-espanhola, iniciando também uma turnê em vários locais do mundo acompanhada de um museu móvel com pertences de Maria Malibran e informações sobre ela, o que atraiu nova atenção para essa legendária diva. Em ‘Maria’ encontram-se algumas das peças interpretadas durante o período de 1825 a 1936 por Maria Malibran em Londres, casos de ‘La Sonnambula’ de Bellinni, ‘Air à La Tirolienne avec Variations’ de Hummel, uma versão de ‘Infelice’ de Mendelssohn ou, ainda, ‘La Figlia Dell'aria’, de El Poeta Calculista, apelido do famosíssimo tenor e professor Manuel Garcia, pai de Maria Malibran, conhecido pela dureza com que comandou o aprendizado de canto da filha. Maria Malibran é recordada por Cecilia Bartoli, acompanhada pela Orchestra La Scintilla, dirigida por Adam Fisher.

cecilia bartoli - maria (2006)

Maria (2006)
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Tracklist
01. Irene: Se un mio desir...Cedi al duol
02. Irene: Ira del ciel
03. Ines de Castro: Cari Giorni
04. Infelice, Op. 94
05. El poeta calculista: Yo que soy contrabandista
06. La sonnambula: Ah! Non credea mirarti
07. La sonnambula: Ah! Non giunge
08. Air à la tirolienne, Op. 118
09. La figlia dell'aria: E non lo vedo...Son Regina
10. Rataplan
11. Tancredi: Dopo tante e tante pene
12. I Puritani: O Rendetemi la speme...Qui la voce
13. I Puritani: Vien, diletto
14. L'éclair: Come dolce a me favelli
15. Amelia: Scorrete, o lagrime
16. L'elisir d'amore: Prendi, per me sei libero
17. Norma: Casta diva

‘Opera Proibita’ é um projeto que traz canções religiosas proibidas para mulheres. Cecilia Bartoli cantando repertório pouco conhecido da época barroca faz-se acompanhar por uma orquestra de câmara que utiliza instrumentos de época, ‘Les Musiciens du Louvre’ de Grenoble, fundada em 1982 pelo fagotista e temível maestro Marc Minkowski e considerada como uma das melhores da música barroca e clássica na França. Em ‘Opera Proibita’, Cecília incluiu árias de Alessandro Scarlatti, Antonio Caldara e George Frideric Händel, do século XVIII, época em que a Santa Sé proibiu qualquer representação de óperas em Roma devido à sua suposta promoção de comportamento lascivo e libidinoso na sociedade italiana. Contudo, esse gênero era apresentado em salões para a audiência de príncipes e cardeais, sob a forma de oratórios, uma grande composição musical, que como na ópera, incluía orquestra, coro e solistas, mas sem qualquer interação entre os personagens, e sem adereços e trajes. Os oratórios tornaram-se populares e a principal escolha para o público da ópera. Outra característica desta época era a proibição, também pela Santa Sé, das mulheres atuarem em palco, sendo substituídas pelos ‘castrati’.

cecilia bartoli em opera proibita

Cecilia Bartoli Cecilia Bartoli acompanhada por ‘Les Musiciens du Louvre’

Foi esse período, de truculência religiosa na sua cidade natal, que Cecília enaltece neste disco. As árias são estupendas como em ‘Un Pensiero Nemico di Pace’, escrita por um jovem Händel, então com dezenove anos de idade, ‘All’arme Sì Accesi Guerrieri’, de Alessandro Scarlatti, considerado o pai da escola napolitana de ópera, ou ‘Sì Piangete Pupille Dolenti’, de Antonio Caldara, compositor de óperas, cantatas e oratórios, e importante influência, raramente reconhecida, em Haydn e Mozart. O ponto de ‘Opera Proibita’ é a paixão, a paixão reprimida pela proibição da performance teatral em Roma. E os compositores eram obrigados a encontrar nos oratórios a intensidade operática e a música soa mais secular do que sagrada. Embora Cecília não seja considerada uma especialista, em ‘Opera Proibita’ ela encontrou um lugar como intérprete da música antiga. Com uma mistura de piedade e drama sua voz interage com os oboés em sintonia. Ouvir ‘Opera Proibita’ é imensamente gratificante para qualquer ouvinte que aprecia a voz humana como instrumento.

cecilia bartoli - opera proibita (2005)

Opera Proibita (2005)
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Tracklist
01. Alessandro Scarlatti - All’arme si accesi guerrieri
02. Alessandro Scarlatti - Mentre io godo
03. Georg Friedrich Haendel - Un pensiero nemico di pace
04. Antonio Caldara - Vanne pentita a piangere
05. Antonio Caldara - Sparga il senso lascivo veleno
06. Alessandro Scarlatti - Caldo Sangue
07. Georg Friedrich Haendel - Come nembo che fugge col vento
08. Alessandro Scarlatti - Ecco negl’orti tuoi...Che dolce simpatia
09. Alessandro Scarlatti - Qui resta...L’alta Roma
10. Georg Friedrich Haendel - Lascia la spina cogli la rosa
11. Alessandro Scarlatti – Ahi! qual cordoglio...Doppio affetto
12. Antonio Caldara - Si piangete pupille dolente
13. Antonio Caldara - Ahi quanto cieco...Come foco allo splendore
14. Georg Friedrich Haendel - Disserratevi oh porte d’Averno
15. Georg Friedrich Haendel - Notte funesta...Ferma l’ali

‘Sacrificium’ é um disco dedicado ao repertório dos ‘castrati’, cantores que sofriam mutilação para que sua voz se conservasse aguda. Os ‘castrati’ representam um episódio lamentável da história da música e mais uma da Igreja. A palavra designa os cantores que, na infância, tinham os testículos removidos. Para que? Para que não ocorressem as mudanças hormonais que tornam a voz grossa. Por quê? Os ‘castrati’ eram destinados aos corais das igrejas católicas devido às interdições religiosas que impediam as mulheres de cantar. O auge dessa prática ignóbil se deu na Itália, na segunda metade do século XVIII. Nas óperas, os ‘castrati’ desempenhavam tanto personagens masculinos quanto femininos. Os notáveis da música barroca valeram-se desses cantores. Nicola Porpora (1686-1768), professor de Haydn, um dos mais importantes compositores do período clássico, foi instrutor de ‘castrati’, dono de uma fábrica de máquinas cantantes. O alemão George Handel (1685-1759) escreveu o papel-título de sua ópera Giulio Cesare para o castrato Senesino. Em 1870, a igreja católica proibiu a castração para fins artísticos, e oito anos depois o papa Leão XIII baniu os ‘castrati’ dos coros das igrejas, embora Alessandro Moreschi, tido como o último castrato, tenha permanecido no coro da Capela Sistina até 1913.

O repertório desses cantores de potência única foi revisado por uma mulher, Cecilia Bartoli. ‘Sacrificium’ é inteiramente dedicado aos ‘castrati’. Uma história estarrecedora. Boa parte dos castrati é originária de Nápoles, no sul da Itália, e segundo estimativas, nesse tempo, mutilavam-se 4.000 meninos por ano. Os meninos vinham da rua ou de famílias muito pobres e eram enviados para conservatórios mantidos pela Igreja, nos quais tinham aulas de canto, música e literatura. O mais famoso entre os castrati foi Carlo Broschi (1705-1782), também conhecido como Farinelli (leia mais...). Aluno de Porpora, cantou para monarcas como Luís XV, da França, e Felipe V, da Espanha. O rei espanhol, aliás, recorreu aos serviços de Farinelli para tratar sua depressão crônica. O castrato cantou para Felipe todas as noites, durante dez anos. Mas foram poucos os que chegaram às cortes. Um cantor competente poderia arranjar emprego nos corais de igreja e nas casas de ópera da Europa. Muitos, porém, não vingavam na carreira musical e acabavam ganhando a vida na prostituição. Exagero ou não, a cantora vê alguns paralelos desse tipo de sacrifício no século XX. Compara a mutilação dos ‘castrati’ às fábricas atuais de modelos anoréxicas e também lembra Michael Jackson, uma vítima de si mesmo. Mutilou a sua pele, e com todas as plásticas desfigurou o seu rosto.

cecilia bartoli na ópera sacrificium

Cecilia Bartoli acompanhada pelo grupo ‘Il Giardino Armonico’ em ‘Sacrificium’

A voz de um castrato combinava versatilidade e potência e os compositores do período exploraram essas possibilidades em peças que apresentam dificuldades para uma cantora. Cecilia sabe das suas limitações, sabe que não tem uma grande voz, mas uma voz maravilhosa, que usa com sabedoria. Jamais cantaria uma ópera de Wagner, porque sabe que não tem tanto alcance, ela mesma reconhece. No entanto, é perfeita nos desafios do repertório dos ‘castrati’, como se pode constatar nas árias ‘Cadrò, Ma Qual Si Mira’, de Francesco Araia, ou ‘Usignolo Sventurato’, de Porpora, na qual ela imita o canto de um rouxinol. O projeto ‘Sacrificium’ nasceu durante as gravações de um dos últimos discos da cantora, ‘Opera Proibita’, que trazia canções religiosas proibidas para mulheres. Cecilia resolveu pesquisar a vida dos jovens castrados que interpretavam essas peças. Segundo a meio-soprano, foi chocante saber do sofrimento desses meninos e encontrar forças para interpretar essas canções. A edição de luxo de ‘Sacrificium’ vem acompanhada de um CD-bônus e de um livro com a biografia dos principais ‘castrati’. Quando lançado pela gravadora Decca nos Estados Unidos e na Europa, ‘Sacrificium’ teve milhares de cópias vendidas. Um êxito inimaginável para os pobres mutilados do século XVIII. (fonte: Revista Veja)

cecilia bartoli - sacrificium (2009)

Sacrificium (2009)

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CD 1    CD 2
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CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Come nave in mezzo all'onde [Siface] from Act II of Siface
02. Profezie, di me diceste [Sedecia] from Sedecia
03. Cadrò, ma qual si mira [Demetrio] from Berenice
04. Parto, ti lascio, o cara [Arminio] from Act II of Germanico in Germania
05. Usignolo sventurato [Siface] from Act II of Siface
06. Misero pargoletto [Timante] from Act III of Demofoonte
07. In braccio a mille furie [Mirteo] from Act III of Semiramide riconosciuta
08. Qual farfalla [Decio] from Act II of Zenobia in Palmira
09. Nobil onda [Adelaide] from Adelaide
10. Deh, tu bel Dio d'amore...Ov`è il mio bene? [Farnaspe] from Act II of Adriano in Siria
11. Chi temea Giove regnant [Berenice] from Farnac
12. Quel buon pastor son io [Abel] from Act I of La Morte d'Abel

Tracklist CD 2
01. Son qual nave [Arbace] from Act III of Artaserse (Pasticcio)
02. Ombra mai fu [Serse] from Act I of Serse
03. Sposa, non mi conosci [Epitide] from Act III of Merope

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

vanessa-mae

vanessa-maeVanessa-Mae queria ser pianista, com sete anos chegou a ganhar uma competição de prestígio, o ‘British Young Pianist of the Year’, o único em que ela participou, mas como seu professor era muito chato foi se desinteressando do instrumento. Desistiu da carreira de pianista e concentrou-se no violino. Convidada pelo professor Lin-Yao-Ji, Vanessa, na época com oito anos de idade, viajou para um conservatório em Pequim para prosseguir a formação e ser ensinada pelo maestro de acordo com os métodos desenvolvidos por professores russos. O curso foi inicialmente previsto para três anos, Vanessa, no entanto, terminou-o em poucos meses, assimilando todas as sugestões recebidas de seus professores, e voltou para a Europa para receber formação complementar. Com nove anos começou a desenvolver suas próprias interpretações para os concertos de Mozart. Aos dez anos tocou com a ‘Royal Philharmonic Orchestra’, em Londres, sendo a solista mais jovem da história a tocar Bach, Mozart e Kabalevsky. Com onze anos passou nos exames de admissão para um curso de um ano no ‘Royal College of Music’, onde, anos mais tarde, tornou-se a única na história da academia a receber o diploma de profissional. Em 1991, o mundo celebrou o 200º aniversário da morte de Mozart, Vanessa então com 12 anos, e em sua primeira tournê internacional, executou Mozart, juntamente com a ‘London Mozart Players’. Nesta época já tinha três álbuns em sua discografia: dois deles contendo repertório clássico, e o terceiro que variava entre Bach, Tchaykovsky, Gershwin e Beatles.

Nascida em Singapura, filha da senhora Tan Soei Luang, uma pianista clássica e advogada nascida na China e de um empresário hoteleiro tailandês Vorapong Vanakorn, Vanessa-Mae foi batizada com o nome de Chen Mei Vanakorn. Após a separação dos seus pais, a sua mãe casou com o inglês Graham Nicholson e Vanessa mudou-se, aos quatro anos, para Londres. Ao entrar na adolescência Vanessa-Mae rompeu com a influência que tinha dos pais e começou a compor e a interpretar música pop. A mudança de estilo musical foi uma sugestão do seu empresário. Com 16 ans tornou-se mundialmente conhecida com o sucesso do álbum ‘The Violin Player’ em 1995, e por sua aparência e estilo sensual e glamorosa. O tipo de música que ela faz é criação dela, Vanessa mistura referências clássicas para compor e tocar música pop e, muitas vezes, seu instrumento soa como guitarra. Tanto interpreta os concertos de Beethoven como o ‘Yellow Submarine’ dos Beatles. Atualmente, Vanessa dedica-se a misturar gêneros como o acid-jazz, o pop e o rock. Alguns críticos dizem que as suas habilidades técnicas e musicais são rudimentares e que ela é apenas um produto típico da indústria da música ao tentar usar o sex appeal para vender música clássica comercializada. Outros acham que ela banalizou a música erudita. Em 2006, Vanessa-Mae foi classificada como a jovem artista mais rica no Reino Unido na lista dos ricos do jornal ‘Sunday Times’.

vanessa-mae - partita n.3 in E, I preludio (bach)


vanessa mae - the best of vanessa  mae (2003)

The Best of Vanessa Mae (2002)

Tracklist
01. Art Of War 02. Toccata And Fugue In D Minor 03. Destiny 04. Nessun Dorma 05. I’m A 06. Storm 07. I Feel Love 08. Back Street Prelude 09. Auaora 10. The Orginal Winter 11. Contradanza 12. White Bird 13. The Orginal Summer 14. Happy Valley 15. Devils Trill 16. Solance 17. Yantra 18. Restore

vanessa mae - the platinum collection (2007)

The Platinum Collection (2007)
CD 1: parte I    parte II
CD 2    CD 3

Tracklist: CD 1
01. Toccata and Fugue in D minor 02. Contradanza 03. Classical Gas 04. Theme from ‘Caravans’ 05. Warm Air 06. Jazz Will Eat Itself 07. Widescreen 08. Tequila Mockingbird 09. City Theme 10. Red Hot

Tracklist CD 2
01. Summer Haze 02. Storm 03. Retro 04. Bach Street Prelude 05. Leyenda 06. (I) Can, Can (You) 07. Happy Valley 08. A Poet’s Quest (For A Distant Paradise) 09. Embrasse Moi (You Fly Me Up) 10. Aurora 11. I’m A Doun 12. I Feel Love 13. Hocus Pocus 14. The Blessed Spirits

Tracklist CD 3
01. Bach – Partita No3 in E, I Preludio
02. Bach – Partita No3 in E, II Loure
03. Bach – Partita No3 in E, III Gavotte En Rondeau
04. Bach – Partita No3 in E, IV Menuet I
05. Bach – Partita No3 in E, V Menuet II
06. Bach – Partita No3 in E, VI Bourree
07. Bach – Partita No3 in E, VII Gigue
08. Brahms – Scherzo in C Minor
09. Beethoven – Romance No 2 in F
10. Bruch – Scottish Fantasy, Introduction Grave
11. Bruch – Scottish Fantasy, Adagio Cantabile
12. Bruch – Scottish Fantasy, Allegro
13. Bruch – Scottish Fantasy, Adagio
14. Bruch – Scottish Fantasy, Andante Sostenuto
15. Bruch – Scottish Fantasy, Finale
16. I’m A-Doun For Lack O’Johnnie (A Little Scottish Fantasy)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

tchaikovsky - preconceito e desilusão

TchaikovskyPiotr Ilyitch Tchaikovsky, o compositor russo mais conhecido do planeta era homossexual, sofreu com o preconceito de contemporâneos e com inúmeras desilusões amorosas. A difícil experiência de vida foi a grande responsável por sua música, altamente emotiva, dramática e carregada de sentimentos. Tchaikovsky nasceu em 1840, na cidade russa de Votkinsk. Um dos seis filhos de uma família de classe média russa, e que teve as primeiras impressões musicais com as canções populares cantadas pela mãe a quem adorava. Aos cinco anos, aprendeu a tocar piano. Desde pequeno apresentava personalidade frágil. ‘Uma criança de vidro’, sintetizou a governanta que o educou. A família decidiu que ele deveria tornar-se um advogado e o matriculou na Escola de Direito de São Petersburgo. Neste período, quando tinha 14 anos, ocorreu um dos piores episódios de sua vida: a morte da mãe, que desencadeou no adolescente uma profunda depressão, seguida por fortes crises.

Ao encerrar os estudos, Tchaikovsky começou a trabalhar no Ministério da Justiça. Ele era um péssimo funcionário e sentia-se desprezado por todos. Nesta época, passou um longo período gozando dos prazeres dos salões mundanos. Em uma carta a uma amiga, Tchaikovsky fez algumas definições em relação ao amor: ‘Você pergunta se eu conheci outro amor que não o platônico. Sim e não. Se a questão me tivesse sido colocada de outra forma: 'Você experimentou a felicidade de um amor completo?’. Minha resposta seria: não, não e não! Mas pergunte-me se sou capaz de compreender a força imensa do amor, e eu lhe direi: sim, sim e sim!’. Com pouco mais de 20 anos, mesmo considerado ‘velho’ para estudar música, ingressou no Conservatório de São Petersburgo. Lá, ele seguiu os cursos de composição, piano e flauta, além de adquirir noções de órgão. Um grande esforço fez com que ele progredisse rapidamente. Neste período, compôs as primeiras obras sérias, em especial, a primeira sinfonia, ‘Sonhos de Inverno’. O trabalho quase o levou à loucura, causando-lhe angústias e alucinações.

Logo depois, realizou uma série de concertos internacionais e sua obra foi aclamada em diversas capitais européias. Apesar do sucesso crescente, a vida solitária, o temperamento amargurado e a extrema timidez o mantinham sempre à beira de um colapso nervoso. Com a esperança de resolver alguns de seus problemas, como a questão relacionada à sexualidade, contraiu um desastroso casamento, que não chegou sequer a se consumar. Separou-se em pouco tempo. Ele morreu em 1893, aos 53 anos, ao contrair cólera depois de beber um copo de água não fervida.

A obra '1812 Overture' descreve o momento de confronto entre o exército russo e o de Napoleão e é conhecida pela sua sequência de tiros de canhão que é, em alguns concertos ao ar livre, executada com canhões reais. Embora a obra não tenha nenhuma conexão com os Estados Unidos da América, não sei porque, muitas vezes é executada juntamente com músicas patrióticas naquele país.

tchaikovsky - 1812 overture, op.49 (conclusion)


A obra '1812 Overture' foi composta entre 1880 e 1881 graças a encomenda do diretor dos Concertos da Sociedade Imperial Russa, Nicolas Rubinstein. Na Rússia, naquele período, diversos acontecimentos solenes estavam prestes a acontecer: a exposição universal das artes em Moscou; o aniversário de coroação de Czar; a criação da nova catedral do Cristo Redentor; a comemoração dos 70 anos da vitória russa sobre Napoleão. Rubistein disse a Tchaikovsky, que esse era o momento ideal para compor alguma obra que servisse em ocasiões solenes e que essa obra iria alavancar a popularidade de Tchaikovsky e com certeza ajudá-lo muito financeiramente. Tchaikovsky não gostava desse tipo de encomenda, mas aceitou a proposta e começou, mesmo que sem muita vontade, a trabalhar em sua nova obra que comemoraria os 70 anos da vitória russa sobre Napoleão.

Napoleão e seu exército eram temidos e considerados insuperáveis. Tanto é, que em sua campanha contra o império russo, em 1812, a França saiu inicialmente vitoriosa na Batalha de Borodin. O que Napoleão não contava, era o rigoroso inverno russo e a epidemia de tifo, que fizeram com que Napoleão ordenasse uma retirada desordenada e catastrófica. Seu exército, que antes era de 600.000, foi reduzido a 40.000. Essa ‘intervenção mágica’ a favor da Rússia é retratada na obra quando Tchaikovsky contrapõe três principais temas: a oração, o hino da Rússia e o hino da França, complementados com fragmentos do folclore russo. Apesar de não estar entre suas maiores obras e de ser considerada por muitos uma obra clichê e superficial, a ‘1812 Overture’ é, de fato, uma obra genial, orquestrada e estruturada de forma brilhante, contendo um caráter emotivo bastante forte, muito comum em todas as músicas de Tchaikovsky, é talvez uma das obras mais famosas e queridas pelo público em geral.

Canhões já haviam sido empregados na música russa no ‘Te Deum’ que Giuseppe Sarti escreveu em 1789 para o Príncipe Potemkin. Para a execução nas salas de concertos, eles normalmente são previamente gravados, assim como deveriam ser os sinos. O concerto da estréia ocorreria na praça em frente ao Kremlin com orquestra, banda de metais, coro, canhões que disparariam 16 tiros acionados pelo regente através de dispositivos elétricos além dos sinos das torres do Kremlin, incluindo aí os da nova catedral. Mas nada disso aconteceu realmente, a peça só foi estreada muito tempo depois em uma sala de concertos. A ‘1812 Overture’ começa com um lindo coro baseado no hino ‘Deus ajude vosso povo’ da igreja ortodoxa russa. (por John Blanch)

tchaikovsky - 1812 overture

1812 Overture (2001)

Tracklist
01. 1812 Overture, Op. 49
02. Polonaise from Eugene Onegin, Op. 24
03. Capriccio Italien, Op. 45
04. Marche Slave, Op. 31
05. Waltz from Eugene Onegin, Op. 24
06. Festival Coronation March
07. Cossack Dance from Mazeppa

Tchaikovsky - The No 1 Tchaikovsky Album

The No 1 Tchaikovsky Album
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Piano Concerto No 1 - Allegro
02. Sleeping Beauty - Adagio (Pas D'action)
03. Romeo & Juliet - Love Theme
04. Symphony No. 6 Pathetique - Adagio
05. Swan Lake - Scene (Act Ii)
06. Swan Lake - Waltz (Act I)
07. Swan Lake - Dance Of The Little Swans
08. Souvenir De Florence - Adagio
09. Souvenir D'un Lieu Cher - Melodie
10. The Seasons - June Barcarolle
11. Eugene Onegin - Waltz
12. Piano Concerto No 1 - Andantino
13. Sleeping Beauty - Waltz
14. Marche Slave

Tracklist CD 2
01. 1812 Overture, Op.49 (Conclusion)
02. The Nutcracker - Dance Of The Reed Pipes (Mirlitons)
03. Violin Concerto In D Major - Allegro Moderato
04. Symphony No. 5 In E Minor - Andante Cantabile
05. The Nutcracker - Overture
06. The Nutcracker - Dance Of The Sugar Plum Fairy
07. Serenade For Strings - Waltz
08. String Quartet No. 1 - Andante Cantabile
09. Eugene Onegin - Letter Scene
10. Eugene Onegin - Polonaise
11. Capriccio Italien
12. Symphony No. 4 - Scherzo
13. None But The Lonely Heart
14. The Lord's Prayer (Otche Nash)
15. Valse Sentimentale
16. The Nutcracker - Waltz Of The Flowers

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

farinelli: il castrato

farinelli - il castratoCastrato (plural castrati) é um cantor masculino cuja extensão vocal corresponde à das vozes femininas, seja de soprano, mezzo-soprano, ou contralto. E isso somente era possível com uma cirurgia onde eram cortados canais provenientes dos testículos. Essa prática teve início com o surgimento da necessidade de vozes agudas nos coros das igrejas da Europa Ocidental, já que a Igreja Católica Romana não aceitava mulheres no coro das igrejas. Os castrati eram muito populares e, sobretudo, reputados artistas da ópera italiana. Castrados antes da puberdade mantinham cordas vocais pequenas que lhes possibilitavam alcançar os timbres mais altos. Um intenso treinamento conferia à voz de um castrato uma combinação virtuosa de voz masculina emitida por poderosos pulmões adultos, capaz de chegar aos extremos agudos da escala musical. A prática nasceu na Itália do século 17, onde anualmente cerca de 4 mil garotos, em geral de famílias pobres, eram castrados a partir dos oito anos de idade. O procedimento foi banido em 1870, mas o último castrato, Alessandro Moreschi, ainda chegou a gravar em 1902. Poucos castrati chegavam ao sucesso, mas os que o faziam se tornavam as estrelas artísticas de seu tempo, e se comportavam como tal. Os que conseguiam ir além de uma vida relativamente desconhecida como cantores de ópera ou solistas de igreja cobravam cachês astronômicos e tinham legiões de admiradores.

O cinema franco-belga-italiano imortalizou o mais famoso castrato do século XVIII: Farinelli (1705 - 1782), como era conhecido Carlo Maria Broschi, o mais popular e bem pago cantor de ópera da Europa, no século XVIII, e que foi castrado quando tinha apenas 10 anos de idade. Em 1994, foi lançado o filme ‘Farinelli - Il Castrato’, dirigido por Gerard Corbiau. O filme focaliza a vida do mítico cantor italiano que iniciou sua carreira ao lado do irmão, o pianista Riccardo Broschi, e que na fase adulta conquistou uma voz inigualável, jamais alcançada por outro cantor de ópera; especula-se que Farinelli cantava até 250 notas mantendo o mesmo fôlego. Aluno de Nicola Porpora ganhou muito prestígio em toda a Europa. Aparece como um galã, de olhar triste e solitário, que encerrou a carreira como cantor exclusivo do rei Felipe V da Espanha, que o contratou porque seu canto era a única coisa que o tirava da depressão.

coral de castatri    alessandro moreschi    farinelli

Coral de 'castrati' da Santa Sé; Alessandro Moreschi, tido como o último 'castrato' e o mais famoso entre os 'castrati', Carlo Broschi (Farinelli), ao lado da pintura de Euterpe, uma das nove musas da mitologia grega. Filha de Zeus e Mnemósine era a musa da música. No final do período clássico, foi nomeada a musa da poesia lírica.

O filme não trata apenas da glória, fama e riqueza. Mostra também um universo barroco de sofrimento, desprezo e expiação. Farinelli podia ser comparado a um semideus pela voz angelical de soprano, mas ainda assim era tão humano quanto qualquer um, com falhas e fraquezas. O cineasta belga não se limita apenas a relatar a história de Farinelli, mas também cria inúmeras controvérsias sobre o passado pouco conhecido do cantor. O filme mostra também como Farinelli, embora plebeu, foi revolucionário, fazendo a nobreza inclinar-se diante de si; e depois o desprezo dessa mesma nobreza aos cantores castrati que ao perderem força junto a arte européia passaram a ser vistos como meio homens na ótica social da época. A produção utiliza-se, como trilha sonora, de temas musicais de compositores barrocos como Riccardo Broschi, irmão de Farinelli, Johann Adolf Hasse, Giovanni Battista Pergoli, Nicola Antonio Porpora e o mais emblemático de todos, Georg Friedrich Händel, que quase vai à falência devido ao que vive com Farinelli quando este rouba o público de seu teatro para o do concorrente.

farinelli - son qual nave ch'agitata


soundtrack - Farinelli - Il Castrato (1995)

Farinelli - Il Castrato (1995)

Tracklist
01. Son qual nave ch'agitata (Riccardo Broschi)
02. Alto giove (Nicola Porpora)
03. Se al labbro mio non credi (Riccardo Broschi)
04. Ombra fedele anch'io (Riccardo Broschi)
05. Artaserse (Johann-Adolf Hasse)
06. Lascia ch'io pianga (Georg-Friedrich Haendel)
07. Cara Sposa (Georg-Friedrich Haendel)
08. Rinaldo (Georg-Friedrich Haendel)
09. Generoso risuegliati o coro (Johann-Adolf Hasse)
10. Salve Regina (Giovanni-Battista Pergolese)
11. Alto Giove (Nicola Porpora)

domingo, 21 de junho de 2009

ópera: Pagliacci (versão em russo)

A ópera de Ruggero Leoncavallo, 'I Pagliacci', é um vibrante melodrama e uma história de amor e ciúmes na sociedade siciliana. Baseia-se num acontecimento real ocorrido em Calabria, onde um crime passional aconteceu no seio de uma companhia de cômicos ambulantes. Esta ópera foi estreada no Teatro dal Verme, em Milão a 21 de Maio de 1892. Ruggero Leoncavallo é recordado quase exclusivamente devido a esta ópera que, juntamente com a ópera 'Cavalleria Rusticana' de Pietro Mascagani, se tornaram os pontos altos do movimento italiano 'verismo' no final do século XIX. Movimento este que se opunha ao positivismo e defendia que os autores não devem impôr as suas interpretações e pontos de vista pessoais no seu trabalho. Encontrei uma versão de 1959 que é no mínimo curiosa, a ópera é toda cantada em russo, menos no que diz respeito à parte que cabe ao palhaço Canio, interpretado por Mario Del Monaco, que por sua vez só canta em italiano. No final das contas, tudo se harmoniza, pois todos falam um só idioma: a linguagem universal da música. Para mim foi uma grata e emocionante surpresa encontrar e ouvir esta versão, por descender de russos e poloneses.

'I Pagliacci', com os personagens Canio, Tonio, Peppe, e Silvio, continua uma das mais populares obras do repertório de ópera.

opera pagliacci - bolshoi (1959)


I Pagliacci (1959)

(Solistas, Coro e Orquestra do Teatro Bolshoi)

Maestro - Vladimir Nebolsin
Canio - Mario Del Monaco
Nedda - Leokadia Maslenikova
Tonio - Alexei Ivanov
Peppe - Nikolai Timchenko
Silvio - Evgeny Belov

sábado, 16 de maio de 2009

maria callas

maria callasMaria Callas, a mais célebre cantora lírica da segunda metade do século 20, morreu há 32 anos, mas ainda continua na lembrança dos amantes da ópera. Dona de uma voz de amplitude rara e habilidade cênica inigualáveis, considerada a maior cantora lírica de todos os tempos, Maria Callas atuou em óperas dos mais diversos estilos. A soprano nasceu em Nova York. Filha de pais imigrados da Grécia, batizada Maria Kalogeropoulos, transformou-se em Maria Callas. Sua carreira teve um impulso decisivo após o seu casamento com Giovanni Battista Meneghini, trinta anos mais velho que ela, um sujeito muito rico e apaixonado por ela que passou a ser seu empresário além de marido. Fenômeno vocal a soprano destacou-se interpretando ‘Lucia’ (Donizetti) a ‘Isolda’ (Wagner) e ainda ‘Carmem’ (Bizet), e sua voz encarnou como ninguém ‘La Traviata’ de Verdi, com aplausos ovacionados e criticas a sua personalidade difícil.

maria callasTrágica no palco e na vida, dona de uma personalidade carismática e polêmica, revolucionou o mundo da ópera, da música e do teatro com seu temperamento e com suas atitudes polêmicas. O mito Callas teve também aspectos menos musicais, especialmente o romance e a paixão avassaladora pelo empresário grego Aristóteles Onassis nos anos 60, que foi sua maior alegria e também a sua maior desgraça. O declínio da carreira, com seus episódios constrangedores. Os seus desafetos, suas paixões, a solidão, a depressão, o casamento de Onassis com Jackeline Kennedy. No terreno profissional, a polêmica disputa com Renata Telbandi. Após ensinar música na famosa ‘Juilliard School’, de Nova York, a cantora lírica voltou a se apresentar para o grande público em 1974, em uma série de shows especiais. Ao final da temporada recolheu-se em seu apartamento de Paris, a morte de Onassis foi sem dúvida o golpe final em sua vida até sua triste morte sozinha em seu apartamento de Paris em 1977, aos 53 anos. Atendendo ao seu desejo, suas cinzas foram jogadas no Mar Egeu.


maria callas - madama butterfly


maria callas - la divina 1

La Divina 1 (1993)

Tracklist
01. Madama Butterfly: Un bel di, vedremo
02. Carmen: L'amour est un oiseau rebelle (Habanera)
03. La Wally: Ebben? ne andro lontana)
04. Il Barbiere di Siviglia: Una voce poco fa
05. Norma: Casta Diva
06. Samson et Dalila: Mon coeur s'ouvre a ta voix
07. Rigoletto: Caro nome
08. La Traviata: Sempre libera
09. Romeo et Juliette: Je veux vivre dans ce reve
10. La Boheme: Si, mi chiamano Mimi
11. Don Giovanni: Mi tradi quell'alma ingrata
12. Cavalleria Rusticana: Voi lo sapete, o mamma
13. La Gioconda: Suicidio!
14. Gianni Schicchi1: O mio babbino caro
15. Turandot: In questa reggia
16. Tosca: Vissi d'arte, vissi d'amore

maria callas - la divina 2

La Divina 2 (1994)

Tracklist
01. Alceste: Divinites du Styx
02. Carmen: Les tringles des sistres tintaient
03. Ernani: Surta e la notte...Ernani! Ernani, involami
04. Manon Lescaut: In quelle trine morbide
05. Aida: Ritorna vincitor
06. Orphee et Eurydice: J'ai perdu mon Eurydice
07. I vespri siciliana: Bolero: Merce, dilette amiche
08. Louise: Depuis le jour
09. La Boheme: Donde lieta usci
10. Mignon: Ah, pour ce soir...Je suis Titania
11. La Traviata: Teneste la promessa...Addio, del passato
12. Don Carlo: O don fatale
13. Samson et Dalila: Printemps qui commence
14. La Sonnambula: Compagne, teneri amici...Come per me sereno
15. Adriana Lecouvreur: Ecco: respiro appena...Io son 'lumile ancella
16. Lucia di Lammermoor: Spargi d'amaro pianto

maria callas - la divina 3

La Divina 3 (1995)

Tracklist
01. Andrea Chénier - La Mamma Morta
02. La Vestale - O Nume Tutelar
03. Manon - Je Ne Suis Que Faiblesse, Adieu, Notre Petite Tabl
04. Manon Lescaut - Oh, saró la più bella....Tu, tu amore
05. Carmen - Prés Des Remparts De Séville (Séguedille)
06. Il barbiere di Siviglia - Dunque Io Son
07. Lakmé - Dov' è l'indiana bruna
08. Aida - Qui Radamès Verrà!...O Patria Mia
09. La bohème - O soave fanciulla
10. Turandot - Signore, Ascolta!
11. I Pagliacci - Qual fiamma avea nel guardo...Hui! Stridono Lassù
12. Il Trovatore - D'Amor Sull'Ali Rosee
13. Madama Butterfly - Vogliatemi bene, un bene piccolino
14. Dinorah (Le pardon de Ploërmel) - Ombra leggiera (Shadow Song)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

johann sebastian bach

Johann Sebastian Bach

Johann Sebastian Bach, (1685 - 1750) foi um músico e compositor do período barroco da música erudita. Foi também um organista notável. Nasceu em Eisenach (Alemanha), no seio de uma família de músicos. É considerado um dos maiores e mais influentes compositores da história da música, ainda que pouco reconhecido na época em que viveu. Muitas das suas obras refletem uma grande profundidade intelectual, uma expressão emocional impressionante e, sobretudo, um grande domínio técnico em grande parte responsável pelo fascínio que diversas gerações de músicos demonstraram pelo Pai Bach, especialmente depois de Felix Mendelssohn que foi um dos responsáveis pela reabilitação da obra de Bach, até então bastante esquecida.

Sua mãe morreu quando ele tinha 9 anos de idade. Um ano depois morreu seu pai Johann Ambrosius Bach, que era músico da cidade e o havia ensinado os rudimentos da música. Foi viver e estudar com seu irmão maior, Johann Christoph Bach, 16 anos mais velho que ele, então organista. Através de seu irmão Bach aprendeu a tocar órgão e a compor. Christoph, no entanto, não era um grande entusiasta do talento do jovem Sebastian. Bach encabeçou uma família numerosa. Teve sete filhos em seu primeiro matrimônio e 13 no segundo. Quatro de seus filhos do seu segundo casamento se transformaram em compositores respeitados. Um aspecto impressionante da vida de Bach é que o compositor teve pouco reconhecimento em vida. Era tido por todos como um virtuoso do órgão, talvez o melhor de que se tinha notícia. Como compositor, porém, era considerado como antiquado e sem criatividade. Morreu em 1750, depois de uma intervenção cirúrgica fracassada nos olhos. Bach foi ficando cego até perder totalmente a vista. Atualmente acredita-se que a sua cegueira foi originada por diabetes não tratada. Na época que se seguiu a sua morte, Bach caiu no esquecimento.

johann sebastian bach - adagio (concerto for oboe & violin)


Essential Bach • 36 of His Greatest Masterpieces

Essential Bach
CD 1: parte I    parte II
CD 2: parte I    parte II

Tracklist CD 1
01. Toccata in D Minor
02. Air (Orchestral Suite No.3)
03. Prelude in C Major
04. Allegro (Brandenburg Concerto No.4)
05. Aria (Goldberg Variations)
06. Wachet Auf, Ruft Uns Die Stimme (Sleepers Awake, Cantata 140)
07. Allegro Moderato (Violin Concerto No.1)
08. Jesu, Joy of Man's Desiring (Cantata, BWV 147)
09. Allegro (Keyboard Concerto No.4)
10. Bourrees I & II (From Cello Suite No.3)
11. Adagio (Concerto For Oboe & Violin)
12. Crucifixus (Mass In B Minor)
13. Prelude (Cello Suite No.1)
14. Gigue (French Suite No.5)
15. Prelude in D Minor
16. Allegro (Brandenburg Concerto No.5)
17. Wir Setzen Uns Mit Tränen Nieder (St Matthew Passion)

Tracklist CD 2
01. Allegro (Brandenburg Concerto No.2)
02. Largo (Concerto for 2 Violins)
03. Prelude (Lute Suite No.4)
04. Sheep May Safely Graze (Cantata BWV 208)
05. Adagio (Excerpt) (Cello Sonata No.3)
06. Allegro (Italian Concerto)
07. Pastoral Sinfonia (Christmas Oratorio)
08. Andante (Violin Concerto No.1)
09. Gigue (Partita No.1)
10. Minuet (Orchestral Suite No.2)
11. Badinerie (Orchestral Suite No.2)
12. Siciliano (Oboe Concerto)
13. Allegro (Brandenburg Concerto No.3)
14. Allemande (Violin Partita No.2)
15. Gigue (Violin Partita No.2)
16. Allegro (Excerpt) (Keyboard Concerto No.2)
17. Santify Us By Thy Goodness (Cantata 22)
18. Largo (Keyboard Concerto No.5)
19. Allegro (Concerto in A Minor for Organ)

sábado, 28 de março de 2009

amadeus e salieri

Wolfgang Amadeus Mozart

Wolfgang Amadeus Mozart

Para quem já ouviu uma de suas músicas, os adjetivos gênio e divino são inevitáveis, até Beethoven assim o classificou. Ele deu ao mundo uma música que está entre as poucas razões para se acreditar que a vida faz sentido. Johannes Chrysostomus Wolfgangus Teophilus assim ele foi batizado onde nasceu, Salzburgo, mas ele sempre preferiu usar Amadeus, a forma latina de seu nome Teophilus, e ficou mais conhecido como Wolfgang Amadeus Mozart. Amadeus teve uma infância prodigiosa, porém, quando adulto, sofreu humilhações, perdeu os pais ainda cedo e sofreu com a dor de perder vários filhos, além de ser massacrado com todo o tipo de doença, que acabaram por ceifar sua vida aos 35 anos de idade. Seu pai, Leopold, nada via de impróprio na exploração do talento de seu filho e o fez viajar incessantemente, sem se preocupar com o efeito exaustivo dessas peregrinações sobre a saúde e o desenvolvimento psicológico de um menino de pouco mais de 6 anos.

Várias cidades alemãs foram percorridas até Amadeus chegar a Paris, grande centro musical que seu pai queria conquistar. Foi na cidade luz que surgiram as primeiras obras impressas e Mozart tocou para o rei e a nobreza. A próxima cidade a ser conquistada foi Londres, onde conheceu Johann Christian Bach, filho de J. S. Bach, uma das influências mais fortes na formação de seu estilo. Mozart escreveu, então, suas primeiras sinfonias, aproveitando os dias em que Leopold estava doente. Este ritmo pesado não poderia deixar de ter conseqüências para a saúde do menino. Em Haia, Wolfgang caiu doente, com tifo, foi a primeira da série de doenças que acabaram levando-o cedo demais. Leopold convenceu-se de que o filho precisava descansar e permitiu-lhe que ficasse em casa, mas sempre estudando e compondo concertos para piano e orquestra. Aumentaram os compromissos, todos queriam conferir o magnífico talento de Mozart. E mesmo doente, ele transmitia alegria através da música e não queria parar, a música era tudo em sua vida.

Aos 12 anos compõe em Viena sua primeira ópera bufa, ‘La Finta Semplice’. Consegue o título de maestro de concertos e viaja para a Itália, onde passa dois anos percorrendo Nápoles, Milão e Roma, sempre com sucesso. Aos 16 anos já havia composto mais de 200 obras e ainda tinha tempo para o lado sentimental. Conheceu Aloysia Weber por quem se apaixonou loucamente, mas foi com a irmã dela, Constanze, que se casou. O mundo teve muitos gênios precoces, mas nenhum tão impressionante quanto esse menino austríaco, dotado de um dom misterioso, que fazia com que fluísse dele, instintivamente, desde a infância, música de qualidade inigualável. O 'Réquiem em D menor' foi a última composição, e é uma das suas mais populares e mais respeitadas obras. Tem havido um debate sobre o quanto de música Mozart conseguiu concluir antes de sua morte, e quanto mais tarde foi composta por Franz Xaver Süssmayr, ou possivelmente outros.

amadeus mozart - sequentia lacrimosa dies illa


Wolfgang Amadeus Mozart – Réquiem

Réquiem
parte I    parte II

Tracklist
01. Introitus - Requiem aeternam 02. Kyrie 03. Sequentia - Dies irae 04. Sequentia - Tuba mirum 05. Sequentia - Rex tremendae majestatis 06. Sequentia- Recordare, Jesu Pie 07. Sequentia- Confutatis Maledictis 08. Sequentia- Lacrimosa Dies Illa 09. Offertorium- Domine Jesu Christe 10. Offertorium- Hostias Et Preces 11. Sanctus 12. Benedictus 13. Agnus Dei 14. Communio - Lux aeterna

Antonio Salieri

Antonio Salieri

O italiano Antonio Salieri compôs dezenas de óperas, deu aulas a alguns dos maiores compositores da história e inspirou sonatas de Beethoven. Mas seu nome é lembrado pela frase: ‘Eu matei Mozart. Eu matei Mozart’, que ninguém sabe se ele proferiu mesmo ou se não passa de boato maldoso. Salieri nasceu em Veneza. Era um músico de talento, tanto que, aos 16 anos, foi notado pelo compositor da corte austríaca Florian Gassmann, que o levou para Viena, onde fez sua estréia com a ópera ‘Le Donne Letterate’. Quatro anos depois, ele assumiu o cargo de Gassmann e se tornou compositor da corte do imperador e diretor da orquestra do Teatro Municipal de Viena. Poucos músicos tinham o privilégio de um salário, a maioria era obrigada a se contentar com encomendas dos poucos mecenas endinheirados ou com turnês caça-níqueis pelas capitais européias. Era o caso de Wolfgang Amadeus Mozart, seis anos mais novo que o italiano. Enquanto Salieri compunha a ópera que inaugurou o fantástico Teatro della Scala, em Milão, Mozart peregrinava tocando pela Itália. Enquanto Salieri dava aulas a alunos ilustres, como o austríaco Schubert, o húngaro Liszt e o alemão Beethoven, Mozart tentava ganhar a vida em Paris.

Quando Mozart mudou-se para Viena, e fez sucesso, mesmo assim não se comparou ao estrelato de Salieri. A ópera ‘Don Giovanni’, de Mozart, foi ofuscada pela recepção estrondosa que o público vienense deu a ‘Tarare’, de Salieri. O fato é que os dois músicos provavelmente se davam bem. Verdade que, vez ou outra, se encontra nas cartas de Mozart uma referência despeitada ao italiano e ao seu poder, mas jamais foi encontrado um indício qualquer de que Salieri tivesse algo contra Mozart. Quando Mozart produziu a ópera ‘A Flauta Mágica’, Salieri assistiu e derramou-se em elogios. Dias depois Mozart começou a sentir enjôos e dores nos braços e nas pernas. Quinze dias depois, morreu. O médico diagnosticou febre reumático-inflamatória. Uma semana depois, apareceu, numa publicação alemã, o boato de que Mozart fora envenenado. Não havia razão nenhuma para crer na hipótese conspiratória. Doenças assim eram comuns. Mozart fora tratado com sangrias feitas com instrumentos não esterilizados. Estranho seria ele sobreviver.

Trinta anos mais tarde, surgiu o Romantismo, baseado na sensibilidade e no lirismo. Os românticos adoravam Mozart e seu estilo arrebatado e desprezavam o conservadorismo de Salieri. Surgiu então o boato de que o austríaco fora envenenado pelo italiano. Ninguém sabe onde a história nasceu. Mas é previsível que alguém inventasse um final trágico para a vida do maior músico de todos os tempos, os românticos adoravam histórias assim. Salieri continuava vivo e era atormentado pelas intrigas. A suposta confissão do crime, nunca comprovada, teria sido feita quando o italiano estava internado em um hospício. Ele morreria dois anos depois. Em 1830, outro gênio, o escritor russo Aleksandr Pushkin, escreveu o drama ‘Mozart e Salieri’, no qual descreve a cena em que Salieri derrama veneno na bebida de Mozart. Essa cena foi revivida várias vezes, primeiro na ópera 'Mozart e Salieri', que Rimskji-Korsakov compôs em 1898, depois na peça ‘Amadeus’, que Peter Shaffer escreveu em 1970, e, finalmente, no filme homônimo, que Milos Forman dirigiu em 1984. Ficou para a história a versão, por mais improvável que ela fosse. (fonte: revista superinteressante)

antonio salieri - dies irae


Antonio Salieri - Requiem

Réquiem
parte I    parte II

Tracklist
01. Introitus-Kyrie 02. Dies irae 03. Offertorium 04. Domine Jesu Christe 05. Mater Jesu 06. Sanctus benedictus 07. Agnus Dei 08. Libera Me