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domingo, 31 de outubro de 2010

ópera rock: hair

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 hair movie (1979)Em 1967, Gerome Ragni, ator e dramaturgo estadunidense, em parceria com James Rado, ator e escritor, escreveram os textos e letras das músicas, enquanto Galt MacDermot musicou ‘Hair’ que capturou o espírito rebelde dos anos 60. ‘Hair’ é um musical sobre os hippies, de sua cultura, música, paz e amor. Ficou famosa por suas músicas e quebrou a tradição teatral por suas cenas de nudez com um elenco despojado que cantou a sodomia. No Teatro Biltmore, na Broadway, foi à cena por quase 2.000 vezes. ‘Hair’ provocou controvérsia desde sua primeira apresentação. Mas em Nova York e em outros grandes centros, o descontentamento ficou circunscrito a críticas desfavoráveis dos conservadores. No entanto, quando a peça saiu em excursão pelos Estados Unidos, seus produtores sofreram ações legais por práticas obscenas e desrespeito à bandeira americana, discussão que chegou à Suprema Corte. Seguiram-se outras montagens em Los Angeles, Sydney e Londres onde também teve problemas com a censura. No Brasil o filme foi censurado na época de seu lançamento, vivíamos a ditadura dos moralistas, mas assassinos generais. Foi exibido nos cinemas no início da década de 1980. No México, depois da primeira apresentação, a peça foi proibida pelo governo e os atores, ameaçados de prisão, tiveram que deixar apressadamente o país. Outras montagens se seguiram através do mundo. Apesar do choque, ‘Hair’ foi aclamada e logo os jovens que protestavam em todos os lugares contra a guerra estavam cantando ‘Let the Sunshine In’. No entanto, como muitas criações, em um intervalo de tempo, o show se tornou velho demais para os anos 70. Assim, em 1979, o produtor de cinema Lester Persky apostou que ‘Hair’ estava maduro para a redescoberta. A versão cinematográfica foi escrita por Michael Weller, e um bando de novatos talentosos foi dirigido pelo emigrante tcheco Milos Forman, acompanhados por uma exuberante sequência musical.

Gerome Ragni Galt MacDermot James RadoO enredo da peça teatral difere do enredo da versão cinematográfica. O musical segue a trajetória do recém-chegado do interior, Claude Bukowski (John Savage) à Nova Iorque onde pretende se alistar para a guerra do Vietnã. Ao chegar, ele conhece um grupo de hippies no Central Park chamado ‘A Tribo’, da Era de Aquário e politicamente ativos, em sua luta contra o recrutamento militar. Claude se apaixona pela bela Sheila (Beverly DAngelo) e fica amigo de Berger (Treat Williams) o líder pacifista dos hippies. Eles e os outros membros do grupo sintetizam o pensamento e a prática dos hippies nos anos 60. No final, a maior diferença entre os enredos da peça e do filme: Claude chega à conclusão que a vida no grupo não é o que ele realmente deseja e vai para o Vietnã. No filme, Berger toma seu lugar e morre na guerra. O musical encerra sem que o público fique sabendo o destino de Claude na guerra. Sobre a adptação cinematográfica de ‘Hair’ as opiniões se dividem. Para uns tantos, foi um desastre concebido pelo roteirista Michael Weller, e por um diretor expatriado que não tinha a menor familiaridade com os hippies, os anos 60, a América, ou mesmo com a Broadway. Com um roteiro artificial, a versão de Hollywood com as jovens estrelas Treat Williams, John Savage e Beverly D'Angelo é um caso exemplar de como não fazer uma adptação. Pelo menos pode-se dizer que, ao contrário de alguns dos filmes musicais desastrosos de 1930 e 40, a música sempre foi eclética, um tanto satíricas, assim como líricas, e foi capaz de resistir à mediocridade. Mesmo assim é mais aceitável em disco do que no filme. O álbum com as canções da peça foi agraciado com o Grammy de 1969.

 milos formanPara outros, o filme enquanto uma decepção nas bilheterias, é notável por vários motivos, entre eles é uma adaptação surpreendentemente boa, sem enredo discernível no palco o diretor Milos Forman criou uma história coerente com um impacto emocional considerável. O talentoso elenco foi de enorme ajuda, especialmente os três principais atores, mas quem fez o filme ser deslumbrante foi a lendária coreógrafa Twyla Tharp que planejou as danças. As músicas são encenadas com uma rara combinação de confiança e vitalidade que marcam os melhores momentos em filmes musicais. Os escritores James Rado e Gerome Ragni ficaram descontentes com o filme. Na opinião dos dois, Milos Forman não conseguiu captar a essência de ‘Hair’ e os hippies foram retratados como excêntricos e algum tipo de aberração, sem qualquer conexão com o movimento pela paz. Em 2005, nova montagem de ‘Hair’ foi encenada em Londres, com a ação ambientada não mais na Guerra do Vietnã, mas na Guerra do Golfo de 2003. James Rado concordou inicialmente com a montagem, mas o espetáculo mereceu críticas de atores que trabalharam na versão original.

E eu, que nunca gostei de filmes musicais assisti a notável ópera rock ‘Tommy’ de 1969, composta pelo guitarrista Pete Townshend do ‘The Who’, e baseada no álbum de mesmo nome e o primeiro álbum da banda explicitamente chamado de ópera rock; e os musicais rock ‘Jesus Christ Superstar’ de 1970 e ‘Hair’ de 1979. Em uma distinção despretensiosa a ópera rock conta uma história coerente enquanto o álbum conceitual mantém o tema até o fim e o musical rock é apresentado como sendo uma produção teatral em vez de um álbum, não tendo sequer referência a qualquer banda. Dito isto, ‘Hair’ com performances muito fortes do elenco é o mais lembrado devido às grandes canções memoráveis que mesclam uma diversidade de sons e ritmos, música negra com mantras orientais, a influência indígena e mexicana. As letras são cheias de significados e falam exatamente daquilo que se estava vivendo: a descoberta do LSD, os horrores da segregação racial e sexual, a guerra do Vietnã sendo televisionada e as canções se transformaram em hinos, em uma causa.

Na verdade, ‘Hair’ é uma peça universal e não fala de uma guerra específica e sim do horror da guerra. De qualquer guerra, até da urbana em que vivemos atualmente, com a segregação racial que ainda existe, com a misoginia, a falta de tolerância com opções sexuais. Para os que viveram a época retratada, assistir novamente ‘Hair’ é uma viagem nostálgica que restaura sensações perdidas ou esquecidas ao longo do tempo. Não há como negar o poder das músicas que fazem de ‘Hair’ uma obra prima, canções brilhantes que ficaram embutidas no cérebro. E a épica ‘Aquarius’ é suficiente para nos levar aos dias passados onde havia a magia das ideologias. Hoje, não são mais feitas passeatas como os estudantes e hippies faziam em 1967. Por isso é fundamental ouvir o grito de ‘Hair’ de tantos anos atrás.

hair (1979)hair (1979)hair (1979)hair (1979)hair (1979)

ren woods - aquarius


‘Aquarius’, por vezes referida como ‘The Age of Aquarius’ ou ‘Let the Sunshine In’ interpretada por Ren Woods foi uma das canções mais populares de 1969, em todo o mundo, e nos Estados Unidos. A letra escrita por James Rado, Gerome Ragni e Galt MacDermot foi baseada na crença astrológica de que o mundo entraria em breve na Era de Aquário, uma era de amor e luz para a humanidade, ao contrário da então Era de Peixes. Essa mudança foi presumida a ocorrer no final do século 20, no entanto, os astrólogos diferem de quando será.

‘Three-Five-Zero-Zero’ é uma canção anti-guerra, constituida de uma montagem de palavras e frases semelhantes às do poema ‘Wichita Vortex Sutra’ de Allen Ginsberg, de 1966. Irwin Allen Ginsberg foi um poeta norte-americano que se opunha vigorosamente contra o militarismo, o materialismo e a repressão sexual. Em 1950, Ginsberg foi uma das principais figuras da Geração Beat, um grupo anárquico de homens e mulheres que com paixão defendeu as liberdades pessoais, um termo usado para descrever o grupo de artistas norte-americanos, principalmente escritores e poetas, que vieram a se tornar conhecidos no final da década de 50 quanto ao fenômeno cultural que eles inspiraram, posteriormente chamados ou confundidos aos beatniks, nome este de origem controversa, considerado por muitos um termo pejorativo. Estes artistas levavam vida nômade ou fundavam comunidades. Foram, desta forma, o embrião do movimento hippie. O poema ‘Howl’, de Allen Ginsberg, no qual ele comemora o seu companheiro, é um dos poemas clássicos da Geração Beat. Na música, as frases são combinadas para criar imagens da violência no combate militar e aspectos da Guerra do Vietnã.

A canção ‘What A Piece Of Work Is Man’ se refere à frase ‘What a piece of work is a man!’ contida em 'Hamlet' de Shakespeare.

hair (1979)

Hair: Original Soundtrack Recording (1979)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Aquarius (Ren Woods) 02. Sodomy 03. Donna / Hashish 04. Colored Spade 05. Manchester (John Savage) 06. Abie Baby / Fourscore (Nell Carter) 07. I'm Black / Ain't Got No 08. Air 09. Party Music 10. My Conviction 11. I Got Life (Treat Williams) 12. Frank Mills 13. Hair 14. L.B.J. 15. Electric Blues / Old Fashioned Melody 16. Hare Krishna

Tracklist CD 2
01. Where Do I Go? 02. Black Boys 03. White Boys (Nell Carter) 04. Walking In Space 05. Easy To Be Hard (Cheryl Barnes) 06. 3-5-0-0 07. Good Morning Starshine (Beverly D'Angelo) 08. What A Piece Of Work Is Man 09. Somebody To Love 10. Don't Put It Down 11. The Flesh Failures / Let The Sunshine In

terça-feira, 24 de novembro de 2009

ópera rock: joe's garage

frank zappa

Controvertido, cínico, mordaz, irônico, polêmico, inovador, adjetivos que são marcas de Frank Zappa, um dos mais estranhos e geniais músicos do rock, apaixonado por sua arte, e que nunca permitiu ser rotulado. Por ter sido um crítico incansável do conformismo, da mediocridade e da hipocrisia, a música de Zappa foi muito usada pela juventude, envolvida em diversos conflitos políticos na época, uma de suas músicas tornou-se hino dos estudantes da antiga Tchecoslováquia, que lutavam contra o regime comunista vigente no país. O ‘american way of life’ era um de seus alvos preferenciais, bem como a Igreja, com sua moral duvidosa, e o Estado, que eram considerados por ele uma coisa só.

Em 1985, Zappa foi uma das principais vozes a se levantar contra o PMRC (Parents’ Music Resource Council), organização liderada por Tipper Gore, esposa do então senador Al Gore, que acusava a indústria fonográfica de expor a juventude, através das letras das músicas, ao sexo, à violência, às drogas e ao álcool. Zappa declarou que não passava de um grupo de donas-de-casa entediadas, acusou o conselho de censura à liberdade de expressão, primeiro em uma carta aberta ao Presidente Ronald Reagan e, depois, numa série de depoimentos perante o comitê do Senado americano. E considerava que o seu trabalho contribuia para um melhor esclarecimento político das pessoas. Todo o seu trajeto foi marcado por uma simples obsessão: a expressão livre do indivíduo.

Ike Willis e frank zappaNa ópera rock Joe's Garage: Acts I, II e III de 1979, que conta a história do que poderia acontecer se a música tornar-se ilegal, todas as canções foram escritas, arranjadas e conduzidas por Frank Zappa. Os principais temas da história incluem as bandas de garagem, zombarias em torno da Cientologia, mas, sobretudo, a censura da música como uma forma de arte. A ópera começa com a ‘The Central Scrutinizer’ que explica que o seu trabalho é fazer cumprir as leis, quando a música for ilegal e mostrar o que pode acontecer se alguém escolher uma carreira na música, como Joe o protagonista da ópera, que costumava ser um bom menino e cortar a grama dos vizinhos, mas quando descobriu o rock, ele passa todo o seu tempo tocando música em sua garagem, e por causa do som alto, os vizinhos, muitas vezes são obrigados a chamar a polícia. Na delegacia, o conselheiro sempre lhe dá um donut e o aconselha a ficar mais perto da Igreja exercendo atividades sociais. Joe encontra uma nova namorada, Maria, uma menina católica que o abandona para seguir a banda ‘Toad-O’. Deprimido Joe tem relações sexuais com Lucille, uma garota que trabalha no ‘Jack-In-The-Box’ e que lhe transmite uma doença venérea a qual, Joe diz ter contraído no banheiro.

No ato II, Joe volta-se para a religião e contribui com dinheiro para ‘L. Ron Hoover’ da Primeira Igreja de Appliantology (uma paródia da Igreja da Cientologia). Ali, Joe descobre que poderá obter uma gratificação sexual através do uso de máquinas em um clube onde os seres humanos podem ter relações sexuais com aparelhos. Joe localiza uma máquina que gosta Sy Borg. Joe acaba por destruir Sy e como deu todo o seu dinheiro à Igreja e, portanto, é incapaz de pagar pelos danos, é jogado em uma prisão especial que é pintada toda de verde e lotada por criminosos do mundo da música. Joe é repetidamente violentado por músicos e ex-executivos de gravadoras, quando não está cheirando linhas de detergente. No ato III, Joe é libertado da prisão, e a música já é ilegal. Desequilibrado mentalmente começa a imaginar todas as notas da guitarra que ele não pode mais tocar. Ike Willis, cantor e guitarrista que foi um sideman regular de Frank Zappa é quem canta a música ‘Joe's Garage'.

ike willis - joe's garage


frank zappa - joe's garage (1979)

Joe's Garage: Acts I, II & III (1979)
CD 1: parte I    parte II
CD 2: parte I    parte II

Tracklist CD 1
01. Central Scrutinizer 02. Joe's Garage 03. Catholic Girls 04. Crew Slut 05. Fembot in a Wet T-Shirt 06. On the Bus 07. Why Does It Hurt When I Pee? 08. Lucille Has Messed My Mind Up 09. Scrutinizer Postlude 10. Token of My Extreme 11. Stick It Out 12. Sy Borg

Tracklist CD 2
01. Dong Work for Yuda 02. Keep It Greasey 03. Outside Now 04. He Used to Cut the Grass 05. Packard Goose 06. Watermelon in Easter Hay 07. Little Green Rosett

Act I
Side one
01. "The Central Scrutinizer" 02. "Joe's Garage" 03. "Catholic Girls" 04. "Crew Slut"
Side two
01. "Fembot in a Wet T-Shirt" (aka "Wet T-Shirt Nite") 02. "On the Bus" (aka "Toad-O Line") 03. "Why Does It Hurt When I Pee?" 04. "Lucille Has Messed My Mind Up" 05. "Scrutinizer Postlude" –

Act II
Side one
01. "A Token of My Extreme" 02. "Stick It Out" 03. "Sy Borg"
Side two
01. "Dong Work for Yuda" 02. "Keep It Greasey" 03. "Outside Now"

Act III
Side three
01. "He Used to Cut the Grass" 02. "Packard Goose"
Side four
01. "Watermelon in Easter Hay" 02. "A Little Green Rosetta"

sábado, 4 de julho de 2009

ópera rock: jesus christ superstar

Jesus Christ Superstar‘Jesus Christ Superstar’ é uma ópera-rock dos anos 60, de autoria de Andrew Lloyd Webber (música) e Tim Rice (letras), os mesmos que fizeram ‘Evita’. Foi um revolucionário musical que conta a paixão de Cristo dando voz àquele que foi considerado o seu traidor, o apóstolo Judas Iscariotes. Considerado o mais bem sucedido musical da Broadway, com Ian Gillan (Jesus), Murray Head (Judas) e Yvonne Elliman (Maria Madalena) ganhou corpo nas telas dos cinemas em 1973 sob a direção de Norman Jewison, tendo Ted Neeley, Carl Anderson e a mesma Yvonne Elliman, respectivamente, nos papéis de Jesus Cristo com uma imagem clássica, louro de cabelos longos e barba, um Judas negro e uma Maria Madalena asiática.

Apóstolos usando calças compridas da década de 70, soldados romanos ostentando metralhadoras, calças camufladas e coturnos, um rei Herodes afetado, contrabandistas de haxixe, mulheres negociando impunemente nos templos hebreus, granadas e tanques de guerra, alusão às drogas, ao feminismo, aos conflitos raciais nos EUA e à guerra do Vietnã. Um Cristo fascinante e um Judas sem saber o que pensar de seu grande amigo, que num misto de fascinação e medo é o narrador da última semana da vida de Jesus Cristo, começando com a sua entrada em Jerusalém e terminando com a crucificação. Obra polêmica e marcante, ‘Jesus Christ Superstar’ é fundamental para se compreender os anos 60/70. Como musical, também triunfa com suas canções rock hoje clássicas, canções que merecem figurar no hall dos grandes clássicos do rock.

murray head - heaven on their minds


opera rock - Jesus Christ Superstar (1970)

Personnel:
Judas Iscariotes - Murray Head; Jesus Cristo - Ian Gillan; Maria Madalena - Yvonne Elliman; Caiafás - Victor Brox; Annas - Brian Keith; Simão - John Gustafson; Poncio Pilatos - Barry Dennen; Pedro - Paul Davis; Herodes - Mike D'Abo

Jesus Christ Superstar Original (1970)
CD 1    CD 2

opera rock - Jesus Christ Superstar Soundtrack (1973)

Personnel:
Judas Iscariotes - Carl Anderson; Jesus Cristo - Ted Neeley; Maria Madalena - Yvonne Elliman; Caiafás - Bob Binghan; Annas - Kurt Yaghjian; Simão - Larry Marshall; Poncio Pilatos - Barry Dennen; Pedro - Paul Thomas; Herodes - Josh Mostel

Jesus Christ Superstar Soundtrack (1973)
CD 1: parte I    parte II
CD 2: parte I    parte II

Tracklist: CD 1
01. Overture 02. Heaven On Their Minds 03. What's The Buzz / Strange Thing Mystifying 04. Everything's Alright 05. This Jesus Must Die 06. Hosanna 07. Simon Zealotes / Poor Jerusalem 08. Pilate's Dream 09. The Temple 10. Everything's Alright 11. I Don't Know How To Love Him 12. Damned For All Time / Blood Money

Tracklist: CD 2
01. The Last Supper 02. Gethsemane (I Only Want To Say) 03. The Arrest 04. Peter's Denial 05. Pilate And Christ 06. King Herod's Song (Try It And See) 07. Judas' Death 08. Trial Before Pilate (Including The 39 Lashes) 09. Superstar 10. Crucifixion 11. John Nineteen Forty-One

quarta-feira, 10 de junho de 2009

ópera rock: tommy

ópera rock tommy

Era uma vez um rapaz cego, bobo e surdo que, por jogar fliperama como ninguém, se tornou o líder de uma seita messiânica, comandada por seus pais malvados. Na verdade o menino havia testemunhado um assassinato quando criança e os autores (a mãe e o pai no original e a mãe e o amante no filme) convenceram o petiz que ele nada viu e nada ouviu e o coitado se fechou para o mundo. Na busca por uma cura e um espaço no mundo, o pobre Tommy é vítima de tipos asquerosos como o cruel primo Kelvin, o pedófilo tio Ernie e a Rainha do Ácido, mas o que ele queria mesmo era que as pessoas o ouvissem e o sentissem. Isso tudo é ‘Tommy’, obra do genial guitarrista Pete Townshend lançada pelo seu grupo, ‘The Who’, em 23 de maio de 1969. Quarto álbum da banda, ‘Tommy’ causou frisson na época de seu lançamento, dividindo a opinião pública entre os que o achavam uma inovadora obra-prima e os que o desprezavam pelo tema pesado.

Pete TownshendA BBC e muitas rádios nos Estados Unidos baniram as músicas de sua programação, mas mesmo assim a obra se tornou um dos maiores sucessos do ‘The Who’. Um ano antes do lançamento do disco, Townshend já havia dito em uma entrevista para a revista ‘Rolling Stone’ que pretendia compor algo que uniria rock com estrutura de ópera. Recentemente, o autor contou à revista inglesa ‘Uncut’ que se inspirou no trabalho do conjunto britânico ‘The Pretty Things’ com o disco conceitual ‘S.F. Sorrow’, todo baseado em um conto do vocalista e guitarrista Phill May, que mostrava a história de Sebastian F. Sorrow e sua vida em meio a guerras, romances, tragédia e velhice. Mais do que simplesmente se ater aos tradicionais instrumentos de bandas de rock, Townshend adicionou trompetes, gongos, piano, órgão e solos vocais em seus arranjos. O baixista John Entwistle chegou a afirmar que nunca escutou o disco todo porque ficou enojado com as inúmeras gravações e regravações de cada música, resultado do perfeccionismo do autor.

the whoTommy foi lançado como disco duplo, acompanhado de um encarte contando a triste história de seu protagonista. Em 1971, a ópera de Seatle o levou aos palcos pela primeira vez com Bete Midler no papel da Rainha do Ácido. Em 1972, no ‘Rainbow Theater’, a banda ‘The Who’ apresentou a ópera acompanhada da Orquestra Sinfônica de Londres e de convidados especiais fazendo os vocais, como Steve Winwood, Rod Stewart, Richie Havens e Ringo Starr. Uma versão em estúdio foi lançada em LP e acabou levando um Grammy. Em 1975, o prolífico diretor de vanguarda, Ken Russel, levou a obra para as telonas com o vocalista da banda, Roger Daltrey, como ‘Tommy’, Ann Margret como sua mãe, Oliver Reed como o amante da mãe e Elton John, Tina Turner, Eric Clapton e Jack Nicholson como coadjuvantes. Algumas mudanças foram feitas na história original (como o amante da mãe matar o pai e não o contrário, conduzindo a trama para uma relação incestuosa entre Margret e Daltrey) e novas músicas foram adicionadas. Foi um tremendo sucesso de crítica e bilheteria e catapultou músicas como ‘Pinball Wizard’ para o topo das paradas. Em 1993, Townshend fez uma nova adaptação, desta vez para a Broadway, mas os tempos eram outros e o autor também. A maior mudança foi no final onde ‘Tommy’ abraça a vida em família e versos como ‘a liberdade reside na normalidade’ foram incluídos, eliminando outros como ‘hey, senhora normalidade, não tente ganhar minha confiança’. Em 1998, a ópera-rock entrou para o ‘Hall of Fame’ do Grammy por seu significativo valor histórico e artístico, enquanto em 2003 a revista ‘Rolling Stone’ a colocou como 96º nos 500 maiores álbuns de todos os tempos. (por Claudio R S Pucci)

opera rock tommy - sensation


ópera rock tommy
Tommy (1975)
CD 1    CD 2

CD 1
01. Overture from Tommy 02. Prologue 1945 03. Capitain Walker - It`s a boy 04. Bernie`s holiday camp 05. 1951-What about the boy 06. Amazing journey 07. Christmas 08. Eyesight to the blind (Eric Clapton) 09. Acid queen (Tina Turner) 10. Do you think it`s alright pt.1 11. Cousin Kevin (Paul Nicholas) 12. Do you think it`s alright pt.2 13. Fiddle about (Keith Moon) 14. Do you think it`s alright pt.3 15. Sparks 16. Extra,extra,extra (Simon Townsend) 17. Pinball wizard (Elton John)

CD 2
01. Champagne 02. There`s a doctor 03. Go to the mirror (Jack Nicholson) 04. Tommy can you hear me 05. Smash the mirror 06. I`m free 07. Mother and son 08. Sensation 09. Miracle cure 10. Sally Simpson 11. Welcome 12. T.V. studio 13. Tommy`s holiday camp (Keith Moon) 14. We`re not gonna take it 15. Listening to you - See me, feel me