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terça-feira, 6 de setembro de 2011

ben webster

Ben WebsterBen Webster é considerado, juntamente com Lester Young e Coleman Hawkins, sua principal influência, um dos três grandes tenores do swing. E será sempre lembrado como um dos músicos de jazz mais clássicos de todos os tempos. As principais características que chamam a atenção no som de Webster são a agressividade exibida nos blues rápidos quanto o romantismo demonstrado nas baladas. Essas duas faces de sua música correspondiam, segundo os que lhe eram próximos, aos dois pólos que coexistiam em sua personalidade, ora irascível, ora cordial. As baladas lentas, executadas de forma lânguida e expressiva, foram o gênero que Ben passou a privilegiar com o passar dos anos, e pelo qual ficaria famoso. Benjamin Francis Webster nasceu em Kansas City, Missouri em 1909 e quando criança teve aulas de violino e aprendeu a tocar blues no piano com seu vizinho Pete Johnson e logo depois estava tocando para filmes mudos em Amarillo, Texas. Estudou música na Wilberforce University e em 1930, intrigado com o saxofone depois que ouviu ‘Singin' the Blues’ com Frankie Trumbauer, ele encontrou Budd Johnson, que lhe mostrou algumas noções básicas do instrumento. E não muito tempo depois foi tocar saxofone na banda da família de Lester Young onde teve mais algumas dicas com Lester e seu pai.

Ben Webster, Billie Holiday, Johnny Russell (1935)    Ben Webster, Eddie Barefield, Buck Clayton, Benny Morton (1947)

Ben Webster, Billie Holiday, e o saxofonista e clarinetista Johnny Russell, atrás um guitarrista desconhecido que pegou carona na foto (Harlem, 1935); Ben Webster, o saxofonista e clarinetista Eddie Barefield, o trompetista Buck Clayton, e o trombonista Benny Morton (1947)

Com o tempo se destacou nas bandas sulistas de Gene Coy e Blanche Calloway com quem fez a sua estréia em disco antes de ingressar como solista na orquestra de Bennie Moten tornando-se uma das estrelas de 1932. Durante toda a década de 30 tocou nas big bands de Fletcher Henderson, Benny Carter, Cab Calloway, Bryant Willie e Teddy Wilson. Mas, a sua maior ambição era tocar com Duke Ellington o que aconteceu quando o clarinetista e saxofonista tenor Barney Bigard tirou férias em 1935 e assim, Webster teve a oportunidade de fazer parte da banda, apenas por duas ou três semanas já que Barney voltou e Webster teve que sair. Mas, em 1940, entrou em caráter permanente para a orquestra, tornando-se o primeiro grande solista de sax tenor de Ellington, e participou de gravações famosas, como ‘All too soon’ e ‘Cotton Tail’, que além de seu solo memorável teve um solo de saxofones organizado por ele. Duke Ellington o ajudou a encontrar o seu próprio estilo, deixando de ser um clone de Coleman Hawkins. Embora tenha permanecido na orquestra apenas por três anos, tornou-se muito popular e passou a ser um paradigma para a maioria dos jovens saxofonistas, que procuravam imitá-lo.

Duke Ellington, Ben Webster, Jimmy Hamilton (1948)    Ben Webster & Kenny Drew Trio (1965)

Duke Ellington, Ben Webster, Jimmy Hamilton (1948); Ben Webster & Kenny Drew Trio: Alex Riel na bateria; Kenny Drew no piano e Niels-Henning Ørsted Pedersen no baixo (Copenhagen - 1965)

Depois de deixar a orquestra de Ellington, tocou com grupos pequenos, tanto na função de líder como acompanhando músicos como Stuff Smith, Red Allen, Raymond Scott, John Kirby e Sidney Catlett. E em New York ouviu emocionado Charlie Parker pela primeira vez. Voltou a se juntar a Ellington por um breve período, em 1948-1949. Em 1953-54 fez a primeira turnê com o ‘Jazz At The Philharmonic’, título de uma série de concertos de jazz, turnês e gravações produzidas pelo empresário e produtor Norman Granz, uma figura fundamental no jazz norte-americano e fundador de cinco gravadoras: Clef, Norgran, Down Home, Verve e Pablo.

Charles Mingus e Ben Webster    Abbey Lincoln e Ben Webster (1966)

Charles Mingus e Ben Webster; Abbey Lincoln e Ben Webster (1966)

Apesar da música de Ben Webster ser considerada fora de moda nessa década, o saxofone de Webster em baladas, tocadas com calor e sentimento, se tornou bastante popular e Norman Granz gravou com ele em muitas sessões. Nessa mesma década, Webster gravou com Billie, Peggy Lee, Ella e Carmen McRae. Gravou também com Art Tatum, em 1956, apoiado pelo baixista Red Callender e o baterista Bill Douglass. Tocou de forma constante até 1964 quando se mudou permanentemente para Copenhagen, Dinamarca, para se juntar a outros músicos de jazz norte-americanos. Como músico expatriado tocava em shows, festivais e excursionou pela Europa desfrutando de grande popularidade. Tocou e gravou à vontade, seja com músicos locais, seja com músicos americanos. Faleceu em Amsterdam, Holanda, em 1973. Após a sua morte, foi criado o ‘Ben Webster Foundation’ para apoiar a divulgação do jazz na Dinamarca. E o prêmio anual ‘Ben Webster Prize’ é atribuído a jovens músicos excepcionais. A coleção particular de Webster de gravações de jazz esta arquivada no departamento de música da biblioteca da Universidade do Sul da Dinamarca em Odense.

ben webster - cotton tail
(duke ellington and his famous orchestra)


‘Three Classic Albums’ contém três grandes álbuns em dois CDs: ‘Soulville’, de 1957, e ‘Ben Webster Meets Oscar Peterson’ de 1959, ambos gravados com o trio do pianista canadense Oscar Peterson, com Herb Ellis na guitarra, Ray Brown no baixo, Stan Levey na bateria (no álbum ‘Soulville’) e Ed Thigpen na bateria do álbum ‘Ben Webster Meets Oscar Peterson’; e ‘Ben Webster & Associates’, também gravado em 1959, logo após a morte de Lester Young. Ben Webster é acompanhado por Coleman Hawkins e Johnson Budd, dois dos grandes nomes do sax tenor. O trompetista Roy Eldridge também está presente. E a seção rítmica é composta pelo pianista Jimmy Jones, o guitarrista Les Spann, o baixista Ray Brown e o baterista Jo Jones.

‘Big Ben’ contém gravações iniciais de Ben Webster como membro das bandas de Blanche Calloway, Bennie Moten, Teddy Wilson e Duke Ellington e com outros grupos, tanto como bandleader. Contém 98 faixas de Ben Webster nas décadas de 30 e 40 com os maiores músicos da época incluindo Duke Ellington, o trombonista Jack Teagarden, e o pianista e guitarrista Gaillard Slim.

ben webster - big ben (2002)

Big Ben (2002)

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CD 1: parte I    parte II
CD 2: parte I    parte II
CD 3: parte I    parte II
CD 4: parte I    parte II

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CD 1: parte I    parte II
CD 2: parte I    parte II
CD 3: parte I    parte II
CD 4: parte I    parte II

CD 1: Cotton Tail
01. Blanche Calloway And Her Joy Boys - Without That Gal
02. Bennie Moten's Kansas City Orchestra - Toby
03. Bennie Moten's Kansas City Orchestra - The Blue Room
04. Fletcher Henderson And His Orchestra - Happy As The Day Is Long
05. Fletcher Henderson And His Orchestra - Hotter Than 'ell
06. Benny Carter And His Orchestra - Dream Lullaby
07. Benny Carter And His Orchestra - Everybody Shuffle
08. Bob Howard And His Orchestra - The Ghost Of Dinah
09. Willie Bryant And His Orchestra - Rigamarole
10. Teddy Wilson And His Orchestra - What A Little Moonlight Can Do
11. Teddy Wilson And His Orchestra - A Sunbonnet Blue
12. Willie Bryant And His Orchestra - The Voice Of Old Man River
13. Duke Ellington And His Famous Orchestra - Truckin'
14. Duke Ellington And His Orchestra - In A Jam
15. Cab Calloway And His Orchestra - The Wedding Of Mr And Mrs Swing
16. Teddy Wilson And His Orchestra - Easy To Love
17. Teddy Wilson And His Orchestra - I'll See You In My Dreams
18. Fletcher Henderson And His Orchestra - Sing You Sinners
19. Lionel Hampton And His Orchestra - Early Session Hop
20. Teddy Wilson And His Orchestra - 71
21. Duke Ellington And His Famous Orchestra - Solitude
22. Duke Ellington And His Famous Orchestra - Congo Brava
23. Duke Ellington And His Famous Orchestra - Cotton Tail
24. Duke Ellington And His Famous Orchestra - Bojanges (A Portrait Of Bill Robinson)

CD 2: All too soon
01. Duke Ellington And His Famous Orchestra - All Too Soon
02. Duke Ellington And His Famous Orchestra - Sepia Panorama
03. Duke Ellington And His Famous Orchestra - Chloe (Song Of The Swamp)
04. Rex Stewart And His Orchestra - Linger Awhile
05. Duke Ellington And His Orchestra - Stardust
06. Barney Bigard And His Orchestra - Lament For Javanette
07. Jack Teagarden's Big Eight - St. James Infirmary
08. Jack Teagarden's Big Eight - The World Is Waiting For The Sunrise
09. Jack Teagarden's Big Eight - Big Eight Blues
10. Jack Teagarden's Big Eight - Shine
11. Duke Ellington And His Famous Orchestra - Blue Serge
12. Duke Ellington And His Famous Orchestra - Just A-Settin' And A-Rockin'
13. Duke Ellington And His Famous Orchestra - Five O'clock Drag
14. Duke Ellington And His Famous Orchestra - Chelsea Bridge
15. Duke Ellington And His Famous Orchestra - Perdido
16. Duke Ellington And His Famous Orchestra - The C Jam Blues
17. Slim Gaillard & His Flat Foot Floogie Boys - Palm Springs Jump
18. Slim Gaillard & His Flat Foot Floogie Boys - Ra-Da-Da-Da
19. Slim Gaillard & His Flat Foot Floogie Boys - Groove Juice Special
20. Duke Ellington And His Famous Orchestra - Main Stem
21. Ben Webster Quintet - Woke Up Clipped
22. Ben Webster Quintet - Teezol
23. Ben Webster Quintet - 'Nuff Said

CD 3: 52nd Street Days
01. Ben Webster Quintet - The Horn
02. Ben Webster Quintet - Dirty Deal
03. Ben Webster Quintet - Don't Blame Me
04. Ben Webster Quintet - I Surrender Dear
05. Ben Webster Quintet - Tea For Two
06. Woody Herman And His Orchestra - Noah
07. Woody Herman And His Orchestra - Cryin' Sands
08. James P. Johnson's Blue Note Jazzmen - Victory Stride
09. James P. Johnson's Blue Note Jazzmen - After You've Gone
10. Cozy Cole All Stars - Joshua
11. Cozy Cole All Stars - Talk To Me
12. Cozy Cole All Stars - Body And Soul
13. Big Sid Catlett Quartet - Sleep
14. Big Sid Catlett Quartet - Linger Awhile
15. Big Sid Catlett Quartet - Memories Of You
16. Big Sid Catlett Quartet - Just A Riff
17. Walter Thomas And His Jump Cats - Blues On The Delta
18. Ben Webster Quartet - Honeysuckle Rose
19. Ben Webster Quartet - I Surrender Dear
20. Ben Webster Quartet - Blue Skies
21. Ben Webster Quartet - Kat's Fur
22. Benny Morton All Stars - My Old Flame
23. Benny Morton All Stars - The Sheik Of Araby

CD 4: Stardust
01. Benny Morton All Stars - Conversing In Blue
02. Benny Morton All Stars - Limehouse Blues
03. Woody Herman All Stars - John Hardy's Wife
04. Ben Webster and his Orchestra - The Jeep Is Jumpin'
05. Ben Webster and his Orchestra - I Got It Bad (And That Ain't Good)
06. Ben Webster and his Orchestra - Dark Corners
07. Ben Webster and his Orchestra - Blues, Mister Brim
08. Ben Webster Quintet - Frog And Mule
09. Ben Webster Quintet - Spang
10. Ben Webster Quintet - Doctor Keets
11. Ben Webster Quintet - Park And Tilford Blues
12. Tony Scott Sextet - You're Only Happy When I'm Blue
13. Jay McShann and his Orchestra - New Style Baby
14. Jay McShann and his Orchestra - Let's Love Awhile
15. Jay McShann and his Orchestra - Nasty Attitude
16. Jay McShann and his Orchestra - Slow Down Baby
17. Jay McShann and his Orchestra - The Duke And The Brute
18. Jay McShann and his Orchestra - Reach
19. Johnny Otis and his Orchestra - One O'Clock Jump
20. Johnny Otis and his Orchestra - Stardust
21. Ben Webster Sextet - Randle's Island
22. Ben Webster Sextet - Old Folks
23. Ben Webster Sextet - King's Riff
24. Ben Webster Sextet - You're My Thrill

ben webster - three classic albums (2011)

Three Classic Albums (2011)

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CD 1    CD 2

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CD 1    CD 2

Soulville (1957)
01. Soulville 02. Late Date 03. Time On My Hands 04. Lover Come Back To Me 05. Where Are You? 06. Makin' Whoopee 07. Ill Wind

Ben Webster Meets Oscar Peterson (1959)
08. The Touch Of Your Lips 09. When Your Lover Has Gone 10. Bye-Bye Blackbird 11. How Deep Is The Ocean? 12. In The Wee, Small Hours Of The Morning 13. Sunday 14. This Can't Be Love

Ben Webster And Associates (1959)
15. In A Mellow Tone 16. De-Dar 17. Young Bean 18. Time After Time 19. Budd Johnson

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

george gershwin

george gershwinNa adolescência, Gershwin abandonou a escola para trabalhar como compositor e sonoplasta em ‘Tin Pan Alley’, um conjunto de edifícios localizado em Manhattan que reunia os mais importantes editores de música e compositores que dominaram a música popular no final do século 19 e início do século 20. Sua primeira música publicada, ‘When You Want ‘Em, You Can’t Get ‘Em’ com técnicas inovadoras, apenas lhe rendeu cinco dólares. Logo depois, no entanto, ele encontrou um jovem letrista chamado Irving Ceaser e juntos compuseram uma série de músicas, incluindo ‘Swanee’, de 1916, com a qual alcançou reconhecimento depois de Al Jolson cantar na comédia musical ‘Sinbad’ em 1919, tornando-se a canção mais vendida de sua carreira. No mesmo ano, Gershwin colaborou com Arthur L. Jackson e Buddy De Sylva em seu primeiro musical da Broadway, ‘La, La Lucille’. Em 1921 George escreve ‘Blue Monday Blues’, uma canção derivada do ‘spirituals’, que não foi bem recebida. Em 1924, colaborou com seu irmão, o letrista Ira Gershwin, em uma comédia musical, ‘Lady Be Good’, o que garantiu a sua reputação com canções memoráveis. Era o início de uma parceria que iria continuar pelo resto da vida do compositor. Juntos, eles escreveram musicais bem sucedidos como ‘Oh Kay!’ e ‘Funny Face’, estrelado por Fred Astaire e sua irmã Adele.

edifícios de Tin Pan Alley    fred astaire, george gershwin, ira gershwin

Edifícios de Tin Pan Alley em seu auge; Fred Astaire, George Gershwin, Ira Gershwin

Enquanto continuou a compor música popular para o palco, Gershwin começou a levar uma vida dupla, tentando deixar sua marca como compositor com influências de jazz. Foi quando o ‘bandleader’ e diretor de orquestra Paul Whiteman pediu a ele para compor um trabalho baseado no blues para um concerto de jazz, o resultado foi ‘Rhapsody in Blue’. George Gershwin tinha 25 anos, quando ‘Rhapsody in Blue’ estreou na sala de concertos ‘Aeolian Hall’ de Nova York no show, ‘An Experiment in Music’. A audiência incluiu Jascha Heifetz, um dos maiores virtuoses da história do violino; Fritz Kreisler, outro mestre do violino e compositor austríaco; Leopold Stokowski, famoso regente orquestral que conduziu peças de música clássica para o filme ‘Fantasia’ produzido por Walt Disney em 1940; e os compositores, pianistas e maestros russos Sergei Rachmaninoff e Igor Stravinsky.

Oskar Fried, Eva Gauthier, Maurice Ravel no piano; Manoah Leide-Tedesco e George Gershwin

Oskar Fried, maestro e compositor alemão; Eva Gauthier, mezzo-soprano e professora de voz canadense; Maurice Ravel, compositor e pianista francês; Manoah Leide-Tedesco, compositor, maestro e violinista italiano; e George Gershwin

George vai para Paris para iniciar um estudo de música e lá ele conhece a pintora Christine Gilbert, por quem se enamora, que o apresenta a Maurice Ravel e outros compositores. De volta a Los Angeles, com Christine a tiracolo, o que causou o divórcio da esposa Julie Adams, George começa a compor freneticamente. Christine volta a Paris quando percebe que a música é mais importante do que ela. Em 1931, George ganha o Prêmio Pulitzer com o musical ‘Of Thee I Sing’, que satiriza a política americana. E escreve seu trabalho mais ambicioso, a ópera folk ‘Porgy and Bess’, uma ópera com artistas negros, em colaboração com Ira e o romancista DuBose Heyward. A ópera é apresentada em 1935, em Boston, com apenas um sucesso moderado. ‘Porgy and Bess’ é agora reconhecida como uma das obras seminais da ópera norte-americana, que incluía as canções memoráveis: ‘It Ain’t Necessarily So’, ‘I Loves You, Porgy’ e ‘Summertime’. Em 1936, depois de muitos sucessos na Broadway, os irmãos decidiram ir para Hollywood para escrever para o estúdio de cinema RKO. Mais uma vez eles se uniram a Fred Astaire, que agora fazia dupla com Ginger Rogers.

george e ira gershwinGeorge Gershwin nasceu no Brooklyn, Nova York, com o nome de Jacob Gershowitz, em uma família pobre de imigrantes judeus, oriundos da Rússia. O amor pela música aconteceu desde cedo ajudado por sua amizade com o violinista Max Rosen. Quando os pais compraram um piano para seu irmão mais velho, Ira Gershwin, foi George, então com doze anos, que tomou-o exclusivamente para si. Aos quatorze anos começou a ter aulas com a figura chave na sua vida musical, Charles Hambitzer, um compositor e pianista de grande gosto musical. De Hambitzer, Gershwin recebeu um treinamento clássico, mas ele estava ciente da revolução musical ao redor dele, em particular o trabalho de Jerome Kern, um dos mais importantes compositores do teatro musical do início do século XX. George Gershwin foi influenciado pelo ragtime e pelo piano stride, ou apenas stride, um estilo de jazz para piano que foi desenvolvido nas grandes cidades da costa leste, principalmente em Nova York, durante 1920 e 1930. George e seu irmão Ira se tornaram um das grandes duplas criativas da história da música, cada um em sintonia com as sutilezas do outro. Escreveram centenas de canções, em conjunto e individualmente, que foram usadas em shows da Broadway e filmes de Hollywood. Juntos, ajudaram a elevar o teatro musical americano a uma forma de arte legítima e criaram algumas das melhores músicas conhecidas do século XX.

Em meados de 1937, George começou a se queixar de dores de cabeça, mas os médicos diagnosticavam seus sintomas como stress. Na realidade, ele sofria de um tumor cerebral. Após adoecer, enquanto trabalhava em um filme, George tinha planos para retornar a Nova York para escrever música ‘séria’. Ele planejou um quarteto de cordas, um ballet e uma outra ópera, mas estas peças nunca foram escritas. Com 38 anos, ele morreu. Hoje ele continua sendo um dos mais amados músicos populares. Após a morte de seu irmão, Ira Gershwin esperou quase três anos antes de escrever novamente. Ao longo dos 14 anos seguintes, continuou a escrever as letras para trilhas sonoras de filmes e alguns shows da Broadway. Morreu em 1983 com 86 anos.

Existe um filme biográfico de George Gershwin chamado 'Rhapsody in Blue' de 1945. Clique aqui para baixar.

aretha franklin - It aint necessarily so


‘The Essential George Gershwin’, com 41 faixas é dedicado, cronologicamente, a interpretações de suas obras clássicas, tanto instrumental, vocal pop com Frank Sinatra, Dinah Shore, Doris Day, Rosemary Clooney, Mel Torme e Tony Bennett, quanto o jazz por Miles Davis, Ethel Waters, Billie Holiday, Benny Goodman, Harry James, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Alberta Hunter e Cab Calloway. Há também artistas mais associados com a tela do cinema e o palco do que com estúdios de gravação, como Fred Astaire e Gene Kelly. E há também alguns itens bastante incomuns: ‘It Ain't Necessarily So’ com Aretha Franklin; ‘Third Movement’ (Allegro Agitato) com Oscar Levant no piano acompanhado da Orquestra de Nova York; e ‘Of Thee I Sing’ com ‘The Hi-Lo's’ um quarteto formado em 1953 por Gene Puerling (baixo-barítono, arranjador e líder), Bob Strasen (baritono), Bob Morse (barítono e ocasionalmente solista) e Clark Burroughs (tenor). A versão de ‘Rhapsody in Blue’, com George Gershwin no piano combina sua gravação original de 1925 com a orquestração adicionada em 1976, muito depois de sua morte.‘Summertime’ é uma ária composta por Gershwin em 1935 para a ópera ‘Porgy and Bess’. A letra é de DuBose Heyward, o autor do romance ‘Porgy’ em que a ópera foi baseada e a música foi inspirada em uma canção ucraniana de ninar, ‘Oi Khodyt Son Kolo Vikon’ (Um Sonho Passa Pela Janela).

george gershwin - the essential (2003)

The Essential George Gershwin (2003)

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CD 1    CD 2
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CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. George Gershwin - Prelude No. 2 for Piano
02. Ethel Waters - I Got Rhythm
03. Buck & Bubbles - Oh Lady, Be Good
04. Billie Holiday - Summertime
05. Maxine Sullivan and Her Orchestra - Nice Work If You Can Get It
06. Fred Astaire - They Can't Take That Away From Me
07. Al Jolson – Swanee
08. Benny Goodman – Liza
09. Frank Sinatra - Someone to Watch Over Me
10. Dinah Shore and Buddy Clark - 'S Wonderful
11. Jane Rusell - Do It Again
12. Dorothy Kirsten – Soon
13. Morton Gould, His Piano and Orchestra - Fascinating Rhythm / Someone to Watch Over Me
14. Billie Holiday and Her Orchestra - The Man I Love
15. Fred Astaire - Let's Call the Whole Thing Off
16. Gene Kelly - Love Is Here To Stay
17. Felicia Sanders - How Long Has This Been Going On
18. Harry James and His Orchestra – Blues
19. Doris Day - But Not For Me
20. Rosemary Clooney - A Foggy Day
21. George Guetary - I'll Build a Stairway To Paradise
22. Oscar Levant - Third Movement (Allegro Agitato)

Tracklist CD 2
01. Buffalo Philharmonic - Of Thee I Sing Overture
02. Tony Bennett - They All Laughed
03. The Hi-Lo's - Of Thee I Sing
04. Los Angeles Philharmonic - Promenade (Walking The Dog)
05. Ella Fitzgerald - I've Got a Crush On You
06. Alberta Hunter - Somebody Loves Me
07. Maureen McGovern - Love Walked In / Embraceable You
08. Dick Hyman – Mine
09. Mel Torme - Isn't It A Pity
10. Andre Kostelantez and His Orchestra - Introduction and Jazzbo Brown
11. Aretha Franklin - It Ain't Necessarily So
12. Robert McFerrin and Adele Addison - Bess, You Is My Woman Now
13. Miles Davis - I Loves You, Porgy
14. Sarah Vaughan - My Man's Gone Now
15. Cab Calloway - There's A Boat Dat's Leavin' Soon For New York
16. Tony Bennett - Who Cares
17. George Gershwin - Rhapsody on Blue
18. Andre Kostelanetz and His Orchestra - Strike Up The Band
19. Michael Feinstein - Home Blues

‘The Complete Gershwin Songbooks’ é composto por três discos também divulgados separadamente: 'S Wonderful, 'S Marvelous e ‘S Paradise. Os dois primeiros incluem os maiores vocalistas que a gravadora estadunidense de jazz ‘Verve Records’ tinha para oferecer: Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Louis Armstrong, Anita O'Day, Shirley Horn, Sarah Vaughan, Dinah Washington, Bing Crosby, Joe Williams, Fred Astaire e até mesmo o nosso maestro Antonio Carlos Jobim. Obviamente, que todas as músicas são clássicos do jazz e as versões apresentadas são lendárias. O terceiro disco do conjunto inclui versões instrumentais de Gershwin por Bill Evans, Coleman Hawkins, Stan Getz, Clifford Brown, Art Tatum, Oscar Peterson.

george gershwin - the complete songbooks (1995)

The Complete Gershwin Songbooks (1995)

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CD 1    CD 2    CD 3
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CD 1    CD 2    CD 3

Tracklist CD 1: ‘S Wonderful
01. Billie Holiday - They Can’t Take That Away From Me
02. Helen Merrill - Summertime
03. Ella Fitzgerald & Louis Armstrong - Let’s Call The Whole Thing Off
04. Sarah Vaughan - Embraceable You
05. Dinah Washington - But Not For Me
06. Bing Crosby - They All Laughed
07. Betty Carter - The Man I Love
08. The Gordons with Dizzy Gillespie and Stuff Smith - Oh, Lady Be Good
09. Louis Armstrong - There’s A Boat Dat’s Leavin’ Soon For New York
10. Ella Fitzgerald - How Long Has This Been Going On?
11. Joe Williams - ‘S Wonderful
12. Nina Simone - I Loves You Porgy
13. Bill Henderson - I’ve Got a Crush On You
14. Fred Astaire - Fascinatin’ Rhythm
15. Blossom Dearie - Someone To Watch Over Me
16. Shirley Horn - Our Love Is Here To Stay

Tracklist CD 2: ‘S Marvelous
01. Ernestine Anderson - I Got Rhythm
02. Billie Holiday - Nice Work If You Can Get It
03. Joe Williams - Embraceable You
04. Anita O’day - Who Cares?
05. Louis Armstrong - A Woman Is A Sometime Thing
06. Sarah Vaughan - Love Walked In
07. Blossom Dearie - Love Is Here To Stay
08. Fred Astaire - Oh, Lady Be Good
09. Ella Fitzgerald - Of Thee I Sing
10. Morgana King - For You For Me, For Evermore
11. Dinah Washington - A Foggy Day
12. Arthur Prysock - Someone To Watch Over Me
13. Shirley Horn - Isn’t It A Pity?
14. Ella Fitzgerald & Louis Armstrong - They Can’t Take That Away From Me
15. Sarah Vaughan - ‘S Wonderful
16. Antonio Carlos Jobim - Fascinatin’ Rhythm

Tracklist CD 3: ‘S Paradise (instrumentals)
01. Louie Bellson - Fascinatin’ Rhythm
02. Bill Evans And Jim Hall - My Man’s Gone Now
03. Buddy DeFranco - Mine
04. Coleman Hawkins - How Long Has This Been Going On?
05. Oscar Peterson - Somebody Loves Me
06. Kenny Burrell - Prelude II
07. George Shearing - They All Laughed
08. Stan Getz & Bob Brookmeyer - Nice Work If You Can Get It
09. Bill Evans - I Loves You, Porgy
10. Jimmy Cleveland - Love Is Here To Stay
11. Toshiko Akiyoshi - The Man I Love
12. Tal Farlow - A Foggy Day
13. Oscar Peterson - Strike Up The Band
14. Clifford Brown - Embraceable You
15. Don Elliott - ‘S Wonderful
16. Art Tatum - Someone To Watch Over Me

terça-feira, 2 de agosto de 2011

lorez alexandria

lorez alexandriaLorez Alexandria nos dá uma nova sensação a cada interpretação e improvisa com sutileza. Ela nunca teve um público maior, mas era altamente considerada como cantora de jazz por aqueles que conheciam o seu trabalho, seja como críticos, músicos ou fãs. Mas, qualquer pessoa familiarizada com seu repertório pode certamente atestar seu estilo impressionantemente amplo e a sua capacidade de mostrar também seu talento no soul, r&b e música popular. Como é o caso de artistas como a grande Nina Simone, Lorez deixou sua marca como uma vocalista impressionantemente interpretativa. Dolorez Alexandria Turner, seu nome verdadeiro, veio de uma família musical, e cantou inicialmente em coros de igreja a partir dos anos 40 e em grupos gospel durante 11 anos, e sempre abominou o evangelho do jazz e da ‘soul music'. Depois, no entanto, trabalhou em clubes noturnos de Chicago na década de 50. Seu sentimento pelo jazz e a influência de Sarah Vaughan eram inegáveis. Suas raízes estavam lá. Com o lançamento de vários álbuns como o ‘King Fleming Quartet’ do pianista Walter Fleming e com o trio do pianista Ramsey Lewis entre 1957 e 1959, Lorez se tornou popular além da sua cidade natal, Chicago. Este foi o período mais florescente, e pelo início dos anos 60 ela estava vivendo e trabalhando em Los Angeles onde começou a concentrar-se mais em jazz, sempre bem acompanhada por músicos da órbita de Count Basie. E gravou extensivamente com o trompetista Howard McGhee, com o pianista Wynton Kelly e o baixista Israel Crosby. Apesar de um longo período sem gravar, 10 anos, voltou ao estúdio em 1977, para lançar vários álbuns inteiramente dedicados à música de Johnny Mercer, acompanhada pelo saxofonista tenor Houston Pearson, pelo baixista Ray Drummond e o baterista Kenny Washington. Lorez Alexandria sobreviveu a muitas mudanças em estilos musicais e podia ser ouvida em excelente forma, com a experiência e maturidade adquiridas, até que ela se aposentou em meados dos anos 90. Não muito tempo depois Lorez sofreu um derrame, e sua saúde declinou até sua morte em 2001.

Russell Williams, King Fleming, Lorez Alexandria e Aubrie JonesRussell Williams, King Fleming, Lorez Alexandria e Aubrie Jones

Em ‘For Swingers Only’, um dos mais raros álbuns de Lorez, ela é apoiada por alguns dos melhores do jazz de Chicago do período. Enquanto o pianista John Young era uma espécie de lenda em Windy City, o baixista Jimmy Garrison era mais conhecido por seu longo mandato com o Quarteto de John Coltrane. Para quem quer ouvir jazz em um ambiente íntimo, ‘For Swingers Only’ é essencial. Um tesouro do jazz dos anos 60. A instrumentação inclui a flauta e o sax tenor de Ronald Wilson, a guitarra agradável de George Eskridge e a bateria de Phil Thomas.

Em ‘Alexandria the Great’, Lorez tinha 35 anos na época, e foi produzido por Bob Thiele. Bob, aos 14 anos apresentava um programa de rádio de jazz, e também tocava clarinete, aos 17 anos, fundou a ‘Signature Records’ e gravou com muitos grandes nomes do jazz, incluindo Lester Young, Errol Garner e Coleman Hawkins. Depois assumiu a chefia da ‘Impulse! Records’ e gravou artistas como John Coltrane, Charles Mingus, Dizzy Gillespie, Sonny Rollins e outros. Em ‘Alexandria the Great’, os músicos são: Wynton Kelly ou Victor Feldman no piano, Bud Shank ou Paul Horn na flauta, Paul Chambers no baixo e Jimmy Cobb na bateria.

lorez alexandria - love look away


lorez alexandria - sings songs everyone knows (1959)    lorez alexandria - deep roots (1962)

Sings Songs Everyone Knows (1959)
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Deep Roots (1962)
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Tracklist: Sings Songs Everyone Knows
01. Just One of Those Things 02. Then I'll Be Tired of You 03. Lush Life 04. Sometimes I'm Happy 05. Long Ago (And Far Away) 06. But Beautiful 07. I'm Beginning to See the Light 08. I Can't Believe That You're in Love With Me 09. Spring Is Here 10. Angel Eyes 11. Better Luck Next Time 12. I Didn't Know What Time It Was

Tracklist: Deep Roots
01. Nature Boy 02. I Was a Fool 03. No Moon at All 04. Spring Will Be A Little Late This Year 05. Softly As In the Morning Sunrise 06. Detour Ahead 07. It Could Happen To You 08. Travelin' Light 09. Almost Like Being In Love 10. I Want To Talk About You

lorez alexandria - for swingers only (1963)    lorez alexandria - alexandria the great (1964)

For Swingers Only (1963)
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Alexandria the Great (1964)
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Tracklist: For Swingers Only
01. Baltimore Oriole 02. Little Girl Blue 03. All or Nothing at All 04. Traveling Down a Lonely Road 05. Mother Earth 06. Love Look Away 07. The End of a Love Affair 08. That Old Devil Called Love

Tracklist: Alexandria the Great
01. Show Me 02. I've Never Been In Love Before 03. Satin Doll 04. My One And Only Love 05. Over The Rainbow 06. Get Me To The Church On Time 07. The Best Is Yet To Come 08. I've Grown Accustomed To His Face 09. Give Me The Simple Life 10. I'm Through With Love

quinta-feira, 23 de junho de 2011

bix beiderbecke

bix beiderbeckeBix Beiderbecke, cornetista, pianista e compositor, desenvolveu na década de 20 um estilo independente com influência de Louis Armstrong. Ele era conhecido por seu tom de voz suave, e seu timbre único ao dedilhar a corneta deu a sua obra um caráter introspectivo e ganhou reputação e influenciou outros músicos brancos de jazz. Seus solos mais famosos estão nas gravações ‘Singin′ the Blues’ e ‘I'm coming Virginia’ com a orquestra do saxofonista Frankie Trumbauer. Um dos muitos mitos ditos sobre Bix Beiderbecke é que ele jogou fora a sua carreira na companhia de músicos que não entendiam as suas avançadas idéias musicais. Frankie ‘Tram’ Trumbauer, entendeu o que Bix estava tentando fazer. Também influenciado pelo compositor clássico Claude Debussy, são poucos os exemplares sobreviventes de Bix Beiderbecke como pianista, a notável ‘In a Mist’ de 1927, é uma delas, assim como ‘In The Dark’ e ‘Candlelights’, posteriormente gravadas por grandes pianistas.

Bix Beiderbecke foi um dos maiores músicos de jazz da década de 20, sua ascensão e queda, e eventual status como mártir, fez dele uma lenda, mesmo antes de morrer. E ficou como prova de que nem todos os inovadores da história do jazz eram negros. Possuidor de um estilo de improvisar notavelmente original, o seu único concorrente foi Louis Armstrong, mas devido aos seus diferentes sons e estilos é realmente difícil compará-los. Se Bix Beiderbecke tivesse vivido mais tempo ele teria se tornado um dos maiores compositores da América. Apesar de sua falta de treinamento formal, Beidebecke surgiu como o primeiro jazzmen a tentar unir os mundos do jazz e do expressionismo europeu. Com sua corneta e piano ele contribuiu para expandir a estrutura melódica e harmônica do jazz.

 frankie trumbauer orquestra 1925    frankie trumbauer
Frankie Trumbauer Orquestra (1924)

Leon Bismark ‘Bix’ Beiderbecke, o segundo filho de imigrantes alemães de classe média foi uma criança prodígio. Nasceu em 1903, em Davenport, Iowa, cidade situada ao longo do rio Mississippi em cujas margens, quando adolescente, ia para ouvir as bandas vindas do sul. Seu pai era proprietário de uma madeireira e carvoaria e sua mãe, pianista. Dotado de um ouvido musical preciso, aos três anos de idade, começou a tocar melodias simples. Tocava de ouvido e aulas particulares semanais fizeram pouco para incutir a disciplina da leitura ao jovem talentoso, o que frustrava seu instrutor. Após a Primeira Guerra Mundial, seu irmão mais velho Charles trouxe vários 78 rpm gravados pela ‘Original Dixieland Jazz Band’ e Bix foi atraído pelo som do trompetista da banda, Nick LaRocca, e com uma corneta de um amigo aprendeu nota por nota. Mantendo esse seu estudo em segredo, ele continuou a tocar piano, e começou um pequeno grupo que tocava em bailes no ginásio da escola. Desiludido sobre o interesse de seu filho em uma forma de arte nada ‘respeitosa’ e com as baixas notas do ensino médio, Bismark e Agatha enviaram Bix para uma escola rigorosa localizada ao norte de Chicago onde ganhou reputação como pianista versátil na orquestra da escola.

bix beiderbecke 3 - The Wolverine Orchestra 1925
The Wolverine Orchestra (1924)

Em 1921, Bix Beiderbecke juntou forças com o saxofonista Samuel ‘Sid’ Stewart, e com o baterista Walter Ernest ‘Cy’ Welge, na formação da ‘Cy-Bix Orchestra’. Em 1922, partiu para New York para ouvir a ‘Original Dixieland Jazz Band’ e o seu mentor, o trompetista Nick LaRocca, que finalmente permitiu que Bix subisse ao palco com o grupo. Na primeira semana em New York viveu o caos de pegar táxis e trens para audições que nunca se materializaram. Sem emprego musical, Beiderbecke voltou para Davenport, onde seu pai exigiu que ele trabalhasse nos negócios da família. Cansado do seu trabalho, mais uma vez partiu para Chicago onde conseguiu trabalhar com a banda do saxofonista tenor Dale Skinner. Mas os membros da banda ficaram impressionados com a estranheza de estilo que acharam ‘indigesto’.

Jean Goldkette Orquestra    
Jean Goldkette Orquestra

De volta a Davenport, em 1923, recebeu uma oferta para se juntar a uma banda no Club Stockton, em Ohio. O limitado repertório incluía a música ‘Wolverine Blues’ de Jelly Roll Morton, que deu origem ao nome da banda, ‘The Wolverine Orchestra’ que teve impacto na cena musical. A crescente reputação da banda a levou a uma sessão de gravação no rótulo ‘Gennett’ lançando duas músicas da ‘Original Dixieland Jazz Band’, ‘Jazz Me Blues’ e ‘Fidgety Feet’. Em oposição à aceitação crítica de suas gravações, a banda não conseguiu atrair um grande número de seguidores. Em 1924, voltaram ao estúdio para a sua segunda gravação. No mesmo ano entrou para uma das mais talentosas e elegantes orquestras, a de Jean Goldkette, sendo descartado pelo engenheiro de som Eddie T. King que desdenhava o seu estilo.

Rhythm Jugglers 1924

Em uma sessão de gravação na ‘Gennett Records’ com a sua banda ‘Rhythm Jugglers’ dissolvida em 1925 e formada por Howdy Quicksell (banjo), Tom Gargano (bateria), Paul Mertz (piano), Don Murray (clarinete), Bix Beiderbecke (corneta) e Tommy Dorsey (trombone)

Em 1925, conduziu a sua própria banda, a ‘Rhythm Jugglers’, com Tommy Dorsey, Don Murray, e Paul Mertz, membros da orquestra de Jean Goldkette que foi dissolvida. Suas gravações inovadoras e influentes com as orquestras de Frankie Trumbauer e de Jean Goldkette o tornaram um músico procurado em Chicago e Nova York. Em 1927, Bix e Trumbauer, entraram para a banda de Adrian Rollini no New Club Yorker, New York. Beiderbecke, em seguida, mudou-se para a orquestra do bandleader Paul Whiteman, a banda mais popular e mais bem paga. Com Whiteman, os solos de Beiderbecke eram breves momentos de magia, por vezes, estranhos, ‘Sweet Sue’ é um exemplo perfeito. Para os seus seguidores cada nota que ele tocava era especial.

Beiderbecke teve problemas de saúde desde tenra idade e declinou ainda mais em sua vida adulta. Ele viajava incansavelmente, e consumia bebidas em excesso, muitas das quais de baixa qualidade devido a Lei Seca, como o gim produzido em banheiras com álcool importado ilegalmente. Como resultado, suas apresentações tornaram-se sofríveis e o seu estado de confusão mental era frequente. Paul Whiteman ficou tão frustrado com o seu comportamento que escreveu em uma partitura a nota ‘Wake up, Bix’. Em 1929, Paul o enviou de volta para a casa dos pais para se recuperar de um colapso causado pelo alcoolismo e problemas relacionados com o stress da turnê. Seu tratamento foi bem-sucedido, mas já era tarde. Bix tornou-se uma figura cada vez mais triste, e ao longo dos dois anos seguintes, quando ele estava bem o suficiente para viajar, a sua maneira de tocar nem sempre era a mesma. No final de 1931, fixou residência em New York, e foi lá que Bix Beiderbecke morreu sozinho com apenas 28 anos de idade. Um homem sensível e solitário, inquieto ele mudava de emprego constantemente. Impulsionado pela ambição artística, quando foi forçado a tocar em gravações comerciais tornou-se infeliz e bebia muito até que finalmente morreu.

paul whiteman orquestra 1929    paul whiteman
Paul Whiteman Orquestra (1929)

Embora a causa oficial da morte tenha sido pneumonia e edema cerebral, Beiderbecke morreu durante um estado extremo de embriaguez, o delirium tremens, uma condição potencialmente fatal, principalmente em pacientes debilitados como era o seu caso. O vício, frequentemente, o impedia de se apresentar e a sua morte precoce contribuíram para torná-lo uma das lendas românticas do início do jazz. Embora ele tenha morrido na obscuridade, Bix Beiderbecke tem sido aclamado como um dos primeiros importantes músicos brancos do jazz. Sendo retratado em livros e filmes como um modelo irresponsável da juventude dos loucos anos 20, os estudiosos passaram décadas a dissipar este mito em torno de Beiderbecke. Para o seu amigo e mentor Louis Armstrong, o seu coração estava nele o tempo todo quando tocava. Como artista autodidata, Bix Beiderbecke conseguiu, através do dom da afinação perfeita e inventiva e com sagacidade fundir elementos do mundo do jazz com as modernas idéias européias, uma visão criativa que antecederam o movimento do jazz moderno por duas décadas.

bix beiderbecke - singin' the blues


Em 2006 a ‘Primo Records’ lançou a coleção de 40 faixas intitulada ‘The Art of Bix Beiderbecke’ que cobre o período de tempo que se estende desde 20 de junho de 1924 a 21 de maio de 1930, sobre o trabalho precoce de Bix com a ‘The Wolverine Orchestra’ e ‘The Sioux City Six’; revisita suas colaborações com o saxofonista Frankie Trumbauer e como líder da ‘Bix and his Rhythm Jugglers’. Também está incluído as participações de Bix como membro da orquestra de Paul Whiteman em dois títulos: ‘Rockin' Chair’ e ‘Barnacle Bill the Sailor’ que acabou sendo a última sessão de Bix que já bastante doente e sentado em uma cadeira tocou a sua corneta ao lado do trompetista Bubber Miley, outro brilhante músico cuja vida e carreira foram devastadas pelo alcoolismo. Este grupo, liderado pelo vocalista Hoagy Carmichael também incluia o trombonista Tommy Dorsey, o clarinetista Benny Goodman, o saxofonista tenor Bud Freeman, o violinista Joe Venuti, o guitarrista Eddie Lang, o baterista Gene Krupa e em ‘Barnacle Bill the Sailor’ pelo rude cantor de country Carson Robison. ‘The Art of Bix Beiderbecke’ é um mistura vertiginosa de gravações de jazz clássico ao longo de um período de seis anos, uma excelente forma de ouvir os destaques do legado de Bix Beiderbecke.

the art of bix beiderbecke (2007)

The Art of Bix Beiderbecke (1924-1930)

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CD 1
CD 2
parte I    parte II

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CD 1
CD 2
parte I    parte II

Tracklist: CD 1
01. Singin' the Blues 02. Trumbology 03. Clarinet Marmalade 04. Riverboat Shuffle 05. I'm Coming Virginia 06. Way Down Yonder in New Orleans 07. Fidgety Feet 08. Jazz Me Blues 09. Copenhagen 10. Sensation 11. I'm Glad 12. Toddlin' Blues 13. Davenport Blues 14. In a Mist 15. For No Reason at All in C 16. Wringin' and Twistin' 17. Three Blind Mice 18. Humpty Dumpty 19. Krazy Kat 20. Baltimore

Tracklist: CD 2
01. At the Jazz Band Ball 02. Royal Garden Blues 03. Jazz Me Blues 04. Goose Pimples 05. Sorry 06. Clementine (From New Orleans) 07. Changes 08. There Ain't No Sweet Man That's Worth the Salf of My Tears 09. Lonely Melody 10. You Took Advantage of Me 11. Rockin' Chair 12. Barnacle Bill the Sailor 13. Mississippi Mud 14. Japanese Sandman 15. Cryin' All Day 16. Good Man Is Hard to Find 17. Since My Best Gal Turned Me Down 18. Somebody Stole My Gal 19. Rhythm King 20. Ol' Man River

bix beiderbecke - anthology (1993)

Anthology (1993)

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CD 1    CD 2    CD 3

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CD 1    CD 2    CD 3

Tracklist: CD 1
01. Fidgety Feet 02. Jazz Me Blues 03. Copenhagen 04. Riverboat Shuffle 05. Royal Garden Blues 06. Tiger Rag 07. Sensation 08. Tia Juana 09. I Didn't Know 10. Idolizing 11. Sunday 12. Hoosier Sweetheart 13. My Pretty Girl 14. Sunny Disposish 15. Blue River 16. Clementine 17. In A Mist 18. At The Jazz Band Ball 19. Ol' Man River 20. Rhythm King

Tracklist: CD 2
01. Clarinet Marmalade 02. Singin' The Blues 03. Ostrich Walk 04. Riverboat Shuffle 05. I'm Coming Virginia 06. Way Down Yonder In New Orleans 07. Three Blind Mice 08. Krazy Kat 09. Bless You Sister 10. Baby Won't You Please Come Home 11. Washboard Blues 12. Lonely Melody 13. Dardanella 14. My Melancholy Baby 15. Tain't So Baby, 'Tain't So 16. Gipsy 17. Sweet Sue 18. China Boy 19. Oh, Miss Hannah 20. From Monday On

Tracklist: CD 3
01. Oh Baby 02. Susie (Of The Islands) 03. I Need Some Pettin' 04. Lazy Daddy 05. Big Boy 06. Just One More Kiss 07. Proud Of A Baby Like You 08. I'm Looking Over A Four Leaf Clover 09. I'm Gonna Meet My Sweetie Now 10. Slow River 11. Goose Pimples 12. Sorry 13. Thou Swell 14. Louisiana 15. Humpty Dumpty 16. The Baltimore 17. Crying All Day 18. There'll Come A Time 19. Mississippi Mud 20. Borneo

quinta-feira, 26 de maio de 2011

carol kaye

carol kayeMesmo que você nunca tenha ouvido falar de Carol Kaye, provavelmente, ouviu o trabalho desta veterana baixista e guitarrista em inúmeras gravações, incluindo muitos hits pops como: ‘Good Vibrations’ (Beach Boys); ‘You Lost That Lovin’ Feelin’ e ‘Soul and Inspiration’ (The Righteous Brothers); ‘The Beat Goes On’ e ‘I Got You Babe’ (Sonny e Cher); ‘Feelin’ Alright’ (Joe Cocker); ‘Scarborough Fair/Canticle’ (Simon and Garfunkel) e o tema do seriado ‘Mission Impossible’ para TV. E era a única mulher instrumentista de estúdio trabalhando com um lendário grupo de músicos de Los Angeles como os bateristas Earl Palmer e Hal Blaine, e os guitarristas Tommy Tedesco e Barney Kessel.

Considerada a primeira-dama do baixo, no entanto, ela ainda é praticamente desconhecida. Carol Kaye começou como guitarrista em uma carreira de sucesso que inclui participações em trilhas sonoras gravadas para televisão, cinema e publicidade, bem como mais de 10.000 gravações de estúdio. A partir de 1969, Kaye escreveu e publicou muitos livros e tutoriais, e vídeos com instruções de como tocar o baixo. Também ensinou muitos baixistas, hoje bem conhecidos. Carol Kaye, nasceu em 1935, em Everett, Washington, em uma família pobre. Seis anos mais tarde a família se mudou para a Califórnia. Aos 13 anos, Kaye teve aulas de violão por três meses com Horace Hatchett e em um ano, em 1949, ela estava ensinando. Aos 14, era guitarrista de jazz profissional e fazia o circuito de clubes de jazz.

Com 20 anos de idade estava tocando jazz com as big bands. Fortemente influenciada pelos pais Clyde e Dot Smith, as outras influências incluem Ray Charles, Charlie Christian, Duke Ellington, Miles Davis, Hampton Hawes, Ralph Pena, Howard Roberts, Artie Shaw, Horace Silver e Sonny Stitt. Entre 1956 e 1963 fez parte de grupos de jazz mais populares de Los Angeles. Em 1957 conheceu Bumps Blackwell, que era o gerente de Little Richard e produtor de Sam Cooke com quem gravou. Em 1963, quando um baixista não apareceu para uma gravação na ‘Capitol Records’, Carol entrou em cena e iniciou sua carreira como baixista criando um som totalmente novo usando palheta.

carol kaye    carol kaye
Carol Kaye durante a era do bebop em 1955 e no estúdio em 1974

Após a sua iniciação acidental no baixo elétrico, rapidamente se tornou a mais popular, posição que manteve durante a década de 60. Ela tocou com Ritchie Valens em ‘La Bamba’, em várias faixas de Simon & Garfunkel e entre seus trabalhos mais citados está o álbum ‘Pet Sounds’ da banda californiana ‘Beach Boys’. E trabalhou com a maioria dos principais produtores e diretores musicais de Los Angeles naquela época, inclusive Quincy Jones, Michel Legrand, Elmer Bernstein e Lalo Schifrin. Tocou baixo em várias faixas do grupo de pop rock ‘The Monkees’ e na trilha sonora para um jovem Steven Spielberg. Com Frank Zappa tocou violão de 12 cordas no inovador álbum ‘Freak Out!’ e tocou em algumas músicas para o álbum seguinte, mas recusou-se a continuar, devido a algumas letras que considerou ofensivas.

A vida como performer de estúdio de gravação era tudo menos glamoroso. O ritmo era frenético e apesar da camaradagem entre os músicos, a competição era acirrada. A única coisa que importava era conseguir o cheque. Naquela época, os músicos não eram reconhecidos. Durante o tempo em que Kaye trabalhou como artista de gravação de estúdio nos anos 60 e início dos anos 70 havia cerca de 17.000 outros músicos fazendo um trabalho semelhante. E todos eram artistas independentes. Brancos e negros que trabalhavam em conjunto com uma loira no baixo no momento em que ocorriam os distúrbios raciais. Vários destes artistas, que estiveram por trás de discos de sucesso, morreram sem serem conhecidos pelo público. Carol Kaye se afastou do trabalho em estúdio durante os anos 70 por causa da artrite. Mais tarde, tornou-se ativa novamente como intérprete de jazz ao vivo e professora de baixo e guitarra, dando seminários e entrevistas.

carol kaye - better days


picking up on the e-string (1974)

Picking up on the E-string (1974)
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Personnel: Carol Kaye (bass fender); Ray Brown (bass double); Earl Palmer (drums tracks: 2, 4, 8), John Guerin (drums tracks: 1, 3, 5), Paul Humphrey (drums tracks: 6, 7); Joe Sample (electric piano tracks: 1, 3, 5); Howard Roberts (guitar tracks: 1, 3, 5), Joe Pass (guitar tracks: 2, 4, 6 e 8); Joe Sample (piano tracks: 2, 4, 8); Tom Scott (saxophone, flute tracks: 2, 4, 8); J.J. Johnson (trombone tracks: 2, 4, 8); Conte Condoli (trumpet tracks: 2, 4, 8)
Tracklist: 01. Bass Catch 02. Burning Spear 03. Greenapple Quickstep 04. Better Days 05. Moke & Poke Stomp 06. Boogaloo 07. Slick Cat 08. Free Sample

segunda-feira, 9 de maio de 2011

fats waller

fats waller Embora seu nome não seja conhecido entre os leigos do jazz, Fats Waller é considerado, por muitos críticos, como o mais completo pianista de jazz, acima de Duke Ellington, Jelly Roll Morton, e até mesmo de Erroll Garner. De 1934, quando assinou contrato com a RCA Victor até 1942 foram gravadas 300 peças. E os seus registros e o nome de Fats Waller, no curto espaço de tempo em que viveu, tornaram-se um dos maiores tesouros da história do jazz. Pianista, organista, vocalista e compositor tocava o estilo ‘stride’ de piano, estilo que foi desenvolvido nas grandes cidades da Costa Leste, principalmente em Nova York, durante 1920 e 1930. E com sofisticação influenciou pianistas estilisticamente diferentes como Art Tatum, Thelonious Monk, Bud Powell e Joe Zawinul.

Fats Waller foi um pianista de um impressionante talento que chamou a atenção dos ricos e famosos. Em Chicago, no ano de 1926, foi seqüestrado por quatro capangas do famoso gangster Al Capone e levado para uma festa em andamento e com uma arma nas costas foi ordenado que tocasse. A festa era o aniversário de Capone e Fats Waller tocou durante três dias. Quando deixou o prédio estava muito bêbado, extremamente cansado e com milhares de dólares nos bolsos. Inimitável e com um incansável senso de humor, Fats Waller e sua personalidade efervescente eram maiores que a vida. Ele espremeu cada gota de vida, e, aparentemente, cada garrafa que ele pode colocar em suas mãos. Foram anos de vida dura e uma rigorosa agenda de shows, que terminou em uma pneumonia brônquica.

Fats Waller

Thomas Wright Waller nasceu em New York, em 1904, e era filho de um pastor de Igreja, seu avô era violinista e aprendeu a tocar órgão na igreja com sua mãe. Sua importância é também como o primeiro grande organista do jazz. Aos 15 anos já era organista do Lincoln Theater, fato que irritou o seu pai que queria que ele seguisse o seu caminho, o caminho de Deus. Em 1918, Fats ganhou um concurso de talentos tocando ‘Carolina Shout’ do pianista James P. Johnson que ele aprendeu ouvindo em uma pianola que tocava a música. Mais tarde, ele viria a ter aulas de piano com o próprio Johnson que o ensinou como fazer rolos para piano. E depois estudou com o pianista e compositor polonês naturalizado estadunidense, Leopold Godowsky, e teve aulas na ‘Juilliard School’.

Fats Waller começou a sua carreira em 1922, animando festas, como organista nos cinemas e como acompanhante em várias apresentações de ‘vaudeville’ - um gênero de entretenimento de variedades predominante nos Estados Unidos e Canadá do início dos anos 1880 ao início dos anos 1930 que tornou-se um dos mais populares tipos de empreendimento dos Estados Unidos; a cada anoitecer, uma série de números era levada ao palco, sem nenhum relacionamento direto entre eles. As suas primeiras gravações foram ‘Muscle Shoal Blues’ e ‘Birminham Blues’, em 1922. E colaborou depois com Alberta Hunter, Sidney Bechet, Jack Teagarden e Fletcher Henderson. Em 1927, co-escreveu algumas músicas com seu velho professor de piano James P. Johnson. Dois anos mais tarde escreveu a trilha sonora para o sucesso da Broadway, ‘Hot Chocolates’, com as letras fornecidas pelo seu amigo poeta e compositor Andy Razaf. Além das mais famosas composições dos dois, ‘Ain't Misbehavin' e ‘Honeysuckle Rose’, que se tornaram populares nas interpretações de Cab Calloway e Louis Armstrong.

Fats Waller

No final de 1932, Fats Waller contratou Phil Ponce como gerente que prontamente negociou um contrato com a WLW, uma poderosa estação de rádio de Cincinnati. Seu show, ‘Fats Waller Rhythm Club’, foi um sucesso instantâneo. Quando terminou o contrato, em 1934, Waller voltou para Nova York onde ele transmitiu o show pela rede CBS para um público ainda maior. O grande sucesso de Fats, no entanto, ocorreu em uma festa dada por George Gershwin, neste mesmo ano, onde ele encantou o público tocando o seu piano e cantando. Um executivo da ‘Victor Records’, que estava na festa ficou tão impressionado que indicou Fats para a gravadora que precisava de uma grande estrela para substituir Jelly Roll Morton que já não atendia o gosto do público.

Fats Waller decidiu manter a associação com o nome ‘Clube Rhythm’ e a maioria dos registros foi lançada sob o nome de ‘Fats Waller and his Rhythm’. E este contrato com a gravadora durou até a sua morte em 1943. ‘Rhythm’ era uma banda de estúdio, com diferentes músicos, de acordo com as datas e horários das gravações. Raramente os membros da banda sabiam de antemão quais músicas seriam gravadas e o talento coletivo do grupo conseguia fazê-las sem ensaio. Esta abordagem caótica foi um sucesso em parte por causa da consistência do pessoal de base, que incluía: Fats Waller no piano, Herman Autrey no trompete, Cedric Wallace no baixo, o saxofonista Eugene Sedric, o baterista Jones Slick e o guitarrista Albert Casey. O caos sem dúvida contribuiu para a espontaneidade que caracterizavam muitas das gravações.

Jones Slick, Herman Autrey,Fats Waller , Cedric Wallace, Albert Casey, Eugene Sedric

‘Fats Waller and his Rhythm’ (1938)
Jones Slick, Herman Autrey,Fats Waller , Cedric Wallace, Albert Casey, Eugene Sedric

O grupo era sempre composto por cerca de meia dúzia de músicos que trabalharam com ele regularmente, inclusive Zutty Singleton, um dos bateristas mais influentes do jazz que popularizou o uso de escovas e solos de bateria no jazz e teve algumas das melhores técnicas da época. Ao longo dos anos 30 e 40 Fats Waller era uma estrela do rádio e dos clubes, e excursionou pela Europa. E atuou em três filmes, inclusive ‘Stormy Weather’ tendo como parceira uma jovem Lena Horne e o cantor de jazz Cab Calloway. Ele morreu a bordo de um trem perto de Kansas City, Missouri, de pneumonia em 1943.

fats waller - georgia rockin' chair


fats waller - sugar blues (1935)

Sugar Blues (1935)

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parte I    parte II
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parte I    parte II

Tracklist
01. You're the Picture (I'm the Frame) 02. My Very Good Friend the Milkman 03. Blue Because of You 04. There's Going to Be the Devil to Pay 05. Twelfth Street Rag 06. There'll Be Some Changes Made 07. Somebody Stole My Gal 08. Sweet Sue, Just You 09. Truckin' 10. Sugar Blues 11. Just as Long as the World Goes Round and Round 12. Georgia Rockin' Chair 13. Brother, Seek and Ye Shall Find 14. The Girl I Left Behind Me 15. You're So Darn Charming 16. Woe! Is Me 17. Rhythm and Romance 18. Loafin' Time 19. (Do You Intend to Put an End To) A Sweet Beginning Like This 20. Got a Bran' New Suit 21. I'm on a See-Saw 22. Thief in the Night

The Very Best of Fats Waller (1940)

The Very Best of Fats Waller (1940)
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Personnel: Fats Waller (vocal, piano, orgão); Bunny Berigan (trompete); Dick McDonough (guitarra); Rudy Powell (saxophone alto, clarinete); Slick Jones (bateria)

Tracklist: 01. Ain't Misbehavin' 02. Honeysuckle Rose 03. Handful of Keys 04. I'm Crazy 'Bout My Baby (And My Baby's Crazy 'Bout Me) 05. Smashin' Thirds 06. The Joint Is Jumpin' 07. Keeping Out Of Mischief Now 08. Squeeze Me 09. The Minor Drag 10. All That Meat And No Potatoes 11. The Jitterbug Waltz 12. I Ain't Got Nobody (And Nobody Cares For Me) 13. Lulu's Back In Town 14. I'm Gonna Sit Right Down (And Write Myself A Letter) 15. Somebody Stole My Gal 16. A Good Man Is Hard To Find 17. The Sheik Of Araby 18. Two Sleepy People 19. Your Feet's Too Big

domingo, 17 de abril de 2011

lester young

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lester youngLester Young foi um músico cujo estilo inovador no saxofone teve uma grande influência sobre outros grandes nomes do instrumento. Ele era particularmente conhecido por seu trabalho com a banda de Count Basie nos anos 30 e 40 e nas gravações com a vocalista Billie Holiday a quem apelidou de ‘Lady Day’ e esta, por sua vez, o apelidou de ‘presidente’, mais tarde encurtado para ‘pres’ ou ‘prez’. Com olhos verdes e cabelos avermelhados, vestia ternos trespassados e chamativos e chapéu estilo ‘pork pie’, sua outra marca, que foram copiados por várias gerações de músicos do jazz. O estilo exuberante de Young incluía a maneira de tocar o saxofone em ângulos estranhos. Com o seu saxofone para cima em um ângulo de 45 graus, a presença de Young no palco era impressionante. Suas frases, tanto em palavras quanto na música, tornaram-se lendárias entre outros músicos. Lester Young e seu contemporâneo Coleman Hawkins são frequentemente listados como as torres gêmeas do saxofone do jazz moderno. Um dos gigantes do jazz, Lester ao invés de adotar a abordagem então dominante de Coleman Hawkins veio com uma concepção completamente diferente. Um não-conformista que foi importante para o desenvolvimento progressivo do cool jazz, que surgiu no final de 1940.

Nascido em 1909, em Woodville, Mississippi, Lester Young era o mais velho de três filhos e cresceu nos arredores de Nova Orleans durante o período em que King Oliver, Louis Armstrong, Jelly Roll Morton e Sidney Bechet estavam criando o jazz. Em 1920 mudou-se para Minneapolis com seu pai, Willis Handy Young, um músico versátil que ensinou todos os instrumentos aos filhos e formou uma banda com a família que se apresentava em festas e outros espetáculos. Lester estudou violino, trompete, baixo e bateria, e escolheu o saxofone alto aos 13 anos de idade. Após uma das muitas brigas com o pai, ele deixou a banda da família no final de 1927 e passou o ano seguinte em turnê com Art Bronson, onde adotou o saxofone tenor. Ele voltou para sua família no Novo México em 1929, e depois mudou-se para a Califórnia.

red callender leter young, foto de gjon mili     chapéu de lester young, foto de herman leonard
Red Callender e Lester Young, foto de Gjon Mili durante as filmagens de ‘Jammin’ the Blues’, 1944
Chapéu de Lester Young, foto de Herman Leonard, Nova York, 1948

Na década de 30, ele tocou brevemente com uma das primeiras bandas de Kansas City, a ‘Blue Devils’ do baixista Walter Page e depois novamente com Bronson, para em seguida, estabelecer-se em Minneapolis, onde tocou com o saxofonista, clarinetista e arranjador Eddie Barefield e com vários outros líderes no ‘Nest Club’. Depois se juntou ao grupo ‘Thirteen Original Blue Devils’ e enquanto estava em turnê na cidade de Oklahoma conheceu o guitarrista Charlie Christian. Quando o ‘Blue Devils’ se desfez Young tocou então na ‘Kansas City Orchestra’ de Bennie Moten, na banda de George E. Lee e com o cornetista e bandleader King Oliver, em uma noite com o pianista Fletcher Henderson, em seguida, em turnê com a estrela do saxofone, Coleman Hawkins.

lester youngYoung se juntou então a Count Basie para depois ser um substituto provisório de Coleman Hawkins na banda de Fletcher Henderson, mas os músicos rejeitaram a abordagem muito diferente do jovem saxofonista, e Lester saiu depois de alguns meses. Em seguida ele se juntou a várias bandas entre Kansas City e Minnesota para depois voltar para Count Basie com quem fez suas primeiras gravações. Seus solos de ‘Lady be Good’ e ‘Shoe Shine Boy’ foram copiados nota a nota por vários músicos e nos anos seguintes quando a banda de Basie se tornou famosa, Lester Young, apesar de ter recebido muitas críticas, uma nova geração de músicos, incluindo Dexter Gordon, Illinois Jacquet, e outros, ficou entusiasmada com sua música. Suas apresentações em pequenos grupos, e suas gravações em 1939 com Billie Holiday foram especialmente influentes.

Young deixou Basie em 1940 para formar sua própria banda que se apresentou em Nova York no início de 1941. No mesmo ano, ele se mudou para Los Angeles para liderar uma banda com o irmão Lee. O grupo se desfez no início do ano seguinte, e Lester se apresentou como freelancer em Nova York antes de se reunir novamente com Basie em 1943. E foi quando o seu saxofone chegou ao conhecimento do público e Lester ficou em primeiro lugar na enquete da revista norte-americana de jazz ‘DownBeat’ como saxofonista tenor, a primeira de muitas honras. E se tornou o favorito de uma nova geração de músicos de jazz, entre eles John Coltrane, Sonny Rollins e Stan Getz. E foi o destaque no filme ‘Jammin’ the Blues’, um curta de 1944 com vários proeminentes músicos de jazz reunidos em uma rara ‘jam session’. O filme foi dirigido artisticamente pelo famoso fotógrafo Gjon Mili e lançado pela Warner Bros. Em 1995, ‘Jammin’ the Blues’ foi selecionado para a Biblioteca do Congresso como sendo ‘cultural, histórica e esteticamente significativo’.



O curta-metragem ‘Jammin’ the Blues’ de 1944, produzido por Gordon Hollingshead e dirigido pelo fotógrafo Gjon Mili

Em 1944, extirpado do seu ambiente musical, Lester Young foi convocado para o exército, onde encontrou o terror e sofreu com o preconceito. E quando descoberto usando drogas foi submetido à corte marcial. Depois de vários meses de detenção no quartel da Geórgia, em 1945 retomou à música se apresentando em Los Angeles. Alguns críticos consideram que ele tornou-se menos criativo e mais excêntrico, paranóico, sentindo como se ninguém gostasse dele. Sua popularidade, no entanto, aumentou de forma constante. Na sua primeira sessão de gravação, ele produziu uma obra-prima, ‘These Foolish Things’. A partir de 1946, passou a fazer parte do ‘Jazz at the Philharmonic’ título de uma série de concertos de jazz, turnês e gravações produzidas por Norman Granz - empresário e produtor de jazz e fundador de cinco gravadoras: Clef, Norgran, Down Home, The Verve e Pablo. E também se apresentar em pequenos grupos. De 1947 a 1949 influenciou alguns dos jovens músicos do bebop.

Embora muitas de suas gravações em 1950 fossem excelentes mostrando uma maior profundidade emocional do que em seus dias iniciais, o incomodava o fato de alguns de seus imitadores brancos estarem ganhando mais dinheiro que ele. Sofrendo com isso, construiu um muro entre ele e o mundo exterior e inventava o seu próprio vocabulário através da música. E continuou a desenvolver e modificar a sua abordagem do saxofone com sucesso, exceto quando bebia, o que estava se tornando mais freqüente até a sua morte. Mas ele ainda foi capaz de produzir alguns de seus melhores trabalhos em gravações. Ele participou da banda de Basie entre 1952-54 e novamente no ‘Newport Jazz Festival’ em 1957, mas nunca voltou como um membro regular. E tornou-se cada vez mais dependente do álcool e por várias vezes foi internado. Em 1959, começou uma temporada no ‘Blue Note Club’, em Paris. Após adoecer Lester Young voltou para casa e bebeu até morrer. Muitas décadas depois de sua morte, Pres ainda é considerado, juntamente com Coleman Hawkins e John Coltrane, um dos três saxofonistas tenores mais importantes de todos os tempos.

lester young e billie holiday (1952)    lester young (1959)
Billie Holiday e Lester Young em um clube noturno em 1952
Lester Young em 1959, já muito doente não conseguia mais ficar em pé

Para a edição de ‘The Sound of Jazz’ de 1957, um dos principais programas de jazz da televisão norte-americana, Billie Holiday se reuniu com seu ex-amigo de longa data para a parte final do programa. Durante os ensaios eles se mantiveram em lados opostos da sala. Muito fraco Lester Young teve que ficar sentado durante a apresentação do grupo de Billie. E Lester e Billie se procuravam com os olhos. Durante a apresentação de ‘Fine and Mellow’, Ben Webster tocou o primeiro solo e Young Lester se levantou e tocou o mais puro blues enquanto Billie sorria. Era como se ambos estivessem a se lembrar o que um foi para o outro. E na sala de controle de som todos choraram. Quanto o show terminou, Bille e Lester seguiram caminhos separados. Dois anos depois, ambos estavam mortos.



'The Sound of Jazz’ de 1957 com Billie Holiday, Coleman Hawkins, Lester Young, Ben Webster, Gerry Mulligan, Vic Dickenson e Roy Eldridge.

Certa vez, Young observou que seu estilo era muito parecido com o cantar de Billie Holiday. Na autobiografia de Billie, ‘Lady Sings the Blues’, Lester é citado como tendo dito que ao ouvir os discos de Billie em duetos com ele teve a impressão de que o saxofone e a voz de Billie soavam como uma única voz, e se prestasse mais atenção era como se fossem uma só pessoa. A verdade é que ele amava Billie Holiday. Se o quente do jazz foi definido por Louis Armstrong em 1920, o lado lírico do jazz encontrou seus expoentes perfeitos em Billie Holiday e Lester Young durante os anos 30 e 40. Suas colaborações revelaram um lado diferente na arte do jazz. A emoção, a simplicidade e a força de expressão que somente são conseguidos através da sensibiidade. Como se para esta música sensível de Billie e Lester fosse necessário algum tipo de magnestismo, atração mútua para tornar isso possível. Ou simplesmente um romance musical. ‘All of Me’, a minha predileta, revela tudo isso.

billie holiday & lester young - all of me


Lester Young gravou para o selo ‘Aladdin’ entre 1945 e 1947, liderando uma série de pequenos grupos que variavam de quintetos para sextetos. E a formação dos grupos poderia ser simplesmente casual e incluíam fiéis da era swing ou boppers dedicados. Parece que isso pouco importava para Lester Young. Seu som era uma das maravilhas do jazz, e não apenas por sua transparência, mas por sua suavidade. Além das sessões de ‘Aladdin’, este dois CDs incluem músicas com o trio de 1942 que tinha Nat ‘King’ Cole no piano e Red Callendar no baixo. O solo de Young em ‘Indiana’ é uma das maravilhas do swing. Há também uma sessão de 1945 com a cantora Helen Humes com a participação fantástica do trompetista Snooky Young e o saxofonista Willie Smith, bem como Lester Young.

Lester Young - Complete Aladdin Recordings (1995)

Complete Aladdin Recordings (1995)

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CD 1    CD2

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CD 1    CD 2

CD 1
01. Indiana 02. I Can't Get Started 03. Tea For Two 04. Body And Soul 05. D. B. Blues 06. Lester Blows Again 07. These Foolish Things 08. Jumpin' At Mesner's 09. It's Only A Paper Moon 10. After You've Gone 11. Lover Come Back To Me 12. Jammin' With Lester 13. You're Driving Me Crazy 14. New Lester Leaps In 15. Lester's Be Bop Boogie 16. She's Funny That Way 17. Sunday 18. S. M. Blues

CD 2
01. Jumpin' with Symphony Sid 02. No Eyes Blues 03. Sax-O-Be-Bop 04. On the Sunny Side of the Street 05. Easy Does It 06. Easy Does It 07. Movin' with Lester 08. One o'Clock Jump 09. Jumpin' at the Woodside 10. I'm Confessin' 11. Lester Smooths It Out 12. Just Cooling 13. Tea for Two 14. East of the Sun 15. The Sheik of Araby 16. Something to Remember You By 17. Riffin' Without Helen 18. Please Let Me Forget 19. He Don't Love Me Anymore 20. Pleasing Man Blues 21. See See Rider 22. It's Better to Give than Receive

Com demasiada frequência, os críticos de jazz alimentaram o mito de que Lester Young foi tão emocionalmente ferido pelo racismo que sofreu no serviço militar em 1944-45 durante a II Guerra Mundial que ele nunca mais foi o mesmo como nos anos 30 e início dos anos 40. O jovem Lester viveu o inferno no exército e suas experiências dolorosas o levaram para o abuso do álcool, das drogas e depressão. Mas, apesar do declínio mental, ele ainda era um solista fantástico. Este conjunto de oito CDs, que reúne a maioria das gravações em estúdio que fez para a gravadora ‘Clef’ e a ‘Verve’ de Norman Granz, no período de 1946-1959 em sessões com Nat ‘King’ Cole e Buddy Rich, em 1946, Oscar Peterson e Barney Kessel, em 1952, Roy Eldridge e Teddy Wilson em 1956 e Harry ‘Sweets’ Edison, em 1957. O disco 8 contém duas entrevistas gravadas: uma feita por Chris Albertson em 1958 para a rádio WCAU da Filadélfia, e a outra feita em Paris pelo entusiasta francês do jazz Francois Postif em 06 de fevereiro de 1959, apenas cinco ou seis semanas antes da morte de Young. O contraste entre as duas entrevistas é surpreendente, na Filadélfia, Young é educado e de fala mansa, enquanto em Paris, os efeitos do álcool são fáceis de se perceber devido aos xingamentos e a liberdade com que Young candidamente diz a Postif sobre tudo, desde os seus traumas com o racismo e suas associações com Billie Holiday e Count Basie.

The Complete Lester Young Studio Sessions on Verve (1946-1959)

The Complete Lester Young Studio Sessions on Verve (1946-1959)

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CD 1: parte I    parte II
CD 2: parte I    parte II
CD 3: parte I    parte II
CD 4: parte I    parte II
CD 5: parte I    parte II
CD 6: parte I    parte II
CD 7: parte I    parte II
CD 8: parte I    parte II

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CD 1: parte I    parte II
CD 2: parte I    parte II
CD 3: parte I    parte II
CD 4: parte I    parte II
CD 5: parte I    parte II
CD 6: parte I    parte II
CD 7: parte I    parte II
CD 8: parte I    parte II

CD 1
01. Back to the Land 02. I Cover the Waterfront - (12" LP take) 03. I Cover the Waterfront - (master take) 04. Somebody Loves Me 05. I've Found a New Baby 06. Man I Love, The 07. Peg O' My Heart 08. I Want to Be Happy 09. Mean to Me 10. Too Marvelous For Words - (78-rpm take) 11. Too Marvelous For Words - (LP take) 12. 'Deed I Do 13. Encore 14. Polka Dots and Moonbeams 15. Up 'N' Adam 16. Three Little Words 17. Count Every Star - (master take) 18. Count Every Star 19. It All Depends on You 20. Neenah (alternate take) 21. Neenah (alternate take) 22. Neenah (master take)

CD 2
01. Jeepers Creepers 02. Thou Swell (USA 78-rpm take) 03. Thou Swell (Canada 78-rpm take) 04. September in the Rain 05. Undercover Girl Blues 06. Frenesi 07. Pete's Cafe 08. Little Pee Blues 09. A Foggy Day10. In a Little Spanish Town 11. Let's Fall in Love 12. Down 'N' Adam 13. Lester Swings 14. Slow Motion Blues 15. Ad Lib Blues 16. Just You, Just Me 17. Tea For Two 18. Indiana 19. These Foolish Things 20. I Can't Get Started

CD 3
01. Star Dust 02. It Takes Two to Tango 03. On the Sunny Side of the Street 04. Almost Like Being in Love 05. I Can't Give You Anything But Love 06. There Will Never Be Another You 07. I'm Confessin' 08. Willow Weep For Me 09. This Can't Be Love 10. Can't We Be Friends 11. Tenderly 12. New D.B. Blues 13. Jumpin' at the Woodside 14. I Can't Believe That You're in Love With Me 15. Oh, Lady Be Good! 16. Another Mambo 17. Come Rain or Come Shine 18. Rose Room 19. Somebody Loves Me 20. Touch Me Again 21. It Don't Mean a Thing (If It Ain't Got That Swing)

CD 4
01. I'm in the Mood For Love 02. Big Top Blues 03. Mean to Me 04. That's All (alternate take) 05. That's All (master take) 06. Red Boy Blues 07. Pennies From Heaven 08. She's Funny That Way (breakdown) 09. She's Funny That Way (master take) 10. One O'Clock Jump 11. It's the Talk of the Town 12. I've Found a New Baby 13. I Guess I'll Have to Change My Plan

CD 5
01. I Didn't Know What Time It Was 02. Gigantic Blues 03. This Year's Kisses 04. You Can Depend on Me 05. Pres Returns 06. Prisoner of Love 07. Taking a Chance on Love 08. All of Me 09. Louise 10. Love Is Here to Stay 11. Love Me or Leave Me

CD 6
01. St. Tropez (alternate take) 02. St. Tropez (master take) 03. Flic 04. Ballad Medley: A Ghost Of A Chance/I Cover The Waterfront 05. Love Is Here to Stay 06. Sunday (rejected version) 07. Perdido (incomplete take) 08. Waldorf Blues (alternate take) 09. Waldorf Blues (master take) 10. Sunday (master take) 11. You're Getting to Be a Habit With Me (alternate take)

CD 7
01. You're Getting to Be a Habit With Me (master take) 02. Romping 03. Gypsy in My Soul 04. Please Don't Talk About Me When I'm Gone 05. They Can't Take That Away From Me 06. Salute to Benny 07. Ballad Medley: The Very Thought Of You/I Want A Little Girl/Blue And Sentimental 08. Mean to Me 09. I Didn't Know What Time It Was 10. Oh, Lady Be Good! 11. Almost Like Being in Love 12. Three Little Words 13. I Cover the Waterfront 14. I Can't Get Started

CD 8
01. Indiana 02. Pennies From Heaven 03. New D.B. Blues 04. Lullaby of Birdland 05. There Will Never Be Another You 06. Tea For Two
07 - 22 Interview with Lester Young by Francois Postif
23 - 30 Interview with Lester Young by Chris Albertson

Um dos mais memoráveis momentos de Lester Young pós-II Guerra Mundial foi em 1946, quando ele formou um trio com Nat King Cole no piano e Buddy Rich na bateria e entrou em um estúdio de Los Angeles. Em 1994, os resultados desse encontro clássico, que Norman Granz produziu para seu selo ‘Clef’, foram reeditados no CD ‘Lester Young Trio’ pela ‘Verve’ também de Norman, um empresário e produtor, uma figura fundamental no jazz norte-americano, e fundador de mais três gravadoras: Norgran, Down Home e Pablo. O álbum tem quatro faixas bônus que incluem ‘Sweet Lorraine’, ‘Rosetta’ e ‘I've Found a New Baby’ em duas versões. Em uma delas, Lester é destaque em um trio com o pianista Nat ‘King’ Cole e o baterista Buddy Rich em um desempenho espantoso, e em outra versão em um quinteto com Cole novamente, desta vez na linha de frente com o trompetista Harry ‘Sweets’ Edison e um jovem Dexter Gordon no saxofone tenor. Os desempenhos são excelentes. Do blues ‘Back to the Land’ às baladas ‘The Man I Love’ e ‘I Cover the Waterfront’, Lester Young detona o mito absurdo de que nessa época, o seu desempenho é de pouco ou nenhum valor, um mito que muitos críticos de jazz promoveram.

I've Found a New Baby (1946)

I've Found a New Baby (1946)

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parte I    parte II

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parte I    parte II


Personnel:
Lester Young (tenor saxophone); Nat King Cole (piano); Buddy Rich (drums – 1/10); Harry ‘Sweets’ Edison (trumpet – 11/14); Dexter Gordon (tenor saxophone 11/14); Clifford Owens (drums 11/14); Red Callender ou Johnny Miller (double bass 11/14)
Tracklist 01. Back to the Land 02. I Cover the Waterfront [take one] 03. I Cover the Waterfront [take two] 04. Somebody Loves Me 05. I've Found a New Baby 06. The Man I Love 07. Peg o' My Heart 08. I Want to Be Happy 09. Mean to Me 10. Back to the Land [2] 11. I've Found a New Baby 12. Rosetta 13. Sweet Lorraine 14. Blowed and Gone

The Complete Billie Holiday and Lester Young 1937-1946

The Complete Billie Holiday and Lester Young 1937-1946 (2003)

CD 1: parte I    parte II
CD 2: parte I    parte II
CD 3: parte I    parte II

Tracklist: CD 1
01. He Ain't Got Rhythm 02. This Year's Kisses 03. Why Was I Born? 04. I Must Have That Man 05. Sun Showers 06. Yours and Mine 07. Mean to Me [Prise Master] 08. Mean to Me 09. Foolin' Myself 10. Easy Living 11. I'll Never Be the Same 12. Me, Myself and I 13. Me, Myself and I [Prise Master] 14. A Sailboat in the Moonlight 15. Born to Love 16. Without Your Love [Prise Master] 17. Without Your Love 18. Getting Some Fun Out of Life 19. Who Wants Love? 20. Trav'lin' All Alone 21. He's Funny That Way 22. I Can't Get Started

Tracklist: CD 2
01. My First Impression of You 02. My First Impression of You [Prise Master] 03. When You're Smiling [Prise Master] 04. When You're Smiling 05. I Can't Believe That You're in Love with Me 06. I Can't Believe That You're in Love with Me 07. If Dreams Come True [Prise Master] 08. If Dreams Come True 09. Now They Call It Swing 10. Now They Call It Swing [Prise Master] 11. Back in Your Own Backyard [Prise Master] 12. Back in Your Own Backyard 13. When a Woman Loves a Man 14. The Very Thought of You 15. I Can't Get Started [Prise Master] 16. I Can't Get Started 17. I've Got a Date with a Dream 18. I've Got a Date with a Dream 19. You Can't Be Mine 20. Everybody's Laughing 21. Here It Is Tomorrow Again 22. Say It with a Kiss

Tracklist: CD 3
01. The Man I Love 02. You're Just a No-Account 03. You're a Lucky Guy 04. I'm Pulling Through 05. Laughing at Life [Prise Master] 06. Laughing at Life 07. Time on My Hands 08. The Man I Love 09. Let's Do It (Let's Fall in Love) 10. Let's Do It (Let's Fall in Love) 11. All of Me [Prise Master] 12. All of Me 13. All of Me 14. I Cried for You 15. Fine and Mellow 16. He's Funny That Way 17. The Man I Love 18. Gee Baby, Ain't I Good to You? 19. All of Me 20. Billie's Blues